nossas pausas são humanas
nossas carnes
comestíveis
por asquerosas espécies das quais fugimos
como as vezes nos vulgarizamos,
ainda não entendo bem
mas sempre como um sonho
voltamos pra ele
graças a deus dormimos
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quinta-feira, 18 de julho de 2013
segunda-feira, 29 de abril de 2013
A hora do mundo
Estou nessa imobilidade,
tudo bem
as vezes se está aqui,
ali
não estou me sentindo incomodado
respiro muito bem
com todas as coisas que sei e que me esperam
o mundo me esperar não tem feito mal nenhum
Hoje, não sei porque
me sentei no mundo e não com o mundo
tendo aceito
a condição
e se por acaso chorar
será por ser uma pessoa
tudo bem
as vezes se está aqui,
ali
não estou me sentindo incomodado
respiro muito bem
com todas as coisas que sei e que me esperam
o mundo me esperar não tem feito mal nenhum
Hoje, não sei porque
me sentei no mundo e não com o mundo
tendo aceito
a condição
e se por acaso chorar
será por ser uma pessoa
sexta-feira, 26 de abril de 2013
De Abril a Abril
A vida inteira
numa extensão de ar
do que não se vê
e como pode
agarra com a mão
come
bagunça os cabelos
é fluido
calado
agitado
viveria feliz só de vento
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Como se é, não tem meio nem fim, é história
Lá se vão caminhando os atores
em garagens
elevadores
longe
lugar que nem se encontra
quando vai
é laboratório
lá se vai
e está
ao lado
todos respirando
todos de verdade
lá se vai a minha atriz
fica o personagem
é uma separação tão triste que teve até enterro
"lá" de nunca mais
de sempre vai estar
e o que me resta se não ser de verdade
coração partido
sangrando
dentro dos olhos
lá dentro
esquece maria
é drama o que essa menina tem
nessa hora todos vão pra sala
todos com seu corpo
a que fazer rir
a que contar uma história de minas
há de ser
é
todos são
em garagens
elevadores
longe
lugar que nem se encontra
quando vai
é laboratório
lá se vai
e está
ao lado
todos respirando
todos de verdade
lá se vai a minha atriz
fica o personagem
é uma separação tão triste que teve até enterro
"lá" de nunca mais
de sempre vai estar
e o que me resta se não ser de verdade
coração partido
sangrando
dentro dos olhos
lá dentro
esquece maria
é drama o que essa menina tem
nessa hora todos vão pra sala
todos com seu corpo
a que fazer rir
a que contar uma história de minas
há de ser
é
todos são
segunda-feira, 11 de março de 2013
Incorrigível
Os dias foram só dias, enquanto o resultado deles em mim um marco, me fazendo chorar pelo desamparo que é não vir a tê-los mais. Resta saber, se tão desimportante me era, qual das partes tocou, as pequenas horas que me tiveram inteira, atenta? e então resolver as questões quanto a emotividade causada por esse fim que como todos me acaba um pouco. Aqui jaz sensível,
com o que mais vier e sempre.
com o que mais vier e sempre.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Terra de gigantes
se são olhos
e se te engolem
e mastigam
acrescentam
mas como em montes
os excessos
agoniam
desconcentram
se são olhos
estou fuzilada
pois se não forem
sou tão pequena
e se te engolem
e mastigam
acrescentam
mas como em montes
os excessos
agoniam
desconcentram
se são olhos
estou fuzilada
pois se não forem
sou tão pequena
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Paipilas auditivas
Meu silêncio que percorre ruas
Que esbarra em alguma coisa sempre
Se desmantela em burburinhos
Se desestabiliza e se arrepende
Meu silêncio tem um amor fiel ao som
Anda por aí, ouve música
Ele é tão silêncio
Tão meu
que eu juro
Inteiramente
Que são meus olhos
Que nele vomito ou guardo
Se resguarda e segue clichê
Meu silêncio é o que eu escuto
É, talvez, o que de mais expressivo eu tenha
Meu silêncio são meus cinco sentidos.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Efeito Azul
enquanto solta a fumaça do cigarro
me engole
enquanto olho fixo
queimo
traga
dentro de mim
perco a noção
é um não sentir nada
e sentir tudo
que não quer que acabe
me engole
enquanto olho fixo
queimo
traga
dentro de mim
perco a noção
é um não sentir nada
e sentir tudo
que não quer que acabe
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Agoras
O tempo “enquanto” é um estado que engana
“Enquanto” não tem palavra depois
Enquanto nada
No meio
Enquanto tudo
“Enquanto” é só por agora
só que agora no plural.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Calado
sobre tuas vias, nada a declarar
gritamos tanto
como é possível?
olho
louco
eu
silêncio de fundo do mar
porém não mais só
porém imenso
gritamos tanto
como é possível?
olho
louco
eu
silêncio de fundo do mar
porém não mais só
porém imenso
segunda-feira, 2 de julho de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Avesso do óbvio
A medida de mim é transbordar.
Então, sem pé nem cabeça,
rodo a procura do próprio rabo
me perguntando afinal,
é bom pra quem conseguir ou não se alcançar?
Gerundiando por instinto,
desesperada por falta de lógica que conforte
Quem faz tratos comigo sou eu,
quem esquece tem a mesma cara lavada.
Mas nunca tão óbvio quanto o espelho,
é um não saber o que fazer consigo mesmo
e também desfazendo com as próprias mãos.
Então, sem pé nem cabeça,
rodo a procura do próprio rabo
me perguntando afinal,
é bom pra quem conseguir ou não se alcançar?
Gerundiando por instinto,
desesperada por falta de lógica que conforte
Quem faz tratos comigo sou eu,
quem esquece tem a mesma cara lavada.
Mas nunca tão óbvio quanto o espelho,
é um não saber o que fazer consigo mesmo
e também desfazendo com as próprias mãos.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Off
(Eu deveria estar alguma coisa que não estou. Fica as vezes a sensação de que “escrevi” ou disse alguma coisa, ou de um modo, que a minha vontade é apagar tudo. E quando “rasuro”, a sensação é ainda mil vezes mais terrível. Meu deus o que estou fazendo??? Todo esse gosto no meio do “estou vivendo”, e de todas as coisas estão os meus erros, sobrepostos os meus acertos; um desenho tão feio que não posso me perdoar por tamanha falta de beleza com aquilo que é meu e sou eu. De qual forma for, sou empurrada pra frente a viver, com cara de quem bebeu algo amargo, mas isso não importa, vai-se.)
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Dentro do dentro
Nunca tinha encarado a "beleza" de frente.
Parece batida lenta de música
e que depois mais forte, e cada vez mais forte, mais forte...
- Por favor me destrua!
Lembrando da esfinge, grito dentro.
São delírios,
tão certos e decisivos quanto os olhos,
- como tem coragem de me olhar assim? Como pode?
Eu não tenho outra alternativa senão te amar.
De repente,
sem essa noção de tempo,
é só a única coisa que sou.
O mundo não existe e eu cara a cara com “tudo”.
E no gozo de todas as horas,
banalizo.
Como quem pisca rápido os olhos
e sacode a cabeça de uma vertigem
(mas eu sei o que eu vi).
Escutando First Song For B - Devendra Banhart
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Porto
:pode ser “momento”, que ao mesmo tempo pequeno – diminuído - é a coisa mais urgente – e sempre mais urgente – que se pode sentir. Ao mesmo tempo menor, ao mesmo tempo a maior e mais importante coisa do mundo. E dessa coisa, sem verdade absoluta, sendo tudo e ao mesmo tempo “coisa que passa”, aquilo que se tem certeza - mesmo essa sendo inexistente, já que estamos falando de pessoas e o que tem dentro delas. E eu digo que “estou certa disso!”.
não me deixa olhar pra frente,
não deixa que hoje acabe
mesmo eu já acostumada a morrer
A sorte é poder reinventar, é poder sentir que “está tudo bem agora”, são as únicas coisas que a gente tem na vida: morrer e viver.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Um dia no amor
Como se não soubéssemos
que são quatro olhos e duas bocas,
encaramo-nos.
E na sua boca tem minha vontade,
nos seus olhos sua fome,
me come.
Dentro de um silêncio
mantra,
uma paz que eu não sei rezar,
perdoai-vos eles não sabem o que fazem
e por não saber
vemos,
cheiramos,
lambemos,
beijamos,
mordemos,
sentimos,
e até sofremos.
Ouvindo Rosa - Devendra Banhart
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Deixa sentir
Deixa chegar
e ela franze a testa
deixa chegar
e ela assume as próprias sobrancelhas,
(de um jeito que devia doer).
Deixa sentir
e aí já era demais,
ela sucumbiu ao medo
de já estar sentindo tudo
e ela franze a testa
deixa chegar
e ela assume as próprias sobrancelhas,
(de um jeito que devia doer).
Deixa sentir
e aí já era demais,
ela sucumbiu ao medo
de já estar sentindo tudo
quarta-feira, 22 de junho de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
(não) sendo
Sem poesia estou num buraco
Sem poesia é escuro
Sem poesia é frio,
Sem poesia, vazio
Com poesia o buraco sou eu.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Sintomas de uma fome
Surdos, os movimentos fazem barulho
brincam de metáfora.
Quando escondida,
a verdade nua não tem como ser dita,
de uma forma ou de outra,
faz-se.
Estávamos à luz do dia,
você sem almoço,
eu faminta.
Não tinha coisa que não fosse colchão
e os bancos eram feitos da primeira dobra de louça.
As cachoeiras aos poucos se firmaram dentro do meu banheiro
e se tudo parecia fora do lugar,
tinha chuva e fazia sol,
o espelho abafado
pelo calor de muito espaço pra pouca vontade de distância.
A página em branco que achei ser o espelho
fui eu escrita das suas mãos.
brincam de metáfora.
Quando escondida,
a verdade nua não tem como ser dita,
de uma forma ou de outra,
faz-se.
Estávamos à luz do dia,
você sem almoço,
eu faminta.
Não tinha coisa que não fosse colchão
e os bancos eram feitos da primeira dobra de louça.
As cachoeiras aos poucos se firmaram dentro do meu banheiro
e se tudo parecia fora do lugar,
tinha chuva e fazia sol,
o espelho abafado
pelo calor de muito espaço pra pouca vontade de distância.
A página em branco que achei ser o espelho
fui eu escrita das suas mãos.
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