nossas pausas são humanas
nossas carnes
comestíveis
por asquerosas espécies das quais fugimos
como as vezes nos vulgarizamos,
ainda não entendo bem
mas sempre como um sonho
voltamos pra ele
graças a deus dormimos
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quinta-feira, 18 de julho de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Pedagogia sentimental
Já havia feito reparações quanto a um ou outro aspecto de seu próprio comportamento e a conduta dele foi digna dos olhos dela brilharem. E quando os olhos de uma moça brilham, é porque atingiu-se o auge do mais auto ponto de satisfação. Um gozo tal que não ocorre toda vez. As palavras do rapaz eram certas, dentre o vocabulário com tantas possibilidades de erro. A forma como se doa, terminando as frases com um sorriso e um olhar de homem que inebriam, deixando-a até tonta de seus sentidos enquanto mulher. Levando a um estado de deleite no qual ficam os dois, por minutos, completamente a parte do mundo.
Ela pensa sobre a disparidade do se tratar, a salvo antes de mais nada por um sentimento essencialmente bom para com o outro, que entre eles independe de seus piores defeitos. Mas ainda que os espaços para seu lado "escuro" agora sejam espremidos pela consciência adquirida e dela própria se condenar por deixar que escape, quando tudo se restabelece três vezes claro e evidente, as razões enfim retornam de seu planar, ela procura algum tipo de fuga, para que possa transformar em perpétuo o que se chama de momento. Deixar aqueles instantes bem quietos ali, sem perigo de estragar ou borrar nada. Pois em todas as vezes que a temível felicidade veio sutil ou não sutil, mas que a tenha respirado por longos instantes, procurar por algo que fosse o contrário, era a única forma que conhecia de não sufocar e de viver os minutos tão bonitos a que lhe foi proporcionado.
Ela anseia por uma inteligência mais sofisticada e não mais essa "exótica" forma de pensar e agir, tão deselegante as vezes. A fineza da inteligência lhe parece admirável. Foram muitos arranhões até que sua pretensão enfim tomasse conta de certas questões, antes equivocadas, como por exemplo sobre o controle para domar seu ímpeto. Pois só agora entende que não há problema nos sentidos, na sua tontura, nos medos ou na loucura, o que existe é a forma de lidar e essa é o que te leva a ter sucesso ou terminar saltando sem para-quedas em queda livre, uma atitude que não deixa de ser libertadora, porém um desastre. É possível que seus monstros sejam educados, sentem à mesa, comam de garfo e faca, peçam "desculpa", "licença" e "obrigada", sem ser preciso escondê-los, sem negar sua existência, até que deixem de ser monstros para ser liberdade. É o homem ensinando, mesmo sem saber que ensina, ela a ser mulher.
Ela pensa sobre a disparidade do se tratar, a salvo antes de mais nada por um sentimento essencialmente bom para com o outro, que entre eles independe de seus piores defeitos. Mas ainda que os espaços para seu lado "escuro" agora sejam espremidos pela consciência adquirida e dela própria se condenar por deixar que escape, quando tudo se restabelece três vezes claro e evidente, as razões enfim retornam de seu planar, ela procura algum tipo de fuga, para que possa transformar em perpétuo o que se chama de momento. Deixar aqueles instantes bem quietos ali, sem perigo de estragar ou borrar nada. Pois em todas as vezes que a temível felicidade veio sutil ou não sutil, mas que a tenha respirado por longos instantes, procurar por algo que fosse o contrário, era a única forma que conhecia de não sufocar e de viver os minutos tão bonitos a que lhe foi proporcionado.
Ela anseia por uma inteligência mais sofisticada e não mais essa "exótica" forma de pensar e agir, tão deselegante as vezes. A fineza da inteligência lhe parece admirável. Foram muitos arranhões até que sua pretensão enfim tomasse conta de certas questões, antes equivocadas, como por exemplo sobre o controle para domar seu ímpeto. Pois só agora entende que não há problema nos sentidos, na sua tontura, nos medos ou na loucura, o que existe é a forma de lidar e essa é o que te leva a ter sucesso ou terminar saltando sem para-quedas em queda livre, uma atitude que não deixa de ser libertadora, porém um desastre. É possível que seus monstros sejam educados, sentem à mesa, comam de garfo e faca, peçam "desculpa", "licença" e "obrigada", sem ser preciso escondê-los, sem negar sua existência, até que deixem de ser monstros para ser liberdade. É o homem ensinando, mesmo sem saber que ensina, ela a ser mulher.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
De Abril a Abril
A vida inteira
numa extensão de ar
do que não se vê
e como pode
agarra com a mão
come
bagunça os cabelos
é fluido
calado
agitado
viveria feliz só de vento
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Como se é, não tem meio nem fim, é história
Lá se vão caminhando os atores
em garagens
elevadores
longe
lugar que nem se encontra
quando vai
é laboratório
lá se vai
e está
ao lado
todos respirando
todos de verdade
lá se vai a minha atriz
fica o personagem
é uma separação tão triste que teve até enterro
"lá" de nunca mais
de sempre vai estar
e o que me resta se não ser de verdade
coração partido
sangrando
dentro dos olhos
lá dentro
esquece maria
é drama o que essa menina tem
nessa hora todos vão pra sala
todos com seu corpo
a que fazer rir
a que contar uma história de minas
há de ser
é
todos são
em garagens
elevadores
longe
lugar que nem se encontra
quando vai
é laboratório
lá se vai
e está
ao lado
todos respirando
todos de verdade
lá se vai a minha atriz
fica o personagem
é uma separação tão triste que teve até enterro
"lá" de nunca mais
de sempre vai estar
e o que me resta se não ser de verdade
coração partido
sangrando
dentro dos olhos
lá dentro
esquece maria
é drama o que essa menina tem
nessa hora todos vão pra sala
todos com seu corpo
a que fazer rir
a que contar uma história de minas
há de ser
é
todos são
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Entre bobagens e nem tão bobagens, bobagem
...fico pensando que você podia me contar mais da sua vida, a minha anda tão sem chance. Me dá a oportunidade de saber de você e assim a gente evita tanto tempo perdido com besteira inútil - pra mim é tão sério e irritante não saber como você viveu esses anos todos sem mim (um pouco de ego, mas acho que nem é o caso). A que estou dando importância? Enquanto eu piro você está com seus olhos atentos focados no minuto atual, em outras palavras, é um atento distraído, sem lembrar da última briga, me ligando e dizendo estar com saudades. Vou segurando todos os meu hormônios: o da loucura, do desejo, da paranóia ambulante, do "rever conversas", ansiedade, delírio e o da súbita tranquilidade ou "o hormônio zen", zen me importar com nada (nem com o mau gosto de um trocadilho, dane-se o trocadilho). Pontinhos de hormônios formando meu rosto, meu corpo inteiro com receio dessa vulnerabilidade que é um relacionamento.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Filha única (aos meus amores)
Faço jus.
Minha condição de única me faz enxergar o amor inteiro único. Me faz amar concentrado, exagerado, no estilo "eu posso até morrer de fome". Eu que não sei entender como se diz "eu te amo" de maneira múltipla e metamórfica, já bem disse alguns amares, jurei e dei até sorriso. Ainda assim é inútil, fico sem entender o múltiplo de amor, que na minha matemática vai do zero ao dois. Eu que já amei mais de uma vez, que tenho mais de um amor, não entendo como isso pode acontecer.
Meu amor é a existência ímpar, una. Se te amo é porque não há outro no mundo. E no bate e volta, natural é que me reconheça, que jamais responda a "qualquer um na rua beija-flor". É grave doutor? - É, agudo. Problema de não compreender nunca meus amores terem tido outros amores. Não entendo tempo, passado, nem momento, entendo de amor eterno – eu, que já botei ponto final em história. Reinvento tempo e sentido pra explicar a singularidade de amor, de amar várias vezes e apenas uma na vida. É que amo um de cada vez, mesmo que ao mesmo tempo. Amo como uma perfeita filha única, porque não conheço outra forma de ser. Apesar do mundo me considerar "mais uma", nunca me ame como mais uma, preciso ser amada como uma, pois sou ignorante de amor com S.
Minha condição de única me faz enxergar o amor inteiro único. Me faz amar concentrado, exagerado, no estilo "eu posso até morrer de fome". Eu que não sei entender como se diz "eu te amo" de maneira múltipla e metamórfica, já bem disse alguns amares, jurei e dei até sorriso. Ainda assim é inútil, fico sem entender o múltiplo de amor, que na minha matemática vai do zero ao dois. Eu que já amei mais de uma vez, que tenho mais de um amor, não entendo como isso pode acontecer.
Meu amor é a existência ímpar, una. Se te amo é porque não há outro no mundo. E no bate e volta, natural é que me reconheça, que jamais responda a "qualquer um na rua beija-flor". É grave doutor? - É, agudo. Problema de não compreender nunca meus amores terem tido outros amores. Não entendo tempo, passado, nem momento, entendo de amor eterno – eu, que já botei ponto final em história. Reinvento tempo e sentido pra explicar a singularidade de amor, de amar várias vezes e apenas uma na vida. É que amo um de cada vez, mesmo que ao mesmo tempo. Amo como uma perfeita filha única, porque não conheço outra forma de ser. Apesar do mundo me considerar "mais uma", nunca me ame como mais uma, preciso ser amada como uma, pois sou ignorante de amor com S.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Excitação da palavra
Era evidente a inquietação levando a apertar o braço alheio, resmungar qualquer coisa, pois "qualquer coisa" parece sempre um bom caminho quando encontra-se (se perde) nesse estado. Entre palpitações está uma dura certeza, doendo por não descobrir o nome, ardendo por pouco importar não ter um. Que respira em silêncio dentre o sócio-qualquer-coisa ou literalmente gritante quando num diálogo - como naqueles dias de solidão a dois, uma casa inteira em diálogo. Esse, que é tão perceptível, ligeiramente entendido. E depois a particular maneira de explicar com palavras e quando o lê me diz demorar para juntar os sentidos - não tem problema, diria amorosamente, é só um outro jeito de expressão, como uma foto.
É fácil demais vagar em exaltações que se afirmam na "falta". Mas falta do quê? Diria desnorteado, enquanto fuço todos os cantos. Falta é só um sintoma do que está sofrendo. Num ar frio por dentro, porque quente está, pouco importa explicação coerente pra quem está louco, doente, alucinado. Estar do frio ao fogo é coisa que a ciência não entenderia e a literatura, generosa, enfeita e faz respirar melhor. Porque essa coisa que borbulha e ao mesmo tempo paira como o vento, é o que de mais vivo existe no ser humano. Não finda ou tão somente é "eu te amo", é tudo passando ao mesmo tempo num tufão interior, que salta pra fora o, diria erótico:
eu quero você.
É fácil demais vagar em exaltações que se afirmam na "falta". Mas falta do quê? Diria desnorteado, enquanto fuço todos os cantos. Falta é só um sintoma do que está sofrendo. Num ar frio por dentro, porque quente está, pouco importa explicação coerente pra quem está louco, doente, alucinado. Estar do frio ao fogo é coisa que a ciência não entenderia e a literatura, generosa, enfeita e faz respirar melhor. Porque essa coisa que borbulha e ao mesmo tempo paira como o vento, é o que de mais vivo existe no ser humano. Não finda ou tão somente é "eu te amo", é tudo passando ao mesmo tempo num tufão interior, que salta pra fora o, diria erótico:
eu quero você.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Efeito Azul
enquanto solta a fumaça do cigarro
me engole
enquanto olho fixo
queimo
traga
dentro de mim
perco a noção
é um não sentir nada
e sentir tudo
que não quer que acabe
me engole
enquanto olho fixo
queimo
traga
dentro de mim
perco a noção
é um não sentir nada
e sentir tudo
que não quer que acabe
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Embriaguez
,ai de mim.
De repente estou calma, como quem cumpriu alguma coisa que fosse grave, dessas que se sente a vibração. Mas não sei de nada, tamanha a leveza quando se carrega o cumprimento da "coisa". O contraste de tudo, o vento , a rua, os passos. A ousadia de ser completa diante de tantas outras coisas que faltam. Ao mesmo tempo que se alcança um ápice, não qualquer, de um amadurecimento e testemunhar que nada passa do recém nascimento de uma escolha e portanto agir como quem começa do zero: desengonçada. A super-exigência que indica o absurdo da calma - se o amor é tão certo. O amor é tão certo. Quando não se bebe mais do gosto da arrogância e tudo é extremamente natural nas pontas desconhecidas de si mesmo e do outro. Como suportar o peso do "tudo" e do "nada"? Como? se a pelizinha da unha incomoda, o ponteiro faz "tic-tac", a conversa-ladainha é redundante. Redundante. Os dias da semana são cinco, meu rosto tem rugas de expressão de 24 anos e uma interrogação enorme, maior que uma metáfora, atingi o limite de todo o meu drama. Que começa na unha, que vai para o relógio, que... "tec-tec" do teclado. Eu não sei carregar o peso da calma, porque a realidade é tudo o que engole. Nunca estive tão serena e tão perdida.
De repente estou calma, como quem cumpriu alguma coisa que fosse grave, dessas que se sente a vibração. Mas não sei de nada, tamanha a leveza quando se carrega o cumprimento da "coisa". O contraste de tudo, o vento , a rua, os passos. A ousadia de ser completa diante de tantas outras coisas que faltam. Ao mesmo tempo que se alcança um ápice, não qualquer, de um amadurecimento e testemunhar que nada passa do recém nascimento de uma escolha e portanto agir como quem começa do zero: desengonçada. A super-exigência que indica o absurdo da calma - se o amor é tão certo. O amor é tão certo. Quando não se bebe mais do gosto da arrogância e tudo é extremamente natural nas pontas desconhecidas de si mesmo e do outro. Como suportar o peso do "tudo" e do "nada"? Como? se a pelizinha da unha incomoda, o ponteiro faz "tic-tac", a conversa-ladainha é redundante. Redundante. Os dias da semana são cinco, meu rosto tem rugas de expressão de 24 anos e uma interrogação enorme, maior que uma metáfora, atingi o limite de todo o meu drama. Que começa na unha, que vai para o relógio, que... "tec-tec" do teclado. Eu não sei carregar o peso da calma, porque a realidade é tudo o que engole. Nunca estive tão serena e tão perdida.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
1 dose de tudo
Me exige, com sua simplicidade, uma esfera maior de coisas boas, ridiculariza todos os meus monstros, mesmo que não seja esse o objetivo. Está nesse mundo como eu, me deixando assim muito confusa - Pois na posição de organizadora das coisas vejo ele lado a lado com a natureza e essa coisa de generosidade de quem é - que como tudo ao redor, transmutando e vivendo, se mostra com suas caras infinitas, suas facetas indiscretas (e toda a sua melhor imperfeição), de repente o suco nunca foi não uniforme. Que me dói a falha de comunicação, pois ainda insisto em fantasias de relação homem e mulher (enquanto você nu). Fazendo assim necessário, preciso, incontrolável, morder os lábios. Meu peito é qualquer coisa quando me perco por puro orgulho e pelos minutos que gasto pensando nas mil maneiras de dizer, colocar, arrumar, não sirvo pra mais nada. (Essa tal devoção de amar, indeclarável).Chego num certo ponto que não sei mais sobre o que estou dizendo. Os borrões, a disposição de tudo, desde a fala ao branco dos olhos. Não é só a ansiedade de graça que me vem, é essa minha mania, a overdose/abstinência de uma sintonia ordinária do que tem ao meu redor, que me consome o descontrole dos átomos.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Rascunho importante
Estou decidindo...estou decidindo...estou deci...
Sinto pelas horas que preciso, pre-ci-so, acertar as coisas na cabeça. Arrumar pra acreditar. Eu sinto muito por sua boca dizer coisas tão bonitas, suas mãos, com simplicidade, me ter, enquanto eu com dificuldades de assimilar. Sinto muito pelos sorrisos, pelas pidas, descontraídos. Por minha cabeça pirar com isso tudo e nem deixar pra depois, as vezes ali mesmo pensar numa coisa ruim, pra nos redimir dessa tal simplicidade de gostar um do outro. A propósito, sinto muito por gostar e imediatamente não saber o que fazer. Numa vida como essa, num a dois como nós e a perfeição que seria o presente mais merecido, me escapa. Eu sinto muito pelo descuido. E como sinto, pelas reticências em que me equilibro a dois anos e você bem no meio, antes, depois... Eu sinto muito por estar na roda viva, e portanto ser cruel, ingênua, perdida. Por me fugir, por fugir de você, por não deixar que seja esses meus trapinhos que eu adoro, enquanto você inesperadamente me olha, o cheiro no pescoço, as horas que não existem, podendo até confundir com pecado.
Eu sinto muito.
Sinto pelas horas que preciso, pre-ci-so, acertar as coisas na cabeça. Arrumar pra acreditar. Eu sinto muito por sua boca dizer coisas tão bonitas, suas mãos, com simplicidade, me ter, enquanto eu com dificuldades de assimilar. Sinto muito pelos sorrisos, pelas pidas, descontraídos. Por minha cabeça pirar com isso tudo e nem deixar pra depois, as vezes ali mesmo pensar numa coisa ruim, pra nos redimir dessa tal simplicidade de gostar um do outro. A propósito, sinto muito por gostar e imediatamente não saber o que fazer. Numa vida como essa, num a dois como nós e a perfeição que seria o presente mais merecido, me escapa. Eu sinto muito pelo descuido. E como sinto, pelas reticências em que me equilibro a dois anos e você bem no meio, antes, depois... Eu sinto muito por estar na roda viva, e portanto ser cruel, ingênua, perdida. Por me fugir, por fugir de você, por não deixar que seja esses meus trapinhos que eu adoro, enquanto você inesperadamente me olha, o cheiro no pescoço, as horas que não existem, podendo até confundir com pecado.
Eu sinto muito.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Sobre tom e sintonia ou "essas" coisas
Ali, a figura de homem se formando, grave, quase um conceito de pé na minha frente, em tom de: sou real, seco e úmido, como a natureza. Ele era um tapa na cara.
De início, não havia possibilidade de aceitar o tapa. Era aquele homem e minhas inconformações, velhas e ranzinzas; meros caprichos quando pensava olhando pra ele; o que era intrigante e novo, mas ainda intangíveis quando voltada para mim mesma - uma urgência de ter que saber o que e como fazer com as coisas. Em algumas situações soube fazer o que toda mulher faz, o que não com o mesmo esforço faz o homem e abstraia sem esforço, sem nem se deixar saber que o fazia. Não da mesma forma que se engole sapo, mas como quem come mosca desconhecendo o que engoliu.
Vivendo com a benevolência de um tal sentimento...uma bondade tão “boa” que é preciso muita inteligência. Eu, que sustentava confortável meus defeitos, vou tentando ser elegante diante da... felicidade?ranjo os dentes. Cordial comigo mesma. Mas como todo ser humano, nada mais natural que com o tempo ajudasse a encontrar e ostentar também os defeitos do outro, estranho é continuar achando ele "o cara mais lindo que já existiu".
Pago com a mesma moeda que todo mundo, minha ingenuidade. Me redimo sob a luz do sentido, as vezes prudência - tantas vezes sufocante. A prudência pela prudência seria o nem nascer de um amor, penso já na loucura. E as voltas de admitir, digo tantas coisas, descubro que o que existe entre eu e esse "cara", jamais vou pronunciar.
De início, não havia possibilidade de aceitar o tapa. Era aquele homem e minhas inconformações, velhas e ranzinzas; meros caprichos quando pensava olhando pra ele; o que era intrigante e novo, mas ainda intangíveis quando voltada para mim mesma - uma urgência de ter que saber o que e como fazer com as coisas. Em algumas situações soube fazer o que toda mulher faz, o que não com o mesmo esforço faz o homem e abstraia sem esforço, sem nem se deixar saber que o fazia. Não da mesma forma que se engole sapo, mas como quem come mosca desconhecendo o que engoliu.
Vivendo com a benevolência de um tal sentimento...uma bondade tão “boa” que é preciso muita inteligência. Eu, que sustentava confortável meus defeitos, vou tentando ser elegante diante da... felicidade?ranjo os dentes. Cordial comigo mesma. Mas como todo ser humano, nada mais natural que com o tempo ajudasse a encontrar e ostentar também os defeitos do outro, estranho é continuar achando ele "o cara mais lindo que já existiu".
Pago com a mesma moeda que todo mundo, minha ingenuidade. Me redimo sob a luz do sentido, as vezes prudência - tantas vezes sufocante. A prudência pela prudência seria o nem nascer de um amor, penso já na loucura. E as voltas de admitir, digo tantas coisas, descubro que o que existe entre eu e esse "cara", jamais vou pronunciar.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Calado
sobre tuas vias, nada a declarar
gritamos tanto
como é possível?
olho
louco
eu
silêncio de fundo do mar
porém não mais só
porém imenso
gritamos tanto
como é possível?
olho
louco
eu
silêncio de fundo do mar
porém não mais só
porém imenso
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Se vai vivendo e morrendo
Sabe que amanhã o horário é as 7, em ponto. Quantos cansaços extrapolam a conta do corpo, um rosto fora de beleza ou gasta. Ninguém vai entender, é preciso maquiar para que seja possível uma outra compreensão de mim. Estou as oito no trabalho, treinadamente caminhando para a minha mesa, vestindo um rosto compreensível, roupas compreensíveis, “bom dia” reconhecível.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Do verbo ser
que me dá tanto dessa tranquilidade
se enerva em desóbvio
amolece em estalos
nunca vou te contar
por onde vou nua nas ruas
em cada ponta do cabelo
quando percorro a avenida
quando atravesso os sinais
caminhando sem voz
somente o ar de “sou vento”
capaz do seu nome jamais gritar
pegar o “tão” e guardar
que é tarde
todo mundo já sabe
é uma mulher a andar
se enerva em desóbvio
amolece em estalos
nunca vou te contar
por onde vou nua nas ruas
em cada ponta do cabelo
quando percorro a avenida
quando atravesso os sinais
caminhando sem voz
somente o ar de “sou vento”
capaz do seu nome jamais gritar
pegar o “tão” e guardar
que é tarde
todo mundo já sabe
é uma mulher a andar
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Exageradamente simples
Sobre meu colo uma parte do corpo me deixando inteira borbulhante, em partículas tontas. Nesse momento já não são palavras e o peso leve, afundante. Eu tenho um medo enorme de te estragar mas não pare de se afundar sem aviso no meu pescoço, nunca.
Me preocupo com a nossa saúde, pois da minha parte rolam tempos que azedo, enquanto você só quer a paz, parece que carrega a segurança de um rei. Quando doce, acho isso tão lindo e certo quanto sei que essa “paz” é atordoadamente o que sempre desejei. Todas as coisas do mundo que sonhei concentradas em um único corpo, e com defeitos! O quão real é...(já disse, saber o que fazer com o punhado de felicidade na mão, alcançado, eu rio porque não faço a menor ideia. É tudo mentira que tenho resposta pra tudo, aliás também disso rio, não sei de onde tirou essa loucura).
Como faço com os ciclos que me afetam e eu no mundo saio fazendo estrago, louca, mulher, desvanecida? Mesmo que eu não saiba, até nessas horas estamos os dois muitos simples: “ele é um homem e eu sou apenas uma mulher”, é tudo só isso.
(das coisas que me diz Cazuza)
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Sobre você
Não tem pontas, início nem fim. Essa é a concepção mais próxima que se pode dar como explicação, e é mesmo desforme, totalmente desforme. Não tem e não gosta de porquês (ficando eu encarregada das compreensões por dedução), pois se me beija é por alguma coisa nos meus lábios, braços ou pescoço que o atraiu, sem percepção descritiva, como se fosse um animal e seu instinto apenas sendo.
Sem minhas palavras, que eu possa enfeitar uma frase e assim dizer mais do que para alguém mas para mim, sobre o que é isso que eu chamo também de “você”, como se “você” tivesse hoje se transformado em uma única e exclusiva identidade, em todos os “vocês” concentrados em apenas você. E a imagem oscila entre os tempos, seus tempos, tudo num instante agora, dentro de um liquidificador despretensioso mas corajoso com experiências. Assume antecipadamente qualquer tempo e rugas, para nunca alcançarem seus segredos, que talvez nem ele mesmo saiba.
No meu caso, o equívoco ou palavra que se arrume desesperada para “vestir”, são fáceis para presas como eu, ao invés de simplesmente respirar. Procuro sentido na boca dele que me diz em outras palavras, como em línguas afiadas, culinária ou silêncios.
Sem minhas palavras, que eu possa enfeitar uma frase e assim dizer mais do que para alguém mas para mim, sobre o que é isso que eu chamo também de “você”, como se “você” tivesse hoje se transformado em uma única e exclusiva identidade, em todos os “vocês” concentrados em apenas você. E a imagem oscila entre os tempos, seus tempos, tudo num instante agora, dentro de um liquidificador despretensioso mas corajoso com experiências. Assume antecipadamente qualquer tempo e rugas, para nunca alcançarem seus segredos, que talvez nem ele mesmo saiba.
No meu caso, o equívoco ou palavra que se arrume desesperada para “vestir”, são fáceis para presas como eu, ao invés de simplesmente respirar. Procuro sentido na boca dele que me diz em outras palavras, como em línguas afiadas, culinária ou silêncios.
sábado, 21 de abril de 2012
Lógica
Então vamos falar do turvo. Não. É sobre o bem claro e escuro temperamento. Você admite? Mas é claro, mas não em palavras. Veja bem, sou muito sensível ao que destoa do cheiro e cor do meu mundinho. E você tem total culpa, preenchida pelo descuido quanto a percepção - talvez ela necessite ser apurada. A gente tem preguiça, graças a deus nos permitimos poupar. A gente tem que ter coragem, encha o peito ou faça por puro gosto ao próximo - Não sei se é isso que chamam de equilíbrio, acho que pode ser. E gostar de alguém significa, espante-se, gostar do mundo dela e sobretudo, anote, fazer carinho no mundo dela. Esse gostar é simples, não no sentido de simples, mas é simples: compreende-se porque se gosta, e é bem simples a lógica porque é espontâneo. O esforço também vale como compreensão mas o contrário disso não vale de nada e o ideal mesmo é descartar. Como quem descarta uma objeto, como quem acaricia um pedaço de papel com as palavras dele.
não tem
não tem
terça-feira, 17 de abril de 2012
Desenho de um monstro
Rio, 17 de abril de 2012.
Você,
Tamanho medo que dá de sentir que alcança em mim uma parte que nem eu sabia, sobretudo por não conhecer. Não é o fato de ter alguém, é o fato de ter você. Também não é uma questão de medo exatamente ou talvez seja de um medo bom, como cócegas numa parte sensível de mim, (as vezes torturante).
Mas eu insisto comigo mesma (tenho manina de achar) que a parte "sombria" da vida é mais real e custo a acreditar que coisas boas assim existem. Por isso, me conhecendo e receando sobre as coisas boas, gostaria de controlar a dose certa, manter minhas próprias rédeas, numa cautela que julgo boa para minha própria saúde, me assegurando das tendências naturais, do exagero, impulsividade e outras características de quando gosto de alguém. Mas sentir ainda não é o tipo de coisa que consigo controlar (nesse caso, por sorte?). Afim de concluir algo mais racional e menos emocional, me engano que, em tal circunstância, a segurança de uma lógica ainda fosse possível e fico sem nada ou (apenas) com tudo. Até que me deparo inevitavelmente com"x" da questão, que é o que verdadeiramente importa entre duas pessoas: o que se sente pelo outro, que em mim se afirma no desejo que sinto de você. Isso foge a mim, volta, como consciência indiscreta, foge e volta, num movimento transgressor. E não tem a ver com romantismo, ou talvez tenha um pouco, mas mais ainda com uma realidade escancarada onde muitas vezes se apresenta a mim, numa agradável surpresa de uma lembrança "banal" do dia a dia, por exemplo. Que entre olhares, encontros e "eu ter você", vice e versa, existe uma coisa que eu chamaria de “manusear com os olhos”, num ato que eu poderia afirmar ser tão sensual quanto singelo visto daqui.
Diante de tudo, como marca indiscutível, me afeta em muitas áreas do sentir, fazendo tempestade; seja em metáforas ou com as próprias mãos, mas tudo com uma certa beleza que não posso negar que você me inspira. Contudo, tenho em mim a necessidade de esgotar as coisas, incluindo sentimentos, até agora, que me deparei com outro tipo de inspiração: que ao mesmo tempo se esvai e não quer que acabe. A isso, tenho chamado de amor e de fato amado, experimentado, indiscutivelmente vivido. Portanto, não posso concluir essa carta, para me manter, na medida do possível em certa coerência. Posto que tenho como característica mais forte que eu o esgotamento das minhas questões, uma excessão se destaca, muito mais fora do meu controle. Não vou me empenhar em achar um final para essa carta, pois não tenho pretensão em exaurir o assunto senão desfrutar do que é e vier.
Você,
Tamanho medo que dá de sentir que alcança em mim uma parte que nem eu sabia, sobretudo por não conhecer. Não é o fato de ter alguém, é o fato de ter você. Também não é uma questão de medo exatamente ou talvez seja de um medo bom, como cócegas numa parte sensível de mim, (as vezes torturante).
Mas eu insisto comigo mesma (tenho manina de achar) que a parte "sombria" da vida é mais real e custo a acreditar que coisas boas assim existem. Por isso, me conhecendo e receando sobre as coisas boas, gostaria de controlar a dose certa, manter minhas próprias rédeas, numa cautela que julgo boa para minha própria saúde, me assegurando das tendências naturais, do exagero, impulsividade e outras características de quando gosto de alguém. Mas sentir ainda não é o tipo de coisa que consigo controlar (nesse caso, por sorte?). Afim de concluir algo mais racional e menos emocional, me engano que, em tal circunstância, a segurança de uma lógica ainda fosse possível e fico sem nada ou (apenas) com tudo. Até que me deparo inevitavelmente com"x" da questão, que é o que verdadeiramente importa entre duas pessoas: o que se sente pelo outro, que em mim se afirma no desejo que sinto de você. Isso foge a mim, volta, como consciência indiscreta, foge e volta, num movimento transgressor. E não tem a ver com romantismo, ou talvez tenha um pouco, mas mais ainda com uma realidade escancarada onde muitas vezes se apresenta a mim, numa agradável surpresa de uma lembrança "banal" do dia a dia, por exemplo. Que entre olhares, encontros e "eu ter você", vice e versa, existe uma coisa que eu chamaria de “manusear com os olhos”, num ato que eu poderia afirmar ser tão sensual quanto singelo visto daqui.
Diante de tudo, como marca indiscutível, me afeta em muitas áreas do sentir, fazendo tempestade; seja em metáforas ou com as próprias mãos, mas tudo com uma certa beleza que não posso negar que você me inspira. Contudo, tenho em mim a necessidade de esgotar as coisas, incluindo sentimentos, até agora, que me deparei com outro tipo de inspiração: que ao mesmo tempo se esvai e não quer que acabe. A isso, tenho chamado de amor e de fato amado, experimentado, indiscutivelmente vivido. Portanto, não posso concluir essa carta, para me manter, na medida do possível em certa coerência. Posto que tenho como característica mais forte que eu o esgotamento das minhas questões, uma excessão se destaca, muito mais fora do meu controle. Não vou me empenhar em achar um final para essa carta, pois não tenho pretensão em exaurir o assunto senão desfrutar do que é e vier.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Dentro do dentro
Nunca tinha encarado a "beleza" de frente.
Parece batida lenta de música
e que depois mais forte, e cada vez mais forte, mais forte...
- Por favor me destrua!
Lembrando da esfinge, grito dentro.
São delírios,
tão certos e decisivos quanto os olhos,
- como tem coragem de me olhar assim? Como pode?
Eu não tenho outra alternativa senão te amar.
De repente,
sem essa noção de tempo,
é só a única coisa que sou.
O mundo não existe e eu cara a cara com “tudo”.
E no gozo de todas as horas,
banalizo.
Como quem pisca rápido os olhos
e sacode a cabeça de uma vertigem
(mas eu sei o que eu vi).
Escutando First Song For B - Devendra Banhart
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