terça-feira, 2 de março de 2010

Menina enrolada

Uma menina  que queria ser palhaço de circo. Queria também uma onça domar. Sob a tenda de um circo terminou por soltar fogo pela boca, e mesmo que de mentira arrancava aplausos da platéia. Mais tarde a menina cresceu mas esqueceu de lembrar. Demorou para que suas pernas contassem a ela que já estavam longas demais para ser palhaço ou domadora e mesmo que pudesse continuar soltando fogo de mentira, sua vontade ansiosa dizia que sair do circo seria melhor.
Ainda não informada que havia crescido, continuou guiada por suas vontades. Saiu do circo a menina, cresceu mais uns centímetros as pernas e pernas-de-pau ela foi querer ser, desfilando pelas praças e distribuindo felicidade.
Um dia, lá do alto dos filetes de madeira, ela chorou porque mais uma vez sabia o que queria, mas o choro vinha do não saber fazer com o que sabia querer. E a brisa mais fria do alto dos céus, veio para secar suas lágrimas de menina que virou gente grande, não por ter pernas longas, nem por ser pernas-de-pau mas por descobrir que querer não era o bastante.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Primeiro Lugar no I Concurso de Poesias GB

Primeiro concurso que participo, primeiro prêmio e primeira vez que resolvi expor uma poesia minha de tal forma, competindo com outras tantas pessoas. Parabéns a todos os que participaram!


A Gazeta dos Blogueiros, site conhecido entre os blogueiros de plantão, realizou seu I Concurso de Poesias GB. E foi nesta aposta do GB, que tinha como objetivo promover a literatura brasileira, onde me arrisquei enviando uma poesia minha, Ator, já publicada aqui. Havia até esquecido do concurso após eles terem prorrogado o anúncio das poesias vencedoras devido ao número de inscritos, quando resolvi "fuxicar" o resultado que novamente não tinha sido divulgado. Foi então, que no dia seguinte eu tive a feliz surpresa de ver a minnha poesia vencedora, ganhando 1° lugar no concurso. É com grande felicidade que agradeço a Gazeta dos Blogueiros por abrir esta oportunidade para iniciantes, profissionais, amantes da literatura e pessoas que assim como eu sentem prazer em escrever, sendo esta prática quase que uma necessidade.
E como forma de parabenizar a todos os que ousaram participando do concurso, um presente, Vinicius de Moraes em O poeta:

A vida do poeta tem um ritmo diferente
É um contínuo de dor angustiante.
O poeta é o destinado do sofrimento
Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza
E a sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.
Ele é o etemo errante dos caminhos
Que vai, pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos extremos intangíveis

(...)
                                                         Vinicius de Moraes  


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Camarim?(!)

Um lugar, um espaço;
grande, pequeno, estreito, largo;
confortável, desconfortável;
agradável, desagradável;
luxuoso, simples...
Camarim.

Me propus a explicar a escolha do (novo) nome do blog. Da ideia veio o título e do título a ideia, sempre nesse percurso dialético, resolvi que este seria o melhor nome para o blog. Sem mais delongas, venho por meio desta expor a minha visão sobre o que significa para mim este espaço físico, porém mágico, "quarto de vestir".
Imagino que nos tempos da Grécia, onde as coisas caminhavam para uma oficialidade das artes dramáticas, um cara, provavelmente virginiano, resolveu que tinha de organizar aquele "espetáculo" de trocas de roupa e caracterização - afinal os homens é quem faziam os personagens femininos assim como qualquer outro que surgisse. Imagine você, como se dava essa caracterização? Camadas e mais camadas de pano, quilos e quilos de maquiagem para travestir os gregos de moças. Daí, o tal rapaz sistemático como todo bom virginiano, não deve ter aguentado viver naquele "mafuá" e determinou:
- é preciso que haja ordem! A partir do raiar do novo dia, não teremos mais tal bagunça, nos vestiremos no... (olhou para um lado, olhou para o outro e avistou um canto onde os raios de sol entravam pelas frestas da pedra que sustentava o comodo e de noite, as estrelas iluminavam audaciosamente, pelas mesmas frestas da manhã, o canto destinado aos atores)...Camarim! (gritou). O homem, havia dito qualquer palavra que veio em sua cabeça, assim como se o Deus do vinho,  Dionísio, lhe tivesse soprado...camarim...em seus ouvidos.
A verdade, é que o nome era o que menos importava, o importante mesmo era a organização do local. Desde então, os atores se caracterizavam no Camarim e assim como qualquer prática e/ou pedacinho que compõe as artes dramáticas, o quarto de vestir em pouquíssimo tempo se tornou tão mágico quanto o palco. Dentro daquele minúsculo espaço que mal acomodava o elenco inteiro, acontecia a tão sagrada transformação: vestir o figurino, colocar a maquiagem...Onde o ator, passou a assistir de camarote (através do espelho), a revelação de seu personagem sob as luzes das estrelas ou dos raios de sol, estando assim, sempre iluminando.

Ok, tirando essa história fictícia que tenta ser verdade apenas na minha imaginação, o teatro é tão mágico que não existe rotina ou organização que não beba da sua magia. Mas chamo a atenção de você, é... você que está lendo esse "drama", a dramaticidade está presente na vida de qualquer um, ator ou não ator. Da mesma maneira que o Camarim dos teatros servem a nós atores como um lugar de caracterização, concentração e preparação, cada um de nós temos um Camarim cheios de instrumentos que nos ajudam antes de entrar no palco, seja ele qual for. As vezes pegamos o texto para não errar na hora de falar, noutras sentimos necessidade de nos olhar no espelho para retocar a "maquiagem", trocamos de roupa para ousar ou se esconder de alguém ou de nós mesmos ou até para não parecermos com o quem somos.
No dia a dia, fazemos de qualquer lugar o nosso Camarim improvisado, aprendemos a não nos apegar ao que temos em casa (o nosso quarto) e sempre que queremos nos preparar para "entrar em cena" olhamos para um lado...para o outro e o primeiro cantinho que nos chame a atenção, entramos e preparamos a nossa cena, arrumamos o figurino, revemos as falas, nos olhamos no espelho e pronto! Tudo certo para que o nosso roteiro, (afinal também somos autores), corra perfeitamente como queríamos. E como sabemos, é no camarim também, que nos despimos e tiramos tudo o que é do personagem para que o nosso rosto volte a ter a nossa cara e possamos voltar para casa com a sensação de que cumprimos o papel que a que nos submeteram ou que nós mesmos nos submetemos, isso tudo faz parte do show.

Por isso este espaço se chama CAMARIM, aqui é onde me preparo, me visto ou fico despida, de "cara limpa". Uso as palavras para fugir ou me aproximar de mim, tentando me distanciar ou me aproximar de um personagem antes de entrar em cena, seja da vida ou de um novo espetáculo. Mas também as utilizo para me desfazer de todos os elementos de cena quando eles já estão pesados em meus ombros, e quando isso acontece ao final do texto ou da poesia me vejo nua mas nem um pouco constrangida, afinal estou no meu camarim iluminada pelos raios de sol ou por estrelas no céu.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Seus monstros

Eu sei que devia ter me afastado e cortado a frase antes que ela fosse dita por inteiro, afinal todos os dias que antecederam foram para me fortalecer e me encher de força, no entanto joguei fora no primeiro "grande medo". Ainda agora estou cá, sem esforço, numa confusão talvez maior que a dor de cabeça que me atormenta o sono. Há de se entender, que uma história construída e acostumada não se destrói num rompante de um minuto, tão pouco numa única conversa. O que houve entre nós, foi atrito, dos mais pesados e mais perigosos: mente e emoção; amor e paixão; incompreensão e tentativa; prazer e fracasso. Foi dançando entre quatro paredes de um cérebro que acostumou-se e viciou-se o coração, por isso resolvi enfrentar todos os monstros de dentro. Só eu sei o quanto me rebaixei e o quanto supliquei para ser salva, mas eu sempre soube que para me salvar era preciso que algo fosse morto. Mas acontece que não tenho instinto para matar, mesmo que este assassinato fosse a violência mais cruel e corajosa.
Sem prática alguma em lidar com a morte, ainda que a experiência com o vivo também não parecesse bem-sucedida, o assassinato perturbou a minha cabeça como um intimato ao qual eu, matadora de aluguel, não poderia fugir da tarefa. Resolvi então conviver com meus vícios, escolha essa, que está me mantando por inteira.O que eu descobrira, era a chance de cura e  de renovação mais digna que poderia oferecer a mim, mas não tive coragem de morrer para viver. Portanto, eis aqui, na assinatura deste relato,




o meu maior inimigo.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

No precipício de um coração


Enquanto eu caminhava com pés duros tentando quase que entrar na terra, tudo girava em azul e branco e em tantas outras colorações que eu nem sabia. Nem sabia que existia vida na fantasia de ser feliz. Rezando sem crença de regras mas com uma dor tão grande de buscar, me afastava cada vez mais do que de fato almejava. Ainda me afasto.
Tantas vezes me misturei em versos soltos, tão soltos coitados,  me suplicavam para que fossem férteis,  tanto que as vezes me comovia e escrevia textos densos equivocando-me cada vez mais e pior _ _ _ angustiando as palavras que saíam inúteis de meus pensamentos, dedos e boca numa caminhada bem conhecida por mal-sucedidos. Fui então descobrir as cores, sim, aquelas que eu via em penumbra e não faziam sentido na minha organizacional visão. Ah, como posso rir de mim mesma. Sentido naquilo que desnorteia?! Agora existe um prumo que me indica um rumo torto , torto para a minha tão acostumada visão de ser eu, eu mesma, é claro, essa mesma.
Me ocorreu então, um certo sentimento de pecado. Estaria eu pecando sobre as orações infindáveis e vazias que fazia? Eram beijos tão doces, estes aos quais me fiz em reza para tentar entender aquilo que ao mesmo tempo que me dava esperanças, se afastava tanto do meu desejo, um desejo já quase morto.
A reza era forte e se tornou um rito, mesmo sem regras e pluralidade de fiéis. Era eu a única que em coro vibrava a fim de ser feliz e no beijo e na viagem das mãos procurava...procurava...procurava...Acho que sempre estive à procura do fim.
Aí veio uma canção que invadiu as palavras decepcionadas. A canção chegou de mansinho e arrebatou cada letra dando som e cor a cada significado. Fiquei feito boba assistindo o caminho que elas foram tomando aos poucos, inebriadas, assim como eu, por uma melodia tão livremente composta que não poderia ter outro fim se não o começo - de quê? Eu ainda não sei, mas é um começo que invade e que quer, com permissão do fim, finalmente ser.






segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sem nome

Um broto de gente. Infantil, inocente, iniciante.
Somente a sutileza lhe faria cócegas e lhe abriria as portas para a luz nova ou as luzes novas. O fato é que ela queria. Queria ter a terrível saudade, alimentar a terrível vontade, os dias descobrir e a vida desvendar.
Durante alguns anos, ouviu todos os cantos em diferentes sintonias que a fizeram ser o que se tornou e talvez o que não desejou. Em um dia qualquer de café sobre a mesa, bocejo e torradas com manteiga, ouviu um soprar novo. Tão sutil ele soou que ela, ao se deparar consigo, surpreendeu-se com uma imagem desajeitada e insegura, tão primária...tão distante do que havia construído como morada. Trocava de pose, arrumava os cabelos pequenos, crespos e pensava num jeito jovem de arrumar a vida, que não serviriam aquele canto que aumentava: a voz, o som o tom. A verdade é que zunia aos seus ouvidos desaprendidos e frágeis, o tal canto que canta o canto que encanta ao canto que foi. Foi ali, num canto tão minúsculo e solto no céu, que descobriu  uma outra vida que era sua e não se sabia.
Já não eram só cócegas nem tão sutil, era "fogo que arde sem se ver e ferida que dói e não se sente".

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Desafio e recomeço



Ano novo, novo elenco, nova temporada do espetáculo "Os Melhores Anos das Nossas Vidas".
Convido a todos para assistirem a nova temporada do espetáculo de Domingos Oliveira, grande autor, diretor, poeta, dramaturgo...enfim, este artista completo compartilha conosco a história de sua adolescência junto com quatro grandes amigos na época de vestibular em plena década de 50.
O espetáculo contará com novos atores no elenco para a estréia da nova temporada no Teatro dos Grandes Atores e esta reestréia terá um gosto especial para todos inclusive para mim que estarei interpretando uma nova personagem: Ilane. Uma prostituta de temperamento inconstante que diz ter "os nervos muito agitados" e não regular muito bem das idéias. É com um novo desafio e um gosto de saudade da personagem que fazia na primeira temporada que estréio com o coração ocupado no momento por "Ilane" e por toda as emoções que uma nova temporada nos traz.


Gostaria de convidar a todos, inclusive a quem já compareceu na temporada passada, para assistir  aos Melhores Anos de Nossas Vidas, um espetáculo que apesar de se passar nos anos 50, leva o público de todas as idades a se identificar facilmente com a vida dos vestibulandos daquela época. Bem descontraída e cheia de leveza, com certeza é um excelente programa para relaxar, rir e para aqueles que viveram a época, relembrar será muito gostoso.

Estréia neste dia 16/01 às 18 hrs no Teatro dos Grandes Atores - Barra da Tijuca

Para maiores informações é só prcurar aqui no blog o link do blog da peça.
Nos vemos no teatro!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Apenas


Por mais que eu possa pensar e falar
eu sei que jamais eu vou me curar te ti.
Já me contaminou essa coisa que você chama de amor
e que ainda estou tentando arrumar letras perfeitas
para encaixar isso aqui dentro da minha cabeça.
Por mais que eu queira,
por mais que eu tente,
tá tudo misturado e irritado como alergia.
Eu disse alergia amor, e não alegria.
Faz falta a posição das letras.
Faz falta uma leta,
faz falta ela inteir , perfeita, soando nos meus ouvidos
mas de coisas boas,
dessas que você já soube dizer com verdade
Por mais que eu possa te dizer,
as palavras já não cabem mais em nenhuma frase pensada dita ou escrita,
são apenas palavras
que não vão me livrar,
que não vão me curar e que não vão te dizer coisa alguma
que não esteja longe do medo maior,
do ego ferido,
do amor traído
e distorcidas elas não ficam nem mais bonitas nem mais perfeitas,
são novamente
apenas palavras...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Poço fundo

Me tomou como um veneno
Me corroeu como ácido
Me consumiu como fome

E de querer me faz tocar no pecado
O proibido,
(escondido)

recuei.
Palavras de aramess farpados
Feridas abertas na boca que tenta

Venta
Volta
E não se alimenta

Ferida aberta e a escolha
A escolha ou a ferida
Doente do vício miserável

domingo, 3 de janeiro de 2010

Tranparência obscura



Eu não estava querendo ter todas as coisas do mundo dentro dos meus braços finos. Eu nunca quis. Sempre soube me pôr no meu lugar e, de tanto amar me escondi por vezes atrás do medo de me revelar. Não penses você que eu me super valorizo. Apenas com um riso eu te respondo que não, não mesmo. Não sei bem as vezes, do que as pessoas estão falando, é tanta letra que cabe num sopro de palavra que me perco! Ainda que eu mesma já tenha me desesperado pela ânsia de ser compreendida.
Numa distância tão curta nos afastamos. Prefiro não dizer nomes, assim me guardo ao prazer de escolher, eu, a distância que irá aumentar. De mais a mais, eu nunca quis perder, nem competições, nem amigos, nem amores e nem aventuras. Mas a tristeza sempre me intrigou, e sobre ela eu sei falar melhor, do contrário penso que estou desafiando o mundo de tanta felicidade. E como ousaria eu, falar dela como minha e da grandeza....ufa! A grandeza de ser feliz não cabe mais nada. Transborda.
Falta muito pela frente. Julgar e pré conceituar é tolice.

domingo, 27 de dezembro de 2009

O falso verde



O tempo me guiou ao inútil amadurecimento de te amar. Endureceu o olhar e as surpresas escassas, quase desaparecem feito fumaça. O medo de caminhar devagar e morrer num lugar ainda escuro sem saber como era a luz que via no fim do túnel, atormenta um coração hoje inseguro e cinza. Dentro dessa casca existe mar, tempestade, gritos e não esses sussurros, aos quais me agarro fincando unhas e dentes para não me desprender, não me distanciar. O tempo me ensinou a dar tempo ao tempo e de tempo em tempo só me resta o tempo e nada mais. Eu já experimentei caminhar com pés, com os olhos, com a mente e com o coração. Todas as vezes segui a mesma direção e estava na frente, a postos para encarar o que surgisse, quebrando barreiras e construindo pontes. Hoje estou atrás, mas não que tenha alguém ou algo na minha frente, estou atrás de mim, regredindo em passos longos e lentos, voltando às origens para compreender porque me permiti ir tão além e questionando porque nunca chego á luz.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ator

Eu podia ter um milhão de filhos
eu podia ser artista,
palhaço ou equilibrista.
Eu podia viver de lembranças
e voltar a ser criança.

Eu podia ser natureza,
beber a água do mar
me salgar e morrer,
feliz.

Eu podia não ser quem sou
fingir e me destruir.
Eu podia desistir de ser
o que de fato sou
e morrer na infelicidade.

Eu podia ser uma pedra
e de tão pedra,
não sair do lugar.
Eu podia não ser de carne nem osso
e me manter calada e seca.

Eu podia murchar,
eu podia secar,
eu podia aguar, azedar

e salgar a doçura de um coração
mas eu preferi chorar os males,
sorrir os dias,
tocar a pele,
ser.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Onde

Há um invisível que circula entre nós. Não está escondido, ele é apenas invisível. Entre as nossas palavras, os nossos medos e pensamentos mais profundos, ele passa por nós. Quando falo ou penso, sinto que ele está por perto como alguém que gosta de observar e sabe de muito mais, justamente por isso.
A sensação me persegue mas sei que o invisível não é o que sinto, ele é espectador da minha vida e acredito até que de muita gente. Não é Deus, porque não interfere em situação alguma, nem ao menos me induzindo, mas ele está _ _ _ _

Ele vê tudo. Eu sei! Me perco nos segundos, minutos e me pego paralisada procurando o _ _ _ o que eu não vejo. Caminho pela vida entre pausas e paralelos. Viver e procurar. Mas quem? o que?
O invisível sou eu.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Sonhei que eu ganhava um daqueles brinquedos: um palhaço saindo de dentro de uma caixa e que nele estava escrito, "hoje eu te amo". A frase ficou na minha cabeça.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009



 
Feito poesia
eu te amei
naquele dia quente
eu te entreguei
todo o meu pranto,
suspiro e tanto
que eu nem sei.

Foi o meu amor
dizendo o quanto viria a ser,
anunciando a história
cortejando a hora
flertando a volta
do amor em mim.

Declaro-me entrengue ao vento

vontade de ser teu,
Amor.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Dentro de mim algo gritou calado e quieto. E eu escutei.

    

Existe um oceano de coisas que preciso me livrar. Uma bagunça que preciso compartilhar. Despejar isso vai ser um alívio e ao mesmo tempo será perder um pouco de mim, dentre os resíduos do que faz pesar meus ombros. E ainda a cobrança de dar o que é bom em mim, me sufoca! Tira o ar puro que eu respiro com esforço. Amar a mim significa carregar um oceano, o meu.
É perigoso livrar-se do peso, já me acostumei a me equilibrar, com dores nas costas, a força contrária ao chão que deforma o meu andar. As pessoas costumam pensar, num primeiro olhar, que isso sou eu. E sou. Foi uma construção e ao longo do tempo adquiri alguns parasitas que agora me torturam impedindo que eu prossiga como sempre fiz. Agora, é hora de livrar-me do excesso de modo que continuarei a ser eu mesma, já que o livrar-me faz parte do processo da construção de mim.
Recriando-me, eu posso me dar e permitir que eu também receba, mas no momento me encontro em excesso. Grito muito, reclamo demais e isso tudo, eu sei, é um sinal mental mas também físico. O excesso não sou eu. Mas...sempre serei um oceano além da conta. O dia que eu estiver na medida, não terei muito a oferecer, serei pouca logo deixarei de ser oceano.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mão dupla




Aumento som e o mundo começa a tocar.
Escuto as mães falando de pele de bebê e tantas coisas mais,
percorro ruas e os sinais de estresse soam buzinas de fundo.
Quanto mais som mais cores
Vejo crianças sem lugar procurando algum para ficar,
do outro lado o som das chaves de um calhambeque anos 90
iluminando a todos com a sua brilhantina.
“O cara” é tão diferente da criança.
Em algum lugar eles se cruzam
na trilha de um estrondo surdo
que eu não pude escutar
mas senti, cada nota
suja de lama limpa e sola velha
de um velho que não se satisfaz.
Mais, mais e mais...
Quero desligar o mundo mas não posso,
Quero abaixar o som mas já virou verdade.
Não basta ver o mar pelo quadrado de segurança,
ali dentro eu posso me salvar,
talvez.
Vou indo de volta ao sol,
de volta à água,
de volta pra casa.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Achados e perdidos



Eu quero estar onde os ventos florecem flores
E o triste é um sim ao meu riso.
Com graça pronta não quero ficar
Servir ao borrão de cores eu escolho.
O preto e branco são fases e apelos,
De um coração que não vê cor em ser de vidro cheio.
Eu não conto a ninguém.
porquee vou descobrir no fim disso tudo
Que não sei dizer,
E eu só quero estar no sonho que inventei
Pode dizer, “impossível!”
Mas eu já provei e agora não tem volta
Grita que eu aguento,
Fala que eu não te corto
Eu preciso disso
Pra ver quem eu sou
Sem capa nem máscara
Não sou e nem quero ser
O pintado que você forjou
Deixa quieto que não vai fazer mal
Só a mim
Eu que vou saber
Olhos meus
Tinta e quadros
Isso é ilusão meu bem,
É o lugar dos achados e perdidos