Já havia feito reparações quanto a um ou outro aspecto de seu próprio comportamento e a conduta dele foi digna dos olhos dela brilharem. E quando os olhos de uma moça brilham, é porque atingiu-se o auge do mais auto ponto de satisfação. Um gozo tal que não ocorre toda vez. As palavras do rapaz eram certas, dentre o vocabulário com tantas possibilidades de erro. A forma como se doa, terminando as frases com um sorriso e um olhar de homem que inebriam, deixando-a até tonta de seus sentidos enquanto mulher. Levando a um estado de deleite no qual ficam os dois, por minutos, completamente a parte do mundo.
Ela pensa sobre a disparidade do se tratar, a salvo antes de mais nada por um sentimento essencialmente bom para com o outro, que entre eles independe de seus piores defeitos. Mas ainda que os espaços para seu lado "escuro" agora sejam espremidos pela consciência adquirida e dela própria se condenar por deixar que escape, quando tudo se restabelece três vezes claro e evidente, as razões enfim retornam de seu planar, ela procura algum tipo de fuga, para que possa transformar em perpétuo o que se chama de momento. Deixar aqueles instantes bem quietos ali, sem perigo de estragar ou borrar nada. Pois em todas as vezes que a temível felicidade veio sutil ou não sutil, mas que a tenha respirado por longos instantes, procurar por algo que fosse o contrário, era a única forma que conhecia de não sufocar e de viver os minutos tão bonitos a que lhe foi proporcionado.
Ela anseia por uma inteligência mais sofisticada e não mais essa "exótica" forma de pensar e agir, tão deselegante as vezes. A fineza da inteligência lhe parece admirável. Foram muitos arranhões até que sua pretensão enfim tomasse conta de certas questões, antes equivocadas, como por exemplo sobre o controle para domar seu ímpeto. Pois só agora entende que não há problema nos sentidos, na sua tontura, nos medos ou na loucura, o que existe é a forma de lidar e essa é o que te leva a ter sucesso ou terminar saltando sem para-quedas em queda livre, uma atitude que não deixa de ser libertadora, porém um desastre. É possível que seus monstros sejam educados, sentem à mesa, comam de garfo e faca, peçam "desculpa", "licença" e "obrigada", sem ser preciso escondê-los, sem negar sua existência, até que deixem de ser monstros para ser liberdade. É o homem ensinando, mesmo sem saber que ensina, ela a ser mulher.
Mostrando postagens com marcador Textos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Textos. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 3 de maio de 2013
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Dor de iniciante
Não me sinto inteligente nesse ponto. Talvez em outro. Não sei dizer qual. Mas me veio a cabeça umas coisas que, parada com cara de pensativa, me pareceu uma revelação importante, dessas que pessoas inteligentes devem ter com freqüência, mais intensa do que a minha ralentada percepção do mundo ou “meu mundo”.
É quase fisiológica a maneira de pensar, digo na minha humilde e rara “revelação”. O pensamento é como o trajeto do sangue no corpo, um caminho acostumado que faz uma fenda, essas vias chamadas de veias. Sempre passando por aquele mesmo lugar, cada vez mais marcado, viciado. Acho que é isso que dizem, que o ser humano só usa dez por cento do cérebro e disso eu posso falar. Como agora, ao ter essa, "iluminação", que na verdade não passa de alguns minutos com cara de paisagem olhando pro nada, pensei no quanto não vejo, não entendo, não dou atenção, em quantas coisas devo ignorar a existência e portanto fazer inexistentes noventa por cento delas, simplesmente. Quantas vezes devo sofrer por invenções minhas, egoísmos vestidos de verdade, verdades vestidas com peças únicas e exclusivas. Sofro, (e essa parte é preferível que quem esteja lendo interprete como mera invenção de texto fictício), de ciúme, de inconformidade, irritação e ansiedade. E ando desconfiando que em quase todas as vezes isso tenha causa mentirosa, dessas de auto-sabotagem, culpa de um pensamento vicioso. É tentador pensar pelo mesmo caminho que se está acostumado, pelas veias dos defeitos e medos, por isso me parece que tem um fundo de verdade minha teoria, que eu esteja mesmo sofrendo por conta de uma nebulosa nascida e criada por mim mesma, sou mãe da minha própria confusão. E como toda mãe, em algum momento teria que me sentir culpada, pensar “onde foi que eu errei?”. Apesar de ser (e estar) propensa a enlouquecer, me ocorre aceitar essa dose forte de consciência e finalmente ficar tranqüila, não dramatizar ou me esgotar em mil palavras, apenas sorrir, correr pra bem longe largar tudo chorar doer...de novo os dez por cento.
A vida me dá fatos e eu rapidamente, ainda que sem eles, agarro minhas interpretações, ah essa minha euforia a frente de qualquer outra coisa que venha a ter. Não perco nenhuma viagem, não dispenso nenhum dos meus pensamentos ou me agarro na minha zona de conforto digamos do mesmo jeito que me sinto segura na minha cama cheirosa e gostosa, porque eu tô no mundo pela primeira vez e tudo é último.
Ritmo: Fake Plastic Trees - Radiohead
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Entre bobagens e nem tão bobagens, bobagem
...fico pensando que você podia me contar mais da sua vida, a minha anda tão sem chance. Me dá a oportunidade de saber de você e assim a gente evita tanto tempo perdido com besteira inútil - pra mim é tão sério e irritante não saber como você viveu esses anos todos sem mim (um pouco de ego, mas acho que nem é o caso). A que estou dando importância? Enquanto eu piro você está com seus olhos atentos focados no minuto atual, em outras palavras, é um atento distraído, sem lembrar da última briga, me ligando e dizendo estar com saudades. Vou segurando todos os meu hormônios: o da loucura, do desejo, da paranóia ambulante, do "rever conversas", ansiedade, delírio e o da súbita tranquilidade ou "o hormônio zen", zen me importar com nada (nem com o mau gosto de um trocadilho, dane-se o trocadilho). Pontinhos de hormônios formando meu rosto, meu corpo inteiro com receio dessa vulnerabilidade que é um relacionamento.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Ensaio geral
"o mundo me expulsou para o próprio mundo" CL
Tento arregalar os o olhos. Mais um pouco...o que mexe mais com meu ponto de prazer com a vida? As tentativas não são nada mais do que a imprecisão quanto a o que fazer da vida. Eu tento sustentar meus ideais mas eles esbarram com a grande, alerta e dura, vida. Tento apenas respirar mas já não há tempo para a paz. Tento estar ao lado de pessoas que gosto mas...todos na mesma, como baratas tontas também tentando entender a própria tontura. Sobra pouco espaço pra sentir que existe e que isso te pertence pois na maioria das horas existir é apenas um fluxo. Curioso é fazer parte disso e me incomodar. Então desponto em raivas e calmas repentinas, me alegro e demoro a aceitar aquilo que é bom sem me pedir nada em troca - mesmo sendo o amor a coisa que mais acredito valer a pena. As vezes me firo propositalmente, as vezes o faço com quem eu jamais...puro descuido de quem "está tentando entender", o que não se redime por justificativa.
(Me acalmo, vigilante, em dizer dentro de mim que a gente se olha como quem se vê e se entende como entre dois sexos diferentes porém ambos regidos por marte, elemento fogo, arianos convictos.)
O "fluxo" tem me dado a ideia de ter que me fazer peça moldada para essa engrenagem, enquanto eu só quero viver. Na angústia, suplico: livrai-me de toda a artificialidade gratuita, de toda a conclusão barata, de toda a mão que fecha a porta, entretanto, de todo o ingênuo ingresso, que me faz boba de mim mesma. Me ajuda a (poder) viver.
Tento arregalar os o olhos. Mais um pouco...o que mexe mais com meu ponto de prazer com a vida? As tentativas não são nada mais do que a imprecisão quanto a o que fazer da vida. Eu tento sustentar meus ideais mas eles esbarram com a grande, alerta e dura, vida. Tento apenas respirar mas já não há tempo para a paz. Tento estar ao lado de pessoas que gosto mas...todos na mesma, como baratas tontas também tentando entender a própria tontura. Sobra pouco espaço pra sentir que existe e que isso te pertence pois na maioria das horas existir é apenas um fluxo. Curioso é fazer parte disso e me incomodar. Então desponto em raivas e calmas repentinas, me alegro e demoro a aceitar aquilo que é bom sem me pedir nada em troca - mesmo sendo o amor a coisa que mais acredito valer a pena. As vezes me firo propositalmente, as vezes o faço com quem eu jamais...puro descuido de quem "está tentando entender", o que não se redime por justificativa.
(Me acalmo, vigilante, em dizer dentro de mim que a gente se olha como quem se vê e se entende como entre dois sexos diferentes porém ambos regidos por marte, elemento fogo, arianos convictos.)
O "fluxo" tem me dado a ideia de ter que me fazer peça moldada para essa engrenagem, enquanto eu só quero viver. Na angústia, suplico: livrai-me de toda a artificialidade gratuita, de toda a conclusão barata, de toda a mão que fecha a porta, entretanto, de todo o ingênuo ingresso, que me faz boba de mim mesma. Me ajuda a (poder) viver.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Tudo sob controle
Por vezes transbordo, passo da conta de mim, ou simplesmente deixo que meus anseios vivam sem limites. A verdade é que sou péssima com organização. Organizadora das minhas coisas, de mim, do que eu quero e do que passo a deixar de querer, sou totalmente sem jeito. E quando tento, é de modo tão precário, dó de mim.
Procuro ter força, me esforço na humilde malandragem, tento me
adivinhar e o mundo, falho de novo. É que tenho muitas partes ingenuas
em mim, sobretudo quanto a o que fazer da vida, só me resta viver com as
minhas armas, minhas "descobertas" tão ingenuas quanto as minhas
não-descobertas.
No fim das contas resta essa preguicinha (que não é bem preguiça),
essa tranquilidade de ver as coisas da rede, porque no fundo, tudo em
mim parte desse ponto de vista. Eu só simplesmente não sei até que ponto
é boa a ansiedade que tenho antes mesmo de me preocupar com a minha
saúde, com o que ela me causa ou a despreocupação de ir levando tudo
numa boa. Mas é pra rede que sempre volto depois de ficar tentando ser gente
grande. Nem de todas as arestas a gente consegue tomar conta, mesmo que sejam as próprias arestas.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Excitação da palavra
Era evidente a inquietação levando a apertar o braço alheio, resmungar qualquer coisa, pois "qualquer coisa" parece sempre um bom caminho quando encontra-se (se perde) nesse estado. Entre palpitações está uma dura certeza, doendo por não descobrir o nome, ardendo por pouco importar não ter um. Que respira em silêncio dentre o sócio-qualquer-coisa ou literalmente gritante quando num diálogo - como naqueles dias de solidão a dois, uma casa inteira em diálogo. Esse, que é tão perceptível, ligeiramente entendido. E depois a particular maneira de explicar com palavras e quando o lê me diz demorar para juntar os sentidos - não tem problema, diria amorosamente, é só um outro jeito de expressão, como uma foto.
É fácil demais vagar em exaltações que se afirmam na "falta". Mas falta do quê? Diria desnorteado, enquanto fuço todos os cantos. Falta é só um sintoma do que está sofrendo. Num ar frio por dentro, porque quente está, pouco importa explicação coerente pra quem está louco, doente, alucinado. Estar do frio ao fogo é coisa que a ciência não entenderia e a literatura, generosa, enfeita e faz respirar melhor. Porque essa coisa que borbulha e ao mesmo tempo paira como o vento, é o que de mais vivo existe no ser humano. Não finda ou tão somente é "eu te amo", é tudo passando ao mesmo tempo num tufão interior, que salta pra fora o, diria erótico:
eu quero você.
É fácil demais vagar em exaltações que se afirmam na "falta". Mas falta do quê? Diria desnorteado, enquanto fuço todos os cantos. Falta é só um sintoma do que está sofrendo. Num ar frio por dentro, porque quente está, pouco importa explicação coerente pra quem está louco, doente, alucinado. Estar do frio ao fogo é coisa que a ciência não entenderia e a literatura, generosa, enfeita e faz respirar melhor. Porque essa coisa que borbulha e ao mesmo tempo paira como o vento, é o que de mais vivo existe no ser humano. Não finda ou tão somente é "eu te amo", é tudo passando ao mesmo tempo num tufão interior, que salta pra fora o, diria erótico:
eu quero você.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Daqui
Tenho tecido os momentos e aberto bem os olhos, expandindo o quanto melhor der pra ver. É assim que ultimamente tenho amado e doído, sem depender uma coisa da outra. O que tem me revelado. Na verdade tudo se revela nesse sagrado sim ao que vier. E veio. Vem.
A partir de então ela pôde assistir a quebra de preceitos, a ridicularização de si mesma, a concretização do seu rosto e todas as expressões, ela passou a ver quase tudo. Já nem lembrava como isso começou, era atropelada por mais um muro que desabava na sua frente - muro de concreto. Acontecia muito. Chegou ao ponto que clamava que parasse de ver a sua vida, tão maciça, de querer sair de onde está e ir para o campo. Tudo verde, o cheiro de terra, os cavalos e pessoas com aparência de tranquilidade, fora de perigo. Esquecia que sua vida viria com ela, que os olhos continuariam bem abertos e que até o campo poderia desabar na sua frente. E as vezes vertia em lágrimas que não esgotavam. Na lista das piores coisas, que se recria sempre, está a incapacidade de, no choro, não se esgotar.Tudo o que ela passou a querer era que se esgotasse, em palavras, em socos, em coisas que ela jamais diria e que achava ridículo. Esgotar um pouco amando, esgotar um pouco mais odiando e assim se esvair, até se acabar, até achar o final disso e querer começar de novo, é claro. Dispensar o dom de enxergar pois a claridade doía os olhos.
Eu vejo os que tem cadeira cativa e sorridentes moram nela, sofro só de pensar que se eu não fizer "alguma coisa", também possa ter uma cadeira para sempre minha. Não quero cadeiras nem salas de jantar com pessoas ocupadas em nascer e morrer. A vida é isso? As vezes penso tristemente que é. Tudo uma grande bobagem. A mais séria tolice que é o trabalho do que fazer com você mesma no mundo. Não é sobre o que vê do olho pra fora, é (sempre) sobre o que o dentro vê sentindo.
A partir de então ela pôde assistir a quebra de preceitos, a ridicularização de si mesma, a concretização do seu rosto e todas as expressões, ela passou a ver quase tudo. Já nem lembrava como isso começou, era atropelada por mais um muro que desabava na sua frente - muro de concreto. Acontecia muito. Chegou ao ponto que clamava que parasse de ver a sua vida, tão maciça, de querer sair de onde está e ir para o campo. Tudo verde, o cheiro de terra, os cavalos e pessoas com aparência de tranquilidade, fora de perigo. Esquecia que sua vida viria com ela, que os olhos continuariam bem abertos e que até o campo poderia desabar na sua frente. E as vezes vertia em lágrimas que não esgotavam. Na lista das piores coisas, que se recria sempre, está a incapacidade de, no choro, não se esgotar.Tudo o que ela passou a querer era que se esgotasse, em palavras, em socos, em coisas que ela jamais diria e que achava ridículo. Esgotar um pouco amando, esgotar um pouco mais odiando e assim se esvair, até se acabar, até achar o final disso e querer começar de novo, é claro. Dispensar o dom de enxergar pois a claridade doía os olhos.
Eu vejo os que tem cadeira cativa e sorridentes moram nela, sofro só de pensar que se eu não fizer "alguma coisa", também possa ter uma cadeira para sempre minha. Não quero cadeiras nem salas de jantar com pessoas ocupadas em nascer e morrer. A vida é isso? As vezes penso tristemente que é. Tudo uma grande bobagem. A mais séria tolice que é o trabalho do que fazer com você mesma no mundo. Não é sobre o que vê do olho pra fora, é (sempre) sobre o que o dentro vê sentindo.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Embriaguez
,ai de mim.
De repente estou calma, como quem cumpriu alguma coisa que fosse grave, dessas que se sente a vibração. Mas não sei de nada, tamanha a leveza quando se carrega o cumprimento da "coisa". O contraste de tudo, o vento , a rua, os passos. A ousadia de ser completa diante de tantas outras coisas que faltam. Ao mesmo tempo que se alcança um ápice, não qualquer, de um amadurecimento e testemunhar que nada passa do recém nascimento de uma escolha e portanto agir como quem começa do zero: desengonçada. A super-exigência que indica o absurdo da calma - se o amor é tão certo. O amor é tão certo. Quando não se bebe mais do gosto da arrogância e tudo é extremamente natural nas pontas desconhecidas de si mesmo e do outro. Como suportar o peso do "tudo" e do "nada"? Como? se a pelizinha da unha incomoda, o ponteiro faz "tic-tac", a conversa-ladainha é redundante. Redundante. Os dias da semana são cinco, meu rosto tem rugas de expressão de 24 anos e uma interrogação enorme, maior que uma metáfora, atingi o limite de todo o meu drama. Que começa na unha, que vai para o relógio, que... "tec-tec" do teclado. Eu não sei carregar o peso da calma, porque a realidade é tudo o que engole. Nunca estive tão serena e tão perdida.
De repente estou calma, como quem cumpriu alguma coisa que fosse grave, dessas que se sente a vibração. Mas não sei de nada, tamanha a leveza quando se carrega o cumprimento da "coisa". O contraste de tudo, o vento , a rua, os passos. A ousadia de ser completa diante de tantas outras coisas que faltam. Ao mesmo tempo que se alcança um ápice, não qualquer, de um amadurecimento e testemunhar que nada passa do recém nascimento de uma escolha e portanto agir como quem começa do zero: desengonçada. A super-exigência que indica o absurdo da calma - se o amor é tão certo. O amor é tão certo. Quando não se bebe mais do gosto da arrogância e tudo é extremamente natural nas pontas desconhecidas de si mesmo e do outro. Como suportar o peso do "tudo" e do "nada"? Como? se a pelizinha da unha incomoda, o ponteiro faz "tic-tac", a conversa-ladainha é redundante. Redundante. Os dias da semana são cinco, meu rosto tem rugas de expressão de 24 anos e uma interrogação enorme, maior que uma metáfora, atingi o limite de todo o meu drama. Que começa na unha, que vai para o relógio, que... "tec-tec" do teclado. Eu não sei carregar o peso da calma, porque a realidade é tudo o que engole. Nunca estive tão serena e tão perdida.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
1 dose de tudo
Me exige, com sua simplicidade, uma esfera maior de coisas boas, ridiculariza todos os meus monstros, mesmo que não seja esse o objetivo. Está nesse mundo como eu, me deixando assim muito confusa - Pois na posição de organizadora das coisas vejo ele lado a lado com a natureza e essa coisa de generosidade de quem é - que como tudo ao redor, transmutando e vivendo, se mostra com suas caras infinitas, suas facetas indiscretas (e toda a sua melhor imperfeição), de repente o suco nunca foi não uniforme. Que me dói a falha de comunicação, pois ainda insisto em fantasias de relação homem e mulher (enquanto você nu). Fazendo assim necessário, preciso, incontrolável, morder os lábios. Meu peito é qualquer coisa quando me perco por puro orgulho e pelos minutos que gasto pensando nas mil maneiras de dizer, colocar, arrumar, não sirvo pra mais nada. (Essa tal devoção de amar, indeclarável).Chego num certo ponto que não sei mais sobre o que estou dizendo. Os borrões, a disposição de tudo, desde a fala ao branco dos olhos. Não é só a ansiedade de graça que me vem, é essa minha mania, a overdose/abstinência de uma sintonia ordinária do que tem ao meu redor, que me consome o descontrole dos átomos.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Rascunho importante
Estou decidindo...estou decidindo...estou deci...
Sinto pelas horas que preciso, pre-ci-so, acertar as coisas na cabeça. Arrumar pra acreditar. Eu sinto muito por sua boca dizer coisas tão bonitas, suas mãos, com simplicidade, me ter, enquanto eu com dificuldades de assimilar. Sinto muito pelos sorrisos, pelas pidas, descontraídos. Por minha cabeça pirar com isso tudo e nem deixar pra depois, as vezes ali mesmo pensar numa coisa ruim, pra nos redimir dessa tal simplicidade de gostar um do outro. A propósito, sinto muito por gostar e imediatamente não saber o que fazer. Numa vida como essa, num a dois como nós e a perfeição que seria o presente mais merecido, me escapa. Eu sinto muito pelo descuido. E como sinto, pelas reticências em que me equilibro a dois anos e você bem no meio, antes, depois... Eu sinto muito por estar na roda viva, e portanto ser cruel, ingênua, perdida. Por me fugir, por fugir de você, por não deixar que seja esses meus trapinhos que eu adoro, enquanto você inesperadamente me olha, o cheiro no pescoço, as horas que não existem, podendo até confundir com pecado.
Eu sinto muito.
Sinto pelas horas que preciso, pre-ci-so, acertar as coisas na cabeça. Arrumar pra acreditar. Eu sinto muito por sua boca dizer coisas tão bonitas, suas mãos, com simplicidade, me ter, enquanto eu com dificuldades de assimilar. Sinto muito pelos sorrisos, pelas pidas, descontraídos. Por minha cabeça pirar com isso tudo e nem deixar pra depois, as vezes ali mesmo pensar numa coisa ruim, pra nos redimir dessa tal simplicidade de gostar um do outro. A propósito, sinto muito por gostar e imediatamente não saber o que fazer. Numa vida como essa, num a dois como nós e a perfeição que seria o presente mais merecido, me escapa. Eu sinto muito pelo descuido. E como sinto, pelas reticências em que me equilibro a dois anos e você bem no meio, antes, depois... Eu sinto muito por estar na roda viva, e portanto ser cruel, ingênua, perdida. Por me fugir, por fugir de você, por não deixar que seja esses meus trapinhos que eu adoro, enquanto você inesperadamente me olha, o cheiro no pescoço, as horas que não existem, podendo até confundir com pecado.
Eu sinto muito.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Tolice nossa, nos dai hoje
E se eu for hippie por um tempo, o suficiente pra eu voltar pra realidade continuar com a minha conta no banco, os finais de festa com roupa linda fedorenta a “fins”. Se eu ficasse deitada nesse sofá maravilhoso, caísse nas nuvens e doesse? o chão duro, frio! Se olhar pra frente fosse como faço agora, olhar, olhar sem fim nem foco – ah que maravilha... é tão gostoso estar de pijamas, não fazer nada algumas horas, ficar de roupa muito bem planejada com o dia e o lugar, algumas horas (bato o martelo em vão). E se talvez eu controlasse o tempo, transcorrendo, dividindo, escolhendo, até esquecer o forno ligado - a minha cara.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Sobre tom e sintonia ou "essas" coisas
Ali, a figura de homem se formando, grave, quase um conceito de pé na minha frente, em tom de: sou real, seco e úmido, como a natureza. Ele era um tapa na cara.
De início, não havia possibilidade de aceitar o tapa. Era aquele homem e minhas inconformações, velhas e ranzinzas; meros caprichos quando pensava olhando pra ele; o que era intrigante e novo, mas ainda intangíveis quando voltada para mim mesma - uma urgência de ter que saber o que e como fazer com as coisas. Em algumas situações soube fazer o que toda mulher faz, o que não com o mesmo esforço faz o homem e abstraia sem esforço, sem nem se deixar saber que o fazia. Não da mesma forma que se engole sapo, mas como quem come mosca desconhecendo o que engoliu.
Vivendo com a benevolência de um tal sentimento...uma bondade tão “boa” que é preciso muita inteligência. Eu, que sustentava confortável meus defeitos, vou tentando ser elegante diante da... felicidade?ranjo os dentes. Cordial comigo mesma. Mas como todo ser humano, nada mais natural que com o tempo ajudasse a encontrar e ostentar também os defeitos do outro, estranho é continuar achando ele "o cara mais lindo que já existiu".
Pago com a mesma moeda que todo mundo, minha ingenuidade. Me redimo sob a luz do sentido, as vezes prudência - tantas vezes sufocante. A prudência pela prudência seria o nem nascer de um amor, penso já na loucura. E as voltas de admitir, digo tantas coisas, descubro que o que existe entre eu e esse "cara", jamais vou pronunciar.
De início, não havia possibilidade de aceitar o tapa. Era aquele homem e minhas inconformações, velhas e ranzinzas; meros caprichos quando pensava olhando pra ele; o que era intrigante e novo, mas ainda intangíveis quando voltada para mim mesma - uma urgência de ter que saber o que e como fazer com as coisas. Em algumas situações soube fazer o que toda mulher faz, o que não com o mesmo esforço faz o homem e abstraia sem esforço, sem nem se deixar saber que o fazia. Não da mesma forma que se engole sapo, mas como quem come mosca desconhecendo o que engoliu.
Vivendo com a benevolência de um tal sentimento...uma bondade tão “boa” que é preciso muita inteligência. Eu, que sustentava confortável meus defeitos, vou tentando ser elegante diante da... felicidade?ranjo os dentes. Cordial comigo mesma. Mas como todo ser humano, nada mais natural que com o tempo ajudasse a encontrar e ostentar também os defeitos do outro, estranho é continuar achando ele "o cara mais lindo que já existiu".
Pago com a mesma moeda que todo mundo, minha ingenuidade. Me redimo sob a luz do sentido, as vezes prudência - tantas vezes sufocante. A prudência pela prudência seria o nem nascer de um amor, penso já na loucura. E as voltas de admitir, digo tantas coisas, descubro que o que existe entre eu e esse "cara", jamais vou pronunciar.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Se vai vivendo e morrendo
Sabe que amanhã o horário é as 7, em ponto. Quantos cansaços extrapolam a conta do corpo, um rosto fora de beleza ou gasta. Ninguém vai entender, é preciso maquiar para que seja possível uma outra compreensão de mim. Estou as oito no trabalho, treinadamente caminhando para a minha mesa, vestindo um rosto compreensível, roupas compreensíveis, “bom dia” reconhecível.
sábado, 16 de junho de 2012
Me belisca
Ou uma lista de mudanças a serem tomadas ou qualquer coisa que se deva para uma vida melhor. Dessa forma. Antes fossem opções, o que parece é que são grandes rochas, tantas, todas, imponentes. É só olhar a rua, o Rio de Janeiro, um desespero sorridente, de boca treinada. Não tem estopim, do tudo ao nada; o vácuo de viver sem algo que...não é um estado de inércia e, por si só, não gera empenho para explicar, pois aqui está tudo cristalino e cristalizado. Se tivesse cor seria branco, se fosse alguém, não existiria. Ficam então as opções, inteiras e intactas, as palavras "é isso e ponto". Surge como um dos devaneios mais certos de uma vida? De repente tudo é tão conclusivo que mata. O que chega é rapidamente compactado por ideias acumuladas, antigas, conceitos longinquamente construídos ao suor de quem muito já acreditou. Não tem mais aquele prazer que é sofrer por falta de respostas. O prazer tortuoso, arder por não querer as coisas ou foguear por ardentemente querer. Há somente o esforço viciado do óbvio. Vivendo agora em reza. Nem simples nem complicado, irônico.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Exageradamente simples
Sobre meu colo uma parte do corpo me deixando inteira borbulhante, em partículas tontas. Nesse momento já não são palavras e o peso leve, afundante. Eu tenho um medo enorme de te estragar mas não pare de se afundar sem aviso no meu pescoço, nunca.
Me preocupo com a nossa saúde, pois da minha parte rolam tempos que azedo, enquanto você só quer a paz, parece que carrega a segurança de um rei. Quando doce, acho isso tão lindo e certo quanto sei que essa “paz” é atordoadamente o que sempre desejei. Todas as coisas do mundo que sonhei concentradas em um único corpo, e com defeitos! O quão real é...(já disse, saber o que fazer com o punhado de felicidade na mão, alcançado, eu rio porque não faço a menor ideia. É tudo mentira que tenho resposta pra tudo, aliás também disso rio, não sei de onde tirou essa loucura).
Como faço com os ciclos que me afetam e eu no mundo saio fazendo estrago, louca, mulher, desvanecida? Mesmo que eu não saiba, até nessas horas estamos os dois muitos simples: “ele é um homem e eu sou apenas uma mulher”, é tudo só isso.
(das coisas que me diz Cazuza)
segunda-feira, 14 de maio de 2012
E agora, Maria?
Não sou boa em saber o que fazer das coisas, ou pelo menos não ando sendo. E na atual circunstância, me dou o direito do exagero, principalmente com cansaços, pois já me basta o esgotamento, que seja ao menos o maior do mundo. Mas isso está longe de uma atitude ou de ser uma sábia maneira de lidar. Misturo brilhantemente racionalidade com o emocional, onde o sucesso se apresenta no: nada resolvido. Era tão melhor quando eu pensava toda inconformada "que merda que não fui a woodstock" e essas inconformações eram muito minhas, sem nenhuma consciência, sobretudo. O que aconteceu com minhas roupas que agora são: vai esfriar mais tarde, melhor ir de calça? o abominável jeans? todos os dias. Lembro que antes as coisas tinham o peso do desejo, puro e único e era isso o que eu fazia, carregava aquilo que suportava, mesmo que achasse que não, no fundo eu sabia que aguentava. Hoje elas tem outro peso, e a dificuldade de carregá-las me faz até esquecer o que e para onde carrego, quando vou ver já está tudo ali me dizendo "hum, e aí?" esperando uma definição minha ou uma direção, só que eu nada.
Não são ações de "sim" ou "não", mas saber o que fazer é uma certeza de escolha que não precisa de falas nem discursos, a não ser por veemência: sabe-se, faz-se. Então percebo minha falta de algo que é crucial, que do contrário é assim que a gente fica e assim tenho ficado: do desespero ao pânico ao cansaço. Sinto por não cumprir alguma coisa que nem sei. Que eu tinha a obrigação de estar completa e falta ainda uma parte considerável, além de alguns contornos sem direção definida. Fica difícil admitir isso tudo de mim mesma, o rumo que só posso perguntar "que rumo?" e responder imediatamente, "como você não sabe?!". Dura comigo, sou frágil e me afeta minha consciêcia. Não é questão de exigência, é que sou eu, é comigo o negócio. Fora os momentos de rigorosa reflexão, a gente respira, caminha, come, dorme, acorda e depois tudo outra vez, sem a menor ideia do que fazer das coisas, enquanto todo mundo tem certeza que você está viva.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Sobre você
Não tem pontas, início nem fim. Essa é a concepção mais próxima que se pode dar como explicação, e é mesmo desforme, totalmente desforme. Não tem e não gosta de porquês (ficando eu encarregada das compreensões por dedução), pois se me beija é por alguma coisa nos meus lábios, braços ou pescoço que o atraiu, sem percepção descritiva, como se fosse um animal e seu instinto apenas sendo.
Sem minhas palavras, que eu possa enfeitar uma frase e assim dizer mais do que para alguém mas para mim, sobre o que é isso que eu chamo também de “você”, como se “você” tivesse hoje se transformado em uma única e exclusiva identidade, em todos os “vocês” concentrados em apenas você. E a imagem oscila entre os tempos, seus tempos, tudo num instante agora, dentro de um liquidificador despretensioso mas corajoso com experiências. Assume antecipadamente qualquer tempo e rugas, para nunca alcançarem seus segredos, que talvez nem ele mesmo saiba.
No meu caso, o equívoco ou palavra que se arrume desesperada para “vestir”, são fáceis para presas como eu, ao invés de simplesmente respirar. Procuro sentido na boca dele que me diz em outras palavras, como em línguas afiadas, culinária ou silêncios.
Sem minhas palavras, que eu possa enfeitar uma frase e assim dizer mais do que para alguém mas para mim, sobre o que é isso que eu chamo também de “você”, como se “você” tivesse hoje se transformado em uma única e exclusiva identidade, em todos os “vocês” concentrados em apenas você. E a imagem oscila entre os tempos, seus tempos, tudo num instante agora, dentro de um liquidificador despretensioso mas corajoso com experiências. Assume antecipadamente qualquer tempo e rugas, para nunca alcançarem seus segredos, que talvez nem ele mesmo saiba.
No meu caso, o equívoco ou palavra que se arrume desesperada para “vestir”, são fáceis para presas como eu, ao invés de simplesmente respirar. Procuro sentido na boca dele que me diz em outras palavras, como em línguas afiadas, culinária ou silêncios.
sábado, 21 de abril de 2012
Lógica
Então vamos falar do turvo. Não. É sobre o bem claro e escuro temperamento. Você admite? Mas é claro, mas não em palavras. Veja bem, sou muito sensível ao que destoa do cheiro e cor do meu mundinho. E você tem total culpa, preenchida pelo descuido quanto a percepção - talvez ela necessite ser apurada. A gente tem preguiça, graças a deus nos permitimos poupar. A gente tem que ter coragem, encha o peito ou faça por puro gosto ao próximo - Não sei se é isso que chamam de equilíbrio, acho que pode ser. E gostar de alguém significa, espante-se, gostar do mundo dela e sobretudo, anote, fazer carinho no mundo dela. Esse gostar é simples, não no sentido de simples, mas é simples: compreende-se porque se gosta, e é bem simples a lógica porque é espontâneo. O esforço também vale como compreensão mas o contrário disso não vale de nada e o ideal mesmo é descartar. Como quem descarta uma objeto, como quem acaricia um pedaço de papel com as palavras dele.
não tem
não tem
terça-feira, 17 de abril de 2012
Desenho de um monstro
Rio, 17 de abril de 2012.
Você,
Tamanho medo que dá de sentir que alcança em mim uma parte que nem eu sabia, sobretudo por não conhecer. Não é o fato de ter alguém, é o fato de ter você. Também não é uma questão de medo exatamente ou talvez seja de um medo bom, como cócegas numa parte sensível de mim, (as vezes torturante).
Mas eu insisto comigo mesma (tenho manina de achar) que a parte "sombria" da vida é mais real e custo a acreditar que coisas boas assim existem. Por isso, me conhecendo e receando sobre as coisas boas, gostaria de controlar a dose certa, manter minhas próprias rédeas, numa cautela que julgo boa para minha própria saúde, me assegurando das tendências naturais, do exagero, impulsividade e outras características de quando gosto de alguém. Mas sentir ainda não é o tipo de coisa que consigo controlar (nesse caso, por sorte?). Afim de concluir algo mais racional e menos emocional, me engano que, em tal circunstância, a segurança de uma lógica ainda fosse possível e fico sem nada ou (apenas) com tudo. Até que me deparo inevitavelmente com"x" da questão, que é o que verdadeiramente importa entre duas pessoas: o que se sente pelo outro, que em mim se afirma no desejo que sinto de você. Isso foge a mim, volta, como consciência indiscreta, foge e volta, num movimento transgressor. E não tem a ver com romantismo, ou talvez tenha um pouco, mas mais ainda com uma realidade escancarada onde muitas vezes se apresenta a mim, numa agradável surpresa de uma lembrança "banal" do dia a dia, por exemplo. Que entre olhares, encontros e "eu ter você", vice e versa, existe uma coisa que eu chamaria de “manusear com os olhos”, num ato que eu poderia afirmar ser tão sensual quanto singelo visto daqui.
Diante de tudo, como marca indiscutível, me afeta em muitas áreas do sentir, fazendo tempestade; seja em metáforas ou com as próprias mãos, mas tudo com uma certa beleza que não posso negar que você me inspira. Contudo, tenho em mim a necessidade de esgotar as coisas, incluindo sentimentos, até agora, que me deparei com outro tipo de inspiração: que ao mesmo tempo se esvai e não quer que acabe. A isso, tenho chamado de amor e de fato amado, experimentado, indiscutivelmente vivido. Portanto, não posso concluir essa carta, para me manter, na medida do possível em certa coerência. Posto que tenho como característica mais forte que eu o esgotamento das minhas questões, uma excessão se destaca, muito mais fora do meu controle. Não vou me empenhar em achar um final para essa carta, pois não tenho pretensão em exaurir o assunto senão desfrutar do que é e vier.
Você,
Tamanho medo que dá de sentir que alcança em mim uma parte que nem eu sabia, sobretudo por não conhecer. Não é o fato de ter alguém, é o fato de ter você. Também não é uma questão de medo exatamente ou talvez seja de um medo bom, como cócegas numa parte sensível de mim, (as vezes torturante).
Mas eu insisto comigo mesma (tenho manina de achar) que a parte "sombria" da vida é mais real e custo a acreditar que coisas boas assim existem. Por isso, me conhecendo e receando sobre as coisas boas, gostaria de controlar a dose certa, manter minhas próprias rédeas, numa cautela que julgo boa para minha própria saúde, me assegurando das tendências naturais, do exagero, impulsividade e outras características de quando gosto de alguém. Mas sentir ainda não é o tipo de coisa que consigo controlar (nesse caso, por sorte?). Afim de concluir algo mais racional e menos emocional, me engano que, em tal circunstância, a segurança de uma lógica ainda fosse possível e fico sem nada ou (apenas) com tudo. Até que me deparo inevitavelmente com"x" da questão, que é o que verdadeiramente importa entre duas pessoas: o que se sente pelo outro, que em mim se afirma no desejo que sinto de você. Isso foge a mim, volta, como consciência indiscreta, foge e volta, num movimento transgressor. E não tem a ver com romantismo, ou talvez tenha um pouco, mas mais ainda com uma realidade escancarada onde muitas vezes se apresenta a mim, numa agradável surpresa de uma lembrança "banal" do dia a dia, por exemplo. Que entre olhares, encontros e "eu ter você", vice e versa, existe uma coisa que eu chamaria de “manusear com os olhos”, num ato que eu poderia afirmar ser tão sensual quanto singelo visto daqui.
Diante de tudo, como marca indiscutível, me afeta em muitas áreas do sentir, fazendo tempestade; seja em metáforas ou com as próprias mãos, mas tudo com uma certa beleza que não posso negar que você me inspira. Contudo, tenho em mim a necessidade de esgotar as coisas, incluindo sentimentos, até agora, que me deparei com outro tipo de inspiração: que ao mesmo tempo se esvai e não quer que acabe. A isso, tenho chamado de amor e de fato amado, experimentado, indiscutivelmente vivido. Portanto, não posso concluir essa carta, para me manter, na medida do possível em certa coerência. Posto que tenho como característica mais forte que eu o esgotamento das minhas questões, uma excessão se destaca, muito mais fora do meu controle. Não vou me empenhar em achar um final para essa carta, pois não tenho pretensão em exaurir o assunto senão desfrutar do que é e vier.
segunda-feira, 26 de março de 2012
No mundo dos estranhos só tem seres humanos
Estranho cuidado de ser, justamente porque “ser” não é para si. Então somos estranhos, bobos, burros, querendo alcançar uma coerência entre o que acredita e o que quer que o outro veja – porque sempre se quer.
- Ei, isso que você está vendo de mim é algo inconscientemente, cuidadosamente o que eu sou pra você e é de coração! Até que o primeiro desentendimento, óbvio, desnorteia. Então já decidi, não vou ser porra nenhuma e nem quero que sejam pra mim. Acho a maior prova de amor: não ser nada.
Assinar:
Postagens (Atom)





