terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Acabou o horário de verão


Salva meu chão
que ele está fugindo dos meus pés,
meus olhos querendo escorregar,
minha boca secar.
Salva a língua do deserto.
Salva as pessoas desse terremoto,
que eu já sinto meu corpo estremecer,
salva a graça das coisas do mundo,
risos estão escapando.
Salva o caminho das palavras,
de repente estou sem nenhuma,
salva a vergonha de quem não tem
sob os gemidos que não são de ninguém
Salva o som,
o ouvido está mudo,
a boca ouvindo orelhas.
Salva a visão,
de repente são apenas vultos nus.
Salva os sentidos,
esses que estão embriagados
duplicando sensações.
Salva o corpo dos amassados,
ele está sendo apertado.
Salva esse lençol das mãos,
elas estão rasgando e deixando descobertos os segredos
Dentro delas, apertados.
salva
mas salva atrasado,

e no relógio atrasou uma hora.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quando te beijo



Desde a primeira vez fechei os olhos. Ninguém alerta o outro, “feche os olhos”, mas todos fecham.
Fecho os olhos quando procuro a inconsciência de meus pensamentos, o descanso necessário do corpo. Fecho os olhos quando a tristeza incomoda como uma farpa difícil de arranjar jeito para me livrar. Esfrego-os como se quisesse arrancar através deles, todas as farpas incrustadas que estão a me incomodar.
Escrever geralmente tem me dado a sensação dos olhos repousos: o escuro caminho por onde passam os pensamentos, é no breu que se tateia. Eu tateio palavras.
Mas os olhos, fielmente fechados – sem nenhuma poética, fechados, nos dão a possibilidade de descobrir o vulto que passou deixando um rastro de perfume, desvendar as cores sem saber que são cores. Dentro de olhos fechados, encontram-se todos os tempos: passado, presente e futuro e em lugar nenhum mais. É quando viajamos pelo desconhecido, quando pretende-se “ver” com os olhos das mãos, do nariz, da boca – Sou toda olhos. Na verdade, penso que Deus nos deu esses dois globos porque somos curiosos. Ficamos mal acostumados. A sorte é que o corpo é exigente e toda vez que deseja “ver”

ele fecha os olhos.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Zero à esquerda

Havia oferecido um pouco de si ao próximo. Ingênua, não saberia que o pouco, dado a alguém, é muito de si. Qualquer pouco que se dê é bastante, é tanto, é tudo. E sobre isso, poderia passar linhas e linhas falando num tempo que não acabaria nunca: a porcentagem que se oferece e que dá erro no cálculo final. Lembrava dos cabelos negros, do perfume forte que causava irritação nas narinas. Tudo isso misturado dava-lhe náuseas descompassadas entre “foi bom” e “foi ruim”. Cultivava certa raiva daquele tempo e, inevitavelmente, ocorria-lhe a sensação de ter perdido um pouco de sua vida – apesar de saber da ignorância que seria maquiar as cicatrizes do seu corpo. Os risos, a descoberta limitada pelo destino – ela que nem sabe escrever uma carta, falando em destino. Alguém escreveu que “não”, feito uma mão que fez força contrária a direção que ela insistia, cansou a Maria. Depois que veio a distância, e só depois que veio a distância, a mão sumiu. E lá se foi o número de vezes tentando, e lá se foi o “um milhão”, ficara só o zero. Um zero à esquerda, pra começar tudo outra vez.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Gorda


Rápida como um raio, acordou com o sol espalmando o rosto amassado. 
- Que dia é hoje? Só mesmo lembrando de ontem pra saber quem você é de manhãzinha. Mais tarde, já não é mais e sem aquele homem aí mesmo é que não seria. 
Como o telefone não tocava? Como aquela máquina seca e fria, cravada na mesa não chorava por ela, com ela? e foi preciso sentar na cadeira, puxar o teclado e escrever - como de costume, logo a tela virou um pranto só – nada mais condizente. Sem ninguém, talvez nem leitores. O homem mesmo já deveria tê-la esquecido. 
- Mas como?! E de tantos “comos” engolidos a seco, sua cabeça engordava e engordava numa tristeza de dar dó. Carregar pensamentos era coisa de se pesar muito.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Meio dia

Sua pele quente me queimou.
A lua por onde escorrega fácil,
no meio,
o dia.
Minha pele  
de gota em gota,
o teu suor
e nesse dia fez chuva de verão.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Estava na sua frente

 Na diagonal. Via-se um desequilíbrio da figura, o topo inclinado, indagando. Uma imagem de anos, séculos quase. A impressão é que estava parada ali uma eternidade, pegando chuva, sol, vento e o que mais se tem no mundo. Fundos. Nos fundos dela, como duas maçanetas marrom de gavetas. Aqueles olhos que se puxasse, ah se alguém puxasse e abrisse as duas gavetas... Mais ali, bem perto, uma cama macia, não dessas que exacerbam conforto mas uma cama simples que quando se deita se dorme e é isso o que se espera. Desenho límpido no entanto com mil e uma possibilidades, na verdade esse não era seu diferencial e sim o ar de “por enquanto” que agoniava só de ver. Roupas tom pastel, um marrom, um verde musgo, mas bonito, como um encaixe. Era uma frase, em todos a roupa é sempre uma frase, no máximo duas. No fim da vida de cada um, talvez alguns juntem as frases e descubram o texto, daí fica só a lembrança – é assim. Ah, mas não poderia deixar de notar os fios, tantos eles, enrolados, tornam o sujeito sempre animal. Os cachos são a carteira de identidade onde no nome lê-se: Bagunçado Afoito do Nunca Arrumadinho ou semelhantes a isso, são todos da mesma família.  
As horas, em poucos segundos, passam quando se está de frente para o espelho, principalmente quando se vê. Ela se via no espelho. 



terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Paladar



- uma delícia, você vai ver.
- eu não costumo...
- Chegou!
- Parece bonito
- Você é linda
(olhando em direção onde vai: boca)
Beijam-se
...
- Hum, é gostoso mesmo
- (enquanto arrisca pequenos beijos no pescoço dela) É doce...
- Não! Não curto perfumes doces.
Ele interrompe os passos da boca:
- e a carne?
- Nem salgada nem doce, diferente.
No intervalo da garfada um beijo nele. Ela, quando surpreendida diz:
- Seu perfume é...
- doce.
- é bom
- mas você disse que não gostava de perfume...
- eu disse, é eu disse.
- Eu sabia que você ia gostar do prato
- Eu gosto do seu perfume...não de doce.
- Mas esse é doce
- Nem doce nem salgada
- a carne ao molho...?
- não, sua pele.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Memória do que não veio

A Persistência da Memória - Salvador Dali

Estou me precipitando. Estou sendo aquilo que não fui para saber como será. Medo? Talvez, mas não ele puro e simples. É um medo de ser alcançada, por que se eu for alcançada serei o que querem e não o que eu escolho ser. Então estico as mãos e tento agarrar o que vem lá na frente, sim, porque ele vem. Só dá para ver alguns contornos e sem fechar a linha não dá a forma do que é. 
Não me é dado esse poder de chegar lá, onde ninguém foi e teima em me dizer “só o tempo”. Não permiti ninguém mais, e com um pouco de dureza, nem a mim mesma tocar no presente que ele nos dá, embrulhado numa caixa grande, vermelha, o tal futuro. Então não me diga como será pois não lhe dei a chave para arrombar a porta de “lá” de longe. Uso o que tenho – O que tenho? Tenho é uma palavra forte como uma madeira, é um ponto final cravado. Tenho é na verdade os frutos do que já tive e que com esforço eu briguei para escolher cada cor de flor do meu jardim. Tenho. O que já foi, em forma de hoje vestido de agora com cheiro de antes. Tenho, o que sou. Não sou o que tenho e sim tenho o que sou. E é com essas mãos cheirando a antes, sendo o agora, que me aventuro a criar o restante das linhas disformes que, não me lembro porque, vejo a minha frente. 
Crio soluções para esses traços soltos e até cor eu me atrevo a dar, preenchendo os brancos vazios a cada ponta de linha que encontra a outra. Coloco cores para não chorar e lembrar que é tudo muito frágil nesse tempo que eu pinto. Posso passar dias pintando e contornando, lembrando Salvador Dali. Não pela sua pintura, mas pelo humano semelhante. Eu tenho medo de chegar lá e desmoronar aquele castelo que eu desenhei, mas nada me garante que é um castelo. Só eu, que já estive no meu futuro, sei que aquelas linhas tinham tudo para ser um castelo.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Escrevendo amor

Como uma uva doce. Como um vento menino, balançando os fios de cabelo em testas desconhecidas. Como o nervosismo que acelera, vira tempestade e despenteia árvores a fora, mostrando o que é antes de tornar-se. No seu melhor traje: desprevenido; desarrumado; em pés desajeitados; cabelos sem direção; quase um animal no seu mais belo perfil fotogênico. Aquilo que nem o próprio conhece, nenhum espelho revela. Como uma boca que morna feito o rio pra molhar o corpo estranho, recebe e abraça, faz-se seu dizendo “meu”. A insistência em abrigar no mesmo lugar os dois inteiros, feito duas metades sem matemática. Como quem fareja o sal pensando se doce será. Como quem não sabe, como quem descobre, como a fome que te mata, morrem dois num só gemido. Como se estivesse escrito, como se estivesse lendo. Decifra-se.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Ele no meio da fumaça

Um livro,
um lindo,
um retrato,
um cigarro 
que eu tô de fora,
nada entra e nada sai 
é sempre a mesma história.
Então um trago,
um papo,
um à gosto,
pode ser beijo,
não um beijo,
O beijo 
pra eu lembrar 
que primeiro foi o livro,
eu vi você era lindo 
e tiramos até um retrato,
entre um trago e o fogo,
o beijo no meio da fumaça.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A prece consciente


Amarrotadas coisas que percorreram os minutos daquelas horas. Que sejam belas as coisas que transladaram esse “agora” e movimentaram em mim a força de um tempo desconhecido, o que se vive, o que está sendo, o que virá a ser. O meu tamanho, que não impediu abrigar marcas, que o meu tamanho seja a casa e o lugar. Que possam morar nos meus olhos sem fazer transbordar, que possam se alimentar de minha boca: ouvidos e dentes; e línguas. O meu passado, que qualquer dele esteja acomodado em seu devido lugar , nas casas antigas, que sou eu na minha linha do tempo. Que eu saiba beber a dose certa de bom e ruim. Que o meu rumo seja guiado pela minha embriaguez, lúcida como a escolha de ver a olhos nus ou com os óculos que me destes. Que eu me reconheça quando esbarrar em mim. Mas o que quer que seja, que o amor contemple, e faça dos perigos do desespero de viver, a paz.

Prece inconsciente

Ao futuro

Toda a metáfora,
todo o grito mais bem gritado,
cuspido,
nem mais
nem menos,
tudo.
Meu rosto rasgado por mil lágrimas,
uma por dia
dia por duas vezes tentando,
eu fracassando.
Dor de garganta,
nó sem mãos
no pescoço apertando.
O melhor e o pior
Dos trezentos e sessenta e cinco dias
batido no liquidificador,  
tome para beber   
e brinde o ano novo,   
Passado.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Minas Gerais



As palavras são ontem, mas se eu pudesse colocar um pouquinho do “agora” seria tão gostoso...como comer bala de côco depois que acaba as do saquinho.
É que eu queria falar das mãos, dos olhos, assim, encarando os do outro, acesos: “onde mesmo ficam minhas pernas?” “onde mesmo fica a minha barriga?”, quando trocamos os pés pelas mãos e bastou um apalpar na intensidade do querer pra si. A mão buscava agarrar o corpo na quantidade semelhante a do desejo - como se fosse possível.
Eu descobri mais do seu cheiro de travesseiro e cabelo despenteado, você conheceu minha infância em risos que eu não podia controlar, gargalhava. E a vergonha ia longe, voltava para o Rio de Janeiro, fugia, escapava ou se escondia atrás da porta, esperando que eu recobrasse a consciência. E nesse dia, todos lá fora pensavam constrangidos que um parque de diversões não era tão animado quanto aquele quarto com porta fechada, dando mais asas a imaginação, quase como bichinhos atraídos pela luz. Mas só estávamos contando pintas no corpo um do outro, fuçando segredos e descobrindo pescoço, orelha, nuca...até o sono chegar e nos esquecermos amassados. Braço por cima de braço, duas folhas pintadas dobradas ao meio.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O tempo, o meio e o que ainda falta

Nota prévia
O texto a seguir nada tem a ver com romantismos. A insensatez é o melhor sentimento para andar na corda bamba. Não se engane.

Gastou mais um pouco da borrada no caderno. Apagava “amo” escrito com tanto desamor. O pensamento fugia das linhas que insistiam em querer ser carta de amor. Lá estava ela, longe...
- nunca vi uma borracha acabar, parece que duram para sempre, mas sempre compro outra. Voltou para o papel, nada saía. Já batia uma agonia. Passava os minutos, dor de cabeça, língua amarga do café.
Tinha marcado um cinema com ele, era um dia especial, aniversário de namoro – quanta coisa inventam. Os próprios assinaram o contrato que ditava o dia, mas como sempre, não leram se quer uma cláusula. Optou por pegar emprestado um poema rasgado de Neruda que parecia muito com verdade, quando raros momentos distraída passava o coração do frio ao fogo. Transcreveu o poema naquele papel triste, esfolado de tanto apaga-escreve. Aliviada por ter conseguido cumprir a “tarefa”, imaginava que bom ter lembrado de “Não te quero senão porque te quero”. Caíra como uma luva a qual estapearia a cara do sujeito.
Mas ainda tinha de escolher a roupa, como quem vai ao enterro e não quer parecer nostálgica. Nada lhe vestia bem, nem mesmo um sorriso sugerido pela mãe, espectadora do dia de horror, torpor, como quiser pôr.
– mas não vou pôr mais nada! Não vou e ponto. Chorou pelo morto, chorou pelo traje inevitavelmente nostálgico, sua expressão, chorou porque iria ao cinema com ele? Secou as lágrimas que borravam nada além de tentativas de sorrisos tortos, pois maquiagem seria exagero.

Borracha novinha, cor verde fosforescente, linda. Só usou para apagar um borrãozinho feito sem querer.
- será que essa eu vou conseguir ver o “para sempre”?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A dois


Dessas pernas que te atam um nó,
essas mãos que me cavam o corpo
nesses olhos que mergulham
eu, você meu,
ninguém mais.
A solidão a dois que distrai o perigo
de querer mais e mais,
onde a dois somos muitos,
todos
em poucos
um,
dois.

domingo, 28 de novembro de 2010

Quando transborda



Eu vou desfranzindo a testa aos poucos, onde ficam rugas, essas linhas marcadas pela tensão. Agora já passou, você me diz calmo, sereno. Meu corpo vai deixando de ser atento, vai tomando novamente minha forma, vai voltando a ser e somente ser, o que não exige nenhuma prévia, ser não dispõe de planos pois ou se é ou não é. Sinto cada parte voltando para o lugar, cada palavra desgrudando de mim, como escamas de pele velha. É um alívio difícil esse pousar em si. Eu estou crua. As vezes dá um certo medo me ver despida, imaginando o que vão pensar de mim em tom cor-de-pele.
- Deixa eu me misturar em você, e eu deixo. A pele dele vermelho-sem-vergonha diz que gosta de mim, as mãos encontrando meu arrepio me dizem “eu só vou mais até ali” e a cada palavra, cada gesto dele, uma vontade quase inconsciente, na verdade urgente de dizer: "eu te amo", e não tem nada a ver com saber amar e sequer parece com qualquer “eu te amo” já dito no mundo. Sai da boca fazendo cócegas essas duas palavras pequenas, desconhecidas, como a lembrança de um rosto e o esquecimento do nome. Quanto mais distraída da minha nudez, mais nua eu fico e quanto mais nua, mais sensível ao toque e “eu te amo” é o riso da cócega mais incontrolável.
- O que você disse?
- Desculpe, é que eu senti em voz alta.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pé ante pé

Eu junto todas as sandálias num saco,
só quero os meus pés
na vontade de tocar o chão
esse chão,
aquele chão,
está tão longe o chão.
Acho que não vou mais andar,
eu vou sumir...
Dia desses fui embora
mas meu perfume ainda estava lá
E como faz?
Pra pisar firme
sem o chão que parece tão bom.
São só dois pés
antes eram quatro poeminhas,
hoje são só dois:
Bye, bye

sábado, 13 de novembro de 2010

Ser coisas tem dessas


Eu engulo a saliva como se fosse mar,  
eu quero esse mar,  
invento frases e frases  
afim de alcançar,  
quero te alcançar.  
Eu me sacudo  
cabelos e membros,  
entorno o copo  
só pra ver se não me lembro  
mas acordo amanhã cheia de pensamentos,  
a cabeça é pesada   
não esvazia,   
eu me quero vazia,  
me engulo e vomito todos os dias.

 
Ser tem dessas coisas.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Vitória


Primeiro eu aceitei o trato, depois tentei me familiarizar com a condição. Sim, porque só aceitamos algo quando enxergamos um resquício semelhante a nós ou aquilo com o qual convivemos.  
Meu nome nada tinha a ver com a prática, na minha vida passava longe os euforismos e braços erguidos gritando – Vitória! Conto nos dedos os episódio em que protagonizei cenas como essa. Sempre que escrevo meu nome tenho vontade de pôr no final um ponto de exclamação. Mas exclamar a que? O que? Quem é essa tal de Vitória que cultua derrotas “passeando” por opção entre suas tristezas? Essa Vitória sem ponto de exclamação, sou eu. Trinta e poucos anos para chegar aos quarenta e Vitória, ponto final. Onde já se viu me entupir de “estímulo feliz”? Me apresento a alguém e logo penso que eu tenho que vencer! Tenho que conseguir sair com esse cara e tenho que conseguir que ele me ligue, que se apaixone e que o sexo seja maravilhoso, tenho que conseguir o emprego, tenho que conseguir ganhar na mega-sena. Eu me obrigo a ter sentido entende? Mas quanto mais vou em busca de coerência mais me afasto de qualquer alcance...vitorioso. Penso nos meus pais todos os dias e ainda não consegui encontrar um motivo. Só sei que o meu nome é Vitória, apenas um vestido bonito que quiseram me dar. A verdade é que o nome pouco importa, pode ser eu ou você,

eu ou você.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Doente de saber


Estive amando e isso me ocupava. Me ocupava tanto que meu corpo parecia cansado, um cansaço físico que passou a me incomodar. As dores no corpo vinham como se tivesse levado uma surra, mas ninguém havia encostado em mim. Estive amando como quem quer e não como quem ama. Queria o olhar, queria a boca, queria o abraço, eu queria... não tive sucesso nos meus desejos. Canalizei todas as forças que eu tinha dentro do meu corpo pequeno e expulsei numa só direção, com toda a minha alma cálida, com todo o meu corpo doente da surra.
Esse meu corpo pequeno, com hematomas invisíveis, foi pedindo socorro de pouco em pouco, de lamento em lamento.Há quem diga que era “não saber o que queria”, mas o mal era justamente o contrário: sabia exatamente o que eu queria.