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segunda-feira, 29 de abril de 2013

A hora do mundo

Estou nessa imobilidade,
tudo bem

as vezes se está aqui,
ali

não estou me sentindo incomodado
respiro muito bem

com todas as coisas que sei e que me esperam
o mundo me esperar não tem feito mal nenhum

Hoje, não sei porque
me sentei no mundo e não com o mundo

tendo aceito
a condição

e se por acaso chorar
será por ser uma pessoa

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Como se é, não tem meio nem fim, é história

Lá se vão caminhando os atores
em garagens
elevadores
longe
lugar que nem se encontra
quando vai
é laboratório
lá se vai
e está
ao lado
todos respirando
todos de verdade
lá se vai a minha atriz
fica o personagem
é uma separação tão triste que teve até enterro
"lá" de nunca mais
de sempre vai estar
e o que me resta se não ser de verdade
coração partido
sangrando
dentro dos olhos
lá dentro
esquece maria
é drama o que essa menina tem
nessa hora todos vão pra sala
todos com seu corpo
a que fazer rir
a que contar uma história de minas
há de ser
é
todos são

segunda-feira, 11 de março de 2013

Incorrigível

Os dias foram só dias, enquanto o resultado deles em mim um marco, me fazendo chorar pelo desamparo que é não vir a tê-los mais. Resta saber, se tão desimportante me era, qual das partes tocou, as pequenas horas que me tiveram inteira, atenta? e então resolver as questões quanto a emotividade causada por esse fim que como todos me acaba um pouco. Aqui jaz sensível,

com o que mais vier e sempre. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Dor de iniciante


Não me sinto inteligente nesse ponto. Talvez em outro. Não sei dizer qual. Mas me veio a cabeça umas coisas que, parada com cara de pensativa, me pareceu uma revelação importante, dessas que pessoas inteligentes devem ter com freqüência, mais intensa do que a minha ralentada percepção do mundo ou “meu mundo”.
É quase fisiológica a maneira de pensar, digo na minha humilde e rara “revelação”. O pensamento é como o trajeto do sangue no corpo, um caminho acostumado que faz uma fenda, essas vias chamadas de veias. Sempre passando por aquele mesmo lugar, cada vez mais marcado, viciado. Acho que é isso que dizem, que o ser humano só usa dez por cento do cérebro e disso eu posso falar. Como agora, ao ter essa, "iluminação", que na verdade não passa de alguns minutos com cara de paisagem olhando pro nada, pensei no quanto não vejo, não entendo, não dou atenção, em quantas coisas devo ignorar a existência e portanto fazer inexistentes noventa por cento delas, simplesmente. Quantas vezes devo sofrer por invenções minhas, egoísmos vestidos de verdade, verdades vestidas com peças únicas e exclusivas. Sofro, (e essa parte é preferível que quem esteja lendo interprete como mera invenção de texto fictício), de ciúme, de inconformidade, irritação e ansiedade. E ando desconfiando que em quase todas as vezes isso tenha causa mentirosa, dessas de auto-sabotagem, culpa de um pensamento vicioso. É tentador pensar pelo mesmo caminho que se está acostumado, pelas veias dos defeitos e medos, por isso me parece que tem um fundo de verdade minha teoria, que eu esteja mesmo sofrendo por conta de uma nebulosa nascida e criada por mim mesma, sou mãe da minha própria confusão. E como toda mãe, em algum momento teria que me sentir culpada, pensar “onde foi que eu errei?”. Apesar de ser (e estar) propensa a enlouquecer, me ocorre aceitar essa dose forte de consciência e finalmente ficar tranqüila, não dramatizar ou me esgotar em mil palavras, apenas sorrir, correr pra bem longe largar tudo chorar doer...de novo os dez por cento.
A vida me dá fatos e eu rapidamente, ainda que sem eles, agarro minhas interpretações, ah essa minha euforia a frente de qualquer outra coisa que venha a ter. Não perco nenhuma viagem, não dispenso nenhum dos meus pensamentos ou me agarro na minha zona de conforto digamos do mesmo jeito que me sinto segura na minha cama cheirosa e gostosa, porque eu tô no mundo pela primeira vez e tudo é último.


Ritmo: Fake Plastic Trees - Radiohead


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Paipilas auditivas


Meu silêncio que percorre ruas
Que esbarra em alguma coisa sempre
Se desmantela em burburinhos
Se desestabiliza e se arrepende
Meu silêncio tem um amor fiel ao som
Anda por aí, ouve música
Ele é tão silêncio
Tão meu
que eu juro
Inteiramente
Que são meus olhos
Que nele vomito ou guardo
Se resguarda e segue clichê
Meu silêncio é o que eu escuto
É, talvez, o que de mais expressivo eu tenha
Meu silêncio são meus cinco sentidos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Daqui

Tenho tecido os momentos e aberto bem os olhos, expandindo o quanto melhor der pra ver. É assim que ultimamente tenho amado e doído, sem depender uma coisa da outra. O que tem me revelado. Na verdade tudo se revela nesse sagrado sim ao que vier. E veio. Vem.

A partir de então ela pôde assistir a quebra de preceitos, a ridicularização de si mesma, a concretização do seu rosto e todas as expressões, ela passou a ver quase tudo. Já nem lembrava como isso começou, era atropelada por mais um muro que desabava na sua frente - muro de concreto. Acontecia muito. Chegou ao ponto que clamava que parasse de ver a sua vida, tão maciça, de querer sair de onde está e ir para o campo. Tudo verde, o cheiro de terra, os cavalos e pessoas com aparência de tranquilidade, fora de perigo. Esquecia que sua vida viria com ela, que os olhos continuariam bem abertos e que até o campo poderia desabar na sua frente. E as vezes vertia em lágrimas que não esgotavam. Na lista das piores coisas, que se recria sempre, está a incapacidade de, no choro, não se esgotar.Tudo o que ela passou a querer era que se esgotasse, em palavras, em socos, em coisas que ela jamais diria e que achava ridículo. Esgotar um pouco amando, esgotar um pouco mais odiando e assim se esvair, até se acabar, até achar o final disso e querer começar de novo, é claro. Dispensar o dom de enxergar pois a claridade doía os olhos.

Eu vejo os que tem cadeira cativa e sorridentes moram nela, sofro só de pensar que se eu não fizer "alguma coisa", também possa ter uma cadeira para sempre minha. Não quero cadeiras nem salas de jantar com pessoas ocupadas em nascer e morrer. A vida é isso? As vezes penso tristemente que é. Tudo uma grande bobagem. A mais séria tolice que é o trabalho do que fazer com você mesma no mundo. Não é sobre o que vê do olho pra fora, é (sempre) sobre o que o dentro vê sentindo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

E agora, Maria?


 Não sou boa em saber o que fazer das coisas, ou pelo menos não ando sendo. E na atual circunstância, me dou o direito do exagero, principalmente com cansaços, pois já me basta o esgotamento, que seja ao menos o maior do mundo. Mas isso está longe de uma atitude ou de ser uma sábia maneira de lidar. Misturo brilhantemente racionalidade com o emocional, onde o sucesso se apresenta no: nada resolvido. Era tão melhor quando eu pensava toda inconformada "que merda que não fui a woodstock" e essas inconformações eram muito minhas, sem nenhuma consciência, sobretudo. O que aconteceu com minhas roupas que agora são: vai esfriar mais tarde, melhor ir de calça? o abominável jeans? todos os dias. Lembro que antes as coisas tinham o peso do desejo, puro e único e era isso o que eu fazia, carregava aquilo que suportava, mesmo que achasse que não, no fundo eu sabia que aguentava. Hoje elas tem outro peso, e a dificuldade de carregá-las me faz até esquecer o que e para onde carrego, quando vou ver já está tudo ali me dizendo "hum, e aí?" esperando uma definição minha ou uma direção, só que eu nada.
Não são ações de "sim" ou "não", mas saber o que fazer é uma certeza de escolha que não precisa de falas nem discursos, a não ser por veemência: sabe-se, faz-se. Então percebo minha falta de algo que é crucial, que do contrário é assim que a gente fica e assim tenho ficado: do desespero ao pânico ao cansaço. Sinto por não cumprir alguma coisa que nem sei. Que eu tinha a obrigação de estar completa e falta ainda uma parte considerável, além de alguns contornos sem direção definida. Fica difícil admitir isso tudo de mim mesma, o rumo que só posso perguntar "que rumo?" e responder imediatamente, "como você não sabe?!". Dura comigo, sou frágil e me afeta minha consciêcia. Não é questão de exigência, é que sou eu, é comigo o negócio. Fora os momentos de rigorosa reflexão, a gente respira, caminha, come, dorme, acorda e depois tudo outra vez, sem a menor ideia do que fazer das coisas, enquanto todo mundo tem certeza que você está viva.

segunda-feira, 26 de março de 2012

No mundo dos estranhos só tem seres humanos


Estranho cuidado de ser, justamente porque “ser” não é para si. Então somos estranhos, bobos, burros, querendo alcançar uma coerência entre o que acredita e o que quer que o outro veja – porque sempre se quer.
- Ei, isso que você está vendo de mim é algo inconscientemente, cuidadosamente o que eu sou pra você e é de coração! Até que o primeiro desentendimento, óbvio, desnorteia. Então já decidi, não vou ser porra nenhuma e nem quero que sejam pra mim. Acho a maior prova de amor: não ser nada.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O clímax de um cansaço

...é que tem tanto mundo dentro de mim que estou "estragada". Mas isso não é o pior, mais grave é estar pensando por essas vias tão "humanas": querer uma salvação pra cada problema, amar e doer na mesma linha, entre tantas outras convenções do mundo desesperado, do qual se faz parte em via de mão dupla, onde muitas vezes o maior benefício recebido é cansar-se para manter-se vivo.
Apesar de tudo nessa vida ser um pouco (ou somente) elaboração, falo de um "corte" na pele que existe, sangra e dói. Falo por concepção própria, tão funda quanto a ferida que arde. O que chama-se "profundo" no mundo dos homens que já nem lembram mais por que estão dizendo mas falam com propriedade antiga, soltando a torto clichês que fogem, por exemplo, da profundidade apenas “física” da questão. Como é difícil digerir o estado tal de consciência, que é uma viagem sem fim: essa bestial maneira de viver por vezes, que também é vida, esse sacrifício sorridente do dia a dia; nele também corre sangue, essa espera interminável, sufoca, porém, ainda é vida; justamente por se afirmar através da dificuldade de respirar. Acontece que isso tudo me incomoda demais. Não pelo desconforto em si, mas principalmente por ser obrigada a aceitar que tudo isso, sim, também é vida!

(Não esquecer de quando trocar de bolsa pegar o cartão do banco, ver o saldo, trabalhar e esquecer da conta que com certeza ainda não foi depositado o dinheiro...)

domingo, 13 de novembro de 2011

Sertão de mim


Estou num estado em que já nasci sabendo o nome das cores, quando na verdade cada uma delas me foram ditas até que eu as aprendesse: céu, maçã, com ou sem gosto, brancas ou pretas.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Deixa sentir

Deixa chegar
e ela franze a testa
deixa chegar
e ela assume as próprias sobrancelhas,
(de um jeito que devia doer).
Deixa sentir
e aí já era demais,
ela sucumbiu ao medo
de já estar sentindo tudo

terça-feira, 19 de julho de 2011

A raiva que dá e passa (?)


É como se seus joelhos doessem e você não pudesse mexê-los, a dor incomoda e você sem controle. Tem vezes que a sensação é de ultrapassar a si mesma, como se o carro e a paisagem fossem a mesma coisa: você, dentro dele, tantas coisas passando e seus olhos vendo a velocidade, a velocidade que as mãos não agarram. Eu posso rasgar sua roupa, eu posso gritar mudo, surdo, eu posso até mentir que vai continuar sendo verdade. O meu rosto vermelho, a minha garganta engasgada, incrivelmente, minha boca sem comunicação. Me ultrapasso e não chego a lugar algum.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A prece consciente


Amarrotadas coisas que percorreram os minutos daquelas horas. Que sejam belas as coisas que transladaram esse “agora” e movimentaram em mim a força de um tempo desconhecido, o que se vive, o que está sendo, o que virá a ser. O meu tamanho, que não impediu abrigar marcas, que o meu tamanho seja a casa e o lugar. Que possam morar nos meus olhos sem fazer transbordar, que possam se alimentar de minha boca: ouvidos e dentes; e línguas. O meu passado, que qualquer dele esteja acomodado em seu devido lugar , nas casas antigas, que sou eu na minha linha do tempo. Que eu saiba beber a dose certa de bom e ruim. Que o meu rumo seja guiado pela minha embriaguez, lúcida como a escolha de ver a olhos nus ou com os óculos que me destes. Que eu me reconheça quando esbarrar em mim. Mas o que quer que seja, que o amor contemple, e faça dos perigos do desespero de viver, a paz.

sábado, 13 de novembro de 2010

Ser coisas tem dessas


Eu engulo a saliva como se fosse mar,  
eu quero esse mar,  
invento frases e frases  
afim de alcançar,  
quero te alcançar.  
Eu me sacudo  
cabelos e membros,  
entorno o copo  
só pra ver se não me lembro  
mas acordo amanhã cheia de pensamentos,  
a cabeça é pesada   
não esvazia,   
eu me quero vazia,  
me engulo e vomito todos os dias.

 
Ser tem dessas coisas.

domingo, 17 de outubro de 2010

Encontro dos distraíados ou O desencontro


A urgência é uma sirene tocando, insistindo aos ouvidos e te denuncia cada vez que você puxa o ar e picota a entrada dele no seu peito, fazendo mini-respirações em pequenos espaços de tempo aos quais submetemos a nossa energia. Urgente, “não há tempo a perder” e quanto mais se faz dessa ideia um lema, mais perde-se tempo. Sua vida passa a ser dividida em minutos, a urgência transforma o sentimento em uma bomba relógio que sempre explode, sempre renasce das cinzas. Uma dose alta de adrenalina que nos faz voar e cair em segundos, mas o pior de tudo é pensar quem é o condutor da história. Você, que se esconde atrás de si mesmo, que forja acidentes, que premedita cada passo e cada ferida e que chora sem surpresa dos seus finais.  
Olha-se tanto para a vida que quase não se enxerga ela, tudo vira um borrão na velocidade do veículo. A urgência não permite distração, ela seria o erro fatal. E quem somos nós quando não estamos distraídos? Olhos esbugalhados, inchados, ocupados em sofrer adiantado só para não sofrer atrasado – que diferença faz? Quem está atento não se surpreende nem se assusta, isso é virtude dos distraídos.  
Foi na distração que eu me apaixonei por um rosto que estava sempre na minha frente e eu não via. Foi por ter me perdido de mim que eu encontrei você. Tão assustada, ainda busquei urgentemente me reorganizar, me encontrar, e notei que você sumia da minha visão, lento e disforme. Mesmo mergulhada na minha urgência burra, o coração, que é o órgão menos atento do corpo, se desconcentra e se perde e eu te amava sem saber. A adrenalina viciante do “aqui e agora” virou vício e me consumia os dias, me fazia fragmentos de mim. Quis tanto comer o tempo que ele me comeu: os olhos tensos; a boca que cuspia teorias fajutas; os braços perdidos sem o abraço; o tempo me comeu para que eu morresse e renascesse nua – afinal é como se nasce: sem nada. A vida não é um encontro marcado.


Você foi o meu melhor desencontro.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Análise de um culpado


Escher – Auto-retrato
Tenho chorado entre pausas e compassos estranhos. Tenho querido a rapidez e por isso picotado o sofrimento, acelerado o inacelerável tempo d’alma. Tenho me impedido de chegar até a ponta da pedra só porque de lá eu veria tudo amplo e doeria nos olhos a claridade. Entre uma pausa e outra, reacendo a ilusão como quem bebe num pote vazio e engole o ar com sede. Tenho ansiado pela salvação, entregando o coração aos leões, sucumbindo por derrame de sangue pois a salvação é diferente da cura. A salvação nos permite lembranças já a cura é a vontade do esquecimento. Assim, tenho me colocado cara a cara com o perigo, cutucado e arrebentado feridas que por natureza secariam, mas eu tenho querido o “para sempre” e por isso tenho amolecido as cascas, tenho buscado a dor para ter o prazer doloroso que é sentir-se viva no tempo, o mesmo que insiste em se renovar sob a minha negação. Tenho ralentado as palavras, me apegado a lembranças soltas que me vem no mais puro sadomasoquismo de mim. Tenho formado montes de cartas na sala, todas inacabadas e curtas. Cartas unifraseadas, eu única de mim. Tenho querido a eternidade dentro dessa mortalidade que se chama viver. Tenho insistido na mesma posição do corpo e com isso adormecido o presente. Tenho sido mais o breu de meus olhos fechados do que a visão real por onde se esbarra.


Viver é sobreviver a si mesmo.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Eu só sei viver



Nós nascemos com vida e morremos sem ela, por isso eu tenho medo da morte. Eu só sei viver, eu não sei morrer! Mas as vezes a gente morre de dia e nem percebe.
Tenho vivido atenta, sempre conferindo a presença de ar no meu peito. A morte não é uma escolha, se fosse, toda vez que prendêssemos a respiração morreríamos. Suspiro muitas vezes pois viver cansa mas ainda assim o que sei fazer e portanto é a minha escolha, viver, viver, viver. Vivo tanto que as vezes morro no meio do caminho.
O ser humano é mais frágil do que se imagina. Morre-se por viver demais e por colocarmos a nossa conta em risco toda vez que se quer pagar pra ver. Morre-se num cruzamento de ruas congestionadas, morre-se à luz do dia ou no silêncio da noite, morre-se afogado em uma lágrima, morre-se muito de dores no peito, por um aperto cruel que pressiona todos os sentimentos como fossem espremidos, morre-se. Morre-se toda vez que se vive.


Acho que estou aprendendo morrer.

sábado, 29 de maio de 2010

Escute

Estou aqui tentando amarrar as palavras de modo que elas pareçam um texto. Puxa daqui, acentua de lá, mas elas insistem em prosa virar.
Meus dedos em comando,
percorrem as ruas do papel
quase fazendo virar poesia,
na verdade acomentedo
de um modo inconsciente,
como deve ser.
E em todo o sentido, em todo o silêncio que as letras guardam, me encontro. Mesmo que haja céticos à espreita ou denúncias de falta de prudência, ainda que a ausência de moral ou de uma mensagem seja o feitiço virando-se contra o feiticeiro, ainda assim terei o silêncio. O silêncio que as vezes dói e arde feito líquido venenoso, mas tão sábio que se cala, reservado à sua dor. 
As palavras brincam no papel. Brincam de serem felizes, de serem completas, de tentar alcançar o muro sem fim do amor. Tudo num completo silêncio que desagrada aqueles que esperavam ouvir berros de bocas no mínimo enfurecidas, (quem escreve é sempre alguém que deseja gritar ao mundo...?). Até hoje, no máximo, eu consegui alguns sussurros com a escrita. Escuta esse silêncio que é seu, que é nosso como o copo de vinho que te ofereço, não é embriagues nem alucinógeno, é o silêncio profundo das palavras. Quando me ler, não imagine a minha voz pois a sonoridade atrapalha escutar o silêncio, também não procure a compreensão, ela nunca está pronta e é essa a motivação das frases. Leia-me sem som e sem voz. A mudez é a eficiência do texto. E somente o silêncio das palavras é que nos reserva a sabedoria antiga, velha, com tanto cheiro de mofo que é preciso lutar contra a alergia, alergia de “desentender”, “desencantar”, de “desconstruir”.

domingo, 23 de maio de 2010

Grand finale

Não lhe disse ser feliz, pois feliz ela não era. Fechou o corpo com jeito, decidida a não procurar mais pelo desejo escasso, já sendo forjado. Abriu-lhe os braços, corpo em oferta, para o afago de um coração, talvez dois. Não foi gentil, pois não havia maneira de ser. Disse poucas palavras, repetidas, gastas, puídas pelo tempo e o cansaço, virou-se e foi de volta pra casa.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ser gente

Quando o mar não faz mais tanta força para chegar até minhas pernas, quando ser gentil virou sinônimo de compaixão, quando a poesia dói no peito como choro preso da covardia, a vida cala com expressão de sermão, puxão de orelha...É um sinal que viver é caminho certo (ou acertado), desde a maternidade e o primeiro choro. "¹Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve (...)".
Procuro me agarrar ao passado tentando não perder a segurança já que o presente é sempre tão cansativo. O presente é a tarefa árdua e ao mesmo tempo pode ser o prazer único. Lá de longe vejo o futuro, tão charmoso sempre sedutor.
Vida, eu estou chegando...



¹- Escrito por Cazuza.