Já havia feito reparações quanto a um ou outro aspecto de seu próprio comportamento e a conduta dele foi digna dos olhos dela brilharem. E quando os olhos de uma moça brilham, é porque atingiu-se o auge do mais auto ponto de satisfação. Um gozo tal que não ocorre toda vez. As palavras do rapaz eram certas, dentre o vocabulário com tantas possibilidades de erro. A forma como se doa, terminando as frases com um sorriso e um olhar de homem que inebriam, deixando-a até tonta de seus sentidos enquanto mulher. Levando a um estado de deleite no qual ficam os dois, por minutos, completamente a parte do mundo.
Ela pensa sobre a disparidade do se tratar, a salvo antes de mais nada por um sentimento essencialmente bom para com o outro, que entre eles independe de seus piores defeitos. Mas ainda que os espaços para seu lado "escuro" agora sejam espremidos pela consciência adquirida e dela própria se condenar por deixar que escape, quando tudo se restabelece três vezes claro e evidente, as razões enfim retornam de seu planar, ela procura algum tipo de fuga, para que possa transformar em perpétuo o que se chama de momento. Deixar aqueles instantes bem quietos ali, sem perigo de estragar ou borrar nada. Pois em todas as vezes que a temível felicidade veio sutil ou não sutil, mas que a tenha respirado por longos instantes, procurar por algo que fosse o contrário, era a única forma que conhecia de não sufocar e de viver os minutos tão bonitos a que lhe foi proporcionado.
Ela anseia por uma inteligência mais sofisticada e não mais essa "exótica" forma de pensar e agir, tão deselegante as vezes. A fineza da inteligência lhe parece admirável. Foram muitos arranhões até que sua pretensão enfim tomasse conta de certas questões, antes equivocadas, como por exemplo sobre o controle para domar seu ímpeto. Pois só agora entende que não há problema nos sentidos, na sua tontura, nos medos ou na loucura, o que existe é a forma de lidar e essa é o que te leva a ter sucesso ou terminar saltando sem para-quedas em queda livre, uma atitude que não deixa de ser libertadora, porém um desastre. É possível que seus monstros sejam educados, sentem à mesa, comam de garfo e faca, peçam "desculpa", "licença" e "obrigada", sem ser preciso escondê-los, sem negar sua existência, até que deixem de ser monstros para ser liberdade. É o homem ensinando, mesmo sem saber que ensina, ela a ser mulher.
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sexta-feira, 3 de maio de 2013
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Como se é, não tem meio nem fim, é história
Lá se vão caminhando os atores
em garagens
elevadores
longe
lugar que nem se encontra
quando vai
é laboratório
lá se vai
e está
ao lado
todos respirando
todos de verdade
lá se vai a minha atriz
fica o personagem
é uma separação tão triste que teve até enterro
"lá" de nunca mais
de sempre vai estar
e o que me resta se não ser de verdade
coração partido
sangrando
dentro dos olhos
lá dentro
esquece maria
é drama o que essa menina tem
nessa hora todos vão pra sala
todos com seu corpo
a que fazer rir
a que contar uma história de minas
há de ser
é
todos são
em garagens
elevadores
longe
lugar que nem se encontra
quando vai
é laboratório
lá se vai
e está
ao lado
todos respirando
todos de verdade
lá se vai a minha atriz
fica o personagem
é uma separação tão triste que teve até enterro
"lá" de nunca mais
de sempre vai estar
e o que me resta se não ser de verdade
coração partido
sangrando
dentro dos olhos
lá dentro
esquece maria
é drama o que essa menina tem
nessa hora todos vão pra sala
todos com seu corpo
a que fazer rir
a que contar uma história de minas
há de ser
é
todos são
segunda-feira, 11 de março de 2013
Incorrigível
Os dias foram só dias, enquanto o resultado deles em mim um marco, me fazendo chorar pelo desamparo que é não vir a tê-los mais. Resta saber, se tão desimportante me era, qual das partes tocou, as pequenas horas que me tiveram inteira, atenta? e então resolver as questões quanto a emotividade causada por esse fim que como todos me acaba um pouco. Aqui jaz sensível,
com o que mais vier e sempre.
com o que mais vier e sempre.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Dor de iniciante
Não me sinto inteligente nesse ponto. Talvez em outro. Não sei dizer qual. Mas me veio a cabeça umas coisas que, parada com cara de pensativa, me pareceu uma revelação importante, dessas que pessoas inteligentes devem ter com freqüência, mais intensa do que a minha ralentada percepção do mundo ou “meu mundo”.
É quase fisiológica a maneira de pensar, digo na minha humilde e rara “revelação”. O pensamento é como o trajeto do sangue no corpo, um caminho acostumado que faz uma fenda, essas vias chamadas de veias. Sempre passando por aquele mesmo lugar, cada vez mais marcado, viciado. Acho que é isso que dizem, que o ser humano só usa dez por cento do cérebro e disso eu posso falar. Como agora, ao ter essa, "iluminação", que na verdade não passa de alguns minutos com cara de paisagem olhando pro nada, pensei no quanto não vejo, não entendo, não dou atenção, em quantas coisas devo ignorar a existência e portanto fazer inexistentes noventa por cento delas, simplesmente. Quantas vezes devo sofrer por invenções minhas, egoísmos vestidos de verdade, verdades vestidas com peças únicas e exclusivas. Sofro, (e essa parte é preferível que quem esteja lendo interprete como mera invenção de texto fictício), de ciúme, de inconformidade, irritação e ansiedade. E ando desconfiando que em quase todas as vezes isso tenha causa mentirosa, dessas de auto-sabotagem, culpa de um pensamento vicioso. É tentador pensar pelo mesmo caminho que se está acostumado, pelas veias dos defeitos e medos, por isso me parece que tem um fundo de verdade minha teoria, que eu esteja mesmo sofrendo por conta de uma nebulosa nascida e criada por mim mesma, sou mãe da minha própria confusão. E como toda mãe, em algum momento teria que me sentir culpada, pensar “onde foi que eu errei?”. Apesar de ser (e estar) propensa a enlouquecer, me ocorre aceitar essa dose forte de consciência e finalmente ficar tranqüila, não dramatizar ou me esgotar em mil palavras, apenas sorrir, correr pra bem longe largar tudo chorar doer...de novo os dez por cento.
A vida me dá fatos e eu rapidamente, ainda que sem eles, agarro minhas interpretações, ah essa minha euforia a frente de qualquer outra coisa que venha a ter. Não perco nenhuma viagem, não dispenso nenhum dos meus pensamentos ou me agarro na minha zona de conforto digamos do mesmo jeito que me sinto segura na minha cama cheirosa e gostosa, porque eu tô no mundo pela primeira vez e tudo é último.
Ritmo: Fake Plastic Trees - Radiohead
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Entre bobagens e nem tão bobagens, bobagem
...fico pensando que você podia me contar mais da sua vida, a minha anda tão sem chance. Me dá a oportunidade de saber de você e assim a gente evita tanto tempo perdido com besteira inútil - pra mim é tão sério e irritante não saber como você viveu esses anos todos sem mim (um pouco de ego, mas acho que nem é o caso). A que estou dando importância? Enquanto eu piro você está com seus olhos atentos focados no minuto atual, em outras palavras, é um atento distraído, sem lembrar da última briga, me ligando e dizendo estar com saudades. Vou segurando todos os meu hormônios: o da loucura, do desejo, da paranóia ambulante, do "rever conversas", ansiedade, delírio e o da súbita tranquilidade ou "o hormônio zen", zen me importar com nada (nem com o mau gosto de um trocadilho, dane-se o trocadilho). Pontinhos de hormônios formando meu rosto, meu corpo inteiro com receio dessa vulnerabilidade que é um relacionamento.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Ensaio geral
"o mundo me expulsou para o próprio mundo" CL
Tento arregalar os o olhos. Mais um pouco...o que mexe mais com meu ponto de prazer com a vida? As tentativas não são nada mais do que a imprecisão quanto a o que fazer da vida. Eu tento sustentar meus ideais mas eles esbarram com a grande, alerta e dura, vida. Tento apenas respirar mas já não há tempo para a paz. Tento estar ao lado de pessoas que gosto mas...todos na mesma, como baratas tontas também tentando entender a própria tontura. Sobra pouco espaço pra sentir que existe e que isso te pertence pois na maioria das horas existir é apenas um fluxo. Curioso é fazer parte disso e me incomodar. Então desponto em raivas e calmas repentinas, me alegro e demoro a aceitar aquilo que é bom sem me pedir nada em troca - mesmo sendo o amor a coisa que mais acredito valer a pena. As vezes me firo propositalmente, as vezes o faço com quem eu jamais...puro descuido de quem "está tentando entender", o que não se redime por justificativa.
(Me acalmo, vigilante, em dizer dentro de mim que a gente se olha como quem se vê e se entende como entre dois sexos diferentes porém ambos regidos por marte, elemento fogo, arianos convictos.)
O "fluxo" tem me dado a ideia de ter que me fazer peça moldada para essa engrenagem, enquanto eu só quero viver. Na angústia, suplico: livrai-me de toda a artificialidade gratuita, de toda a conclusão barata, de toda a mão que fecha a porta, entretanto, de todo o ingênuo ingresso, que me faz boba de mim mesma. Me ajuda a (poder) viver.
Tento arregalar os o olhos. Mais um pouco...o que mexe mais com meu ponto de prazer com a vida? As tentativas não são nada mais do que a imprecisão quanto a o que fazer da vida. Eu tento sustentar meus ideais mas eles esbarram com a grande, alerta e dura, vida. Tento apenas respirar mas já não há tempo para a paz. Tento estar ao lado de pessoas que gosto mas...todos na mesma, como baratas tontas também tentando entender a própria tontura. Sobra pouco espaço pra sentir que existe e que isso te pertence pois na maioria das horas existir é apenas um fluxo. Curioso é fazer parte disso e me incomodar. Então desponto em raivas e calmas repentinas, me alegro e demoro a aceitar aquilo que é bom sem me pedir nada em troca - mesmo sendo o amor a coisa que mais acredito valer a pena. As vezes me firo propositalmente, as vezes o faço com quem eu jamais...puro descuido de quem "está tentando entender", o que não se redime por justificativa.
(Me acalmo, vigilante, em dizer dentro de mim que a gente se olha como quem se vê e se entende como entre dois sexos diferentes porém ambos regidos por marte, elemento fogo, arianos convictos.)
O "fluxo" tem me dado a ideia de ter que me fazer peça moldada para essa engrenagem, enquanto eu só quero viver. Na angústia, suplico: livrai-me de toda a artificialidade gratuita, de toda a conclusão barata, de toda a mão que fecha a porta, entretanto, de todo o ingênuo ingresso, que me faz boba de mim mesma. Me ajuda a (poder) viver.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Daqui
Tenho tecido os momentos e aberto bem os olhos, expandindo o quanto melhor der pra ver. É assim que ultimamente tenho amado e doído, sem depender uma coisa da outra. O que tem me revelado. Na verdade tudo se revela nesse sagrado sim ao que vier. E veio. Vem.
A partir de então ela pôde assistir a quebra de preceitos, a ridicularização de si mesma, a concretização do seu rosto e todas as expressões, ela passou a ver quase tudo. Já nem lembrava como isso começou, era atropelada por mais um muro que desabava na sua frente - muro de concreto. Acontecia muito. Chegou ao ponto que clamava que parasse de ver a sua vida, tão maciça, de querer sair de onde está e ir para o campo. Tudo verde, o cheiro de terra, os cavalos e pessoas com aparência de tranquilidade, fora de perigo. Esquecia que sua vida viria com ela, que os olhos continuariam bem abertos e que até o campo poderia desabar na sua frente. E as vezes vertia em lágrimas que não esgotavam. Na lista das piores coisas, que se recria sempre, está a incapacidade de, no choro, não se esgotar.Tudo o que ela passou a querer era que se esgotasse, em palavras, em socos, em coisas que ela jamais diria e que achava ridículo. Esgotar um pouco amando, esgotar um pouco mais odiando e assim se esvair, até se acabar, até achar o final disso e querer começar de novo, é claro. Dispensar o dom de enxergar pois a claridade doía os olhos.
Eu vejo os que tem cadeira cativa e sorridentes moram nela, sofro só de pensar que se eu não fizer "alguma coisa", também possa ter uma cadeira para sempre minha. Não quero cadeiras nem salas de jantar com pessoas ocupadas em nascer e morrer. A vida é isso? As vezes penso tristemente que é. Tudo uma grande bobagem. A mais séria tolice que é o trabalho do que fazer com você mesma no mundo. Não é sobre o que vê do olho pra fora, é (sempre) sobre o que o dentro vê sentindo.
A partir de então ela pôde assistir a quebra de preceitos, a ridicularização de si mesma, a concretização do seu rosto e todas as expressões, ela passou a ver quase tudo. Já nem lembrava como isso começou, era atropelada por mais um muro que desabava na sua frente - muro de concreto. Acontecia muito. Chegou ao ponto que clamava que parasse de ver a sua vida, tão maciça, de querer sair de onde está e ir para o campo. Tudo verde, o cheiro de terra, os cavalos e pessoas com aparência de tranquilidade, fora de perigo. Esquecia que sua vida viria com ela, que os olhos continuariam bem abertos e que até o campo poderia desabar na sua frente. E as vezes vertia em lágrimas que não esgotavam. Na lista das piores coisas, que se recria sempre, está a incapacidade de, no choro, não se esgotar.Tudo o que ela passou a querer era que se esgotasse, em palavras, em socos, em coisas que ela jamais diria e que achava ridículo. Esgotar um pouco amando, esgotar um pouco mais odiando e assim se esvair, até se acabar, até achar o final disso e querer começar de novo, é claro. Dispensar o dom de enxergar pois a claridade doía os olhos.
Eu vejo os que tem cadeira cativa e sorridentes moram nela, sofro só de pensar que se eu não fizer "alguma coisa", também possa ter uma cadeira para sempre minha. Não quero cadeiras nem salas de jantar com pessoas ocupadas em nascer e morrer. A vida é isso? As vezes penso tristemente que é. Tudo uma grande bobagem. A mais séria tolice que é o trabalho do que fazer com você mesma no mundo. Não é sobre o que vê do olho pra fora, é (sempre) sobre o que o dentro vê sentindo.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Embriaguez
,ai de mim.
De repente estou calma, como quem cumpriu alguma coisa que fosse grave, dessas que se sente a vibração. Mas não sei de nada, tamanha a leveza quando se carrega o cumprimento da "coisa". O contraste de tudo, o vento , a rua, os passos. A ousadia de ser completa diante de tantas outras coisas que faltam. Ao mesmo tempo que se alcança um ápice, não qualquer, de um amadurecimento e testemunhar que nada passa do recém nascimento de uma escolha e portanto agir como quem começa do zero: desengonçada. A super-exigência que indica o absurdo da calma - se o amor é tão certo. O amor é tão certo. Quando não se bebe mais do gosto da arrogância e tudo é extremamente natural nas pontas desconhecidas de si mesmo e do outro. Como suportar o peso do "tudo" e do "nada"? Como? se a pelizinha da unha incomoda, o ponteiro faz "tic-tac", a conversa-ladainha é redundante. Redundante. Os dias da semana são cinco, meu rosto tem rugas de expressão de 24 anos e uma interrogação enorme, maior que uma metáfora, atingi o limite de todo o meu drama. Que começa na unha, que vai para o relógio, que... "tec-tec" do teclado. Eu não sei carregar o peso da calma, porque a realidade é tudo o que engole. Nunca estive tão serena e tão perdida.
De repente estou calma, como quem cumpriu alguma coisa que fosse grave, dessas que se sente a vibração. Mas não sei de nada, tamanha a leveza quando se carrega o cumprimento da "coisa". O contraste de tudo, o vento , a rua, os passos. A ousadia de ser completa diante de tantas outras coisas que faltam. Ao mesmo tempo que se alcança um ápice, não qualquer, de um amadurecimento e testemunhar que nada passa do recém nascimento de uma escolha e portanto agir como quem começa do zero: desengonçada. A super-exigência que indica o absurdo da calma - se o amor é tão certo. O amor é tão certo. Quando não se bebe mais do gosto da arrogância e tudo é extremamente natural nas pontas desconhecidas de si mesmo e do outro. Como suportar o peso do "tudo" e do "nada"? Como? se a pelizinha da unha incomoda, o ponteiro faz "tic-tac", a conversa-ladainha é redundante. Redundante. Os dias da semana são cinco, meu rosto tem rugas de expressão de 24 anos e uma interrogação enorme, maior que uma metáfora, atingi o limite de todo o meu drama. Que começa na unha, que vai para o relógio, que... "tec-tec" do teclado. Eu não sei carregar o peso da calma, porque a realidade é tudo o que engole. Nunca estive tão serena e tão perdida.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Nota interna (muito interna) ou intimidade de alguém que não sou eu mas de certa forma é, mas de certa forma não é
Não sei se posso chamar de honestos os sentimentos que vem me tomado in-tei-ra. Talvez isso importasse, se não fosse pela intensidade e arrebato desse avalanche - o palpitar e a elevada temperatura do corpo já perceptível, constrangedor. Como um afogamento de conclusões tiradas dentro da minha própria cabeça; minha imagem tendo que ser preservada (a grande custo) para assim não passar como louca, fica difícil manter a tempestade dentro. Verídicos os pensamentos ou não, com ou sem fundamento, o único fato sazonado é que: não os quero. Essa aflição de quem não pode afirmar mesmo quando no interior aquele tumor já se tornou, já cresceu e agora existe. É duro viver, pois se tem o vício dos pensamentos. Eu queria apenas pensar e no entanto, sofro, sem saber forma de parar o que eu já inventei uma vez, dando voltas, assombrando, controlando para não expor e me perdendo entre o que falo e calo. Estou perdida na ordem dos fatos (ou fragmentos) e por isso me esquecido que te amar deveria ser sempre agora.
O que eu tenho visto como absurdamente grande, não sei medir ao certo, pois não tem pontas e a isso atribuo meu desnorteio e o tamanho/imensidão do medo. São muitas linhas que se cruzam numa vertigem minha, só minha, num louco “apreço” aos meus devaneios, fica as vezes difícil contar pra quem quer que seja, a não ser eu mesma lutando e em silêncio. Entretanto, absurda mesma é a nudez que representa o encontro de duas pessoas, encontro esse, que não há como negar a grandiosidade (ou gravidade) do fato se nos sentirmos únicos, dois. E aqui chegamos no ponto, não sei o que fazer com a minha sorte. Meu quinhão, a única e primeira verdade antes de toda a insegurança, que começa em você e termina em mim e vise e versa.
Como se fosse fácil não enlouquecer.
Escutando Cat Power - He War
O que eu tenho visto como absurdamente grande, não sei medir ao certo, pois não tem pontas e a isso atribuo meu desnorteio e o tamanho/imensidão do medo. São muitas linhas que se cruzam numa vertigem minha, só minha, num louco “apreço” aos meus devaneios, fica as vezes difícil contar pra quem quer que seja, a não ser eu mesma lutando e em silêncio. Entretanto, absurda mesma é a nudez que representa o encontro de duas pessoas, encontro esse, que não há como negar a grandiosidade (ou gravidade) do fato se nos sentirmos únicos, dois. E aqui chegamos no ponto, não sei o que fazer com a minha sorte. Meu quinhão, a única e primeira verdade antes de toda a insegurança, que começa em você e termina em mim e vise e versa.
Como se fosse fácil não enlouquecer.
Escutando Cat Power - He War
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Doente de saber
Esse meu corpo pequeno, com hematomas invisíveis, foi pedindo socorro de pouco em pouco, de lamento em lamento.Há quem diga que era “não saber o que queria”, mas o mal era justamente o contrário: sabia exatamente o que eu queria.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
domingo, 26 de setembro de 2010
Nesse meio tempo que se chama...
Ela se via à espera e como toda espera, era calada e branca. Vazia - Mas esse vazio da espera é tão cheio, mas tão cheio que é vazio entende? Pensou por um instante.
Passava os olhos por textos que ela escrevera em dias de tumulto. Aquelas frases e parágrafos poderiam ser escritos mil vezes que seriam iguais – talvez seja isso o que chamam de destino. Ela tinha de escrever aqueles textos, hoje considerados antigos, era como um modo de liberdade personificada. Sentia cada um deles com a voracidade de um “agora”. Cada palavra nua era ela vestida ou vice e versa.
Felícia sabia que, apesar de cada carta e cada texto terem dono, ele não saberia entender a grandeza que ela lhes oferecia pois essa grandeza, no papel, era vulnerável a pequenez dos homens que tem medo de ver. Seus escritos eram tão ela, que nem mesmo a própria conseguia enxergar com clareza. Sabia que todos os textos transbordavam numa nudez quase que sem-vergonha - quase.
Mas a espera. Felícia agora vivia a espera. E como toda ela, engajada em viver, não havia outra face se não a de quem espera, não havia uma posição para as mãos pois a espera nos faz esquecer que temos mãos, não havia um ponto fixo para o olhar, ele estava perdido naquele nada que é a visão da espera. Não havia ela naqueles dias, só havia a espera, esta que sem pudor consegue ser ao mesmo tempo o seu avesso, o inesperado. Não existia tempo para contar, somente o cansaço e o grande vazio branco. Nem uma palavra, nem um perdão,
a espera.
Passava os olhos por textos que ela escrevera em dias de tumulto. Aquelas frases e parágrafos poderiam ser escritos mil vezes que seriam iguais – talvez seja isso o que chamam de destino. Ela tinha de escrever aqueles textos, hoje considerados antigos, era como um modo de liberdade personificada. Sentia cada um deles com a voracidade de um “agora”. Cada palavra nua era ela vestida ou vice e versa.
Felícia sabia que, apesar de cada carta e cada texto terem dono, ele não saberia entender a grandeza que ela lhes oferecia pois essa grandeza, no papel, era vulnerável a pequenez dos homens que tem medo de ver. Seus escritos eram tão ela, que nem mesmo a própria conseguia enxergar com clareza. Sabia que todos os textos transbordavam numa nudez quase que sem-vergonha - quase.
Mas a espera. Felícia agora vivia a espera. E como toda ela, engajada em viver, não havia outra face se não a de quem espera, não havia uma posição para as mãos pois a espera nos faz esquecer que temos mãos, não havia um ponto fixo para o olhar, ele estava perdido naquele nada que é a visão da espera. Não havia ela naqueles dias, só havia a espera, esta que sem pudor consegue ser ao mesmo tempo o seu avesso, o inesperado. Não existia tempo para contar, somente o cansaço e o grande vazio branco. Nem uma palavra, nem um perdão,
a espera.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
O pensamento e o cone
Tropeçou nos cones que cercavam a areia delimitando o espaço. Estava tão distraída admirando aqueles garotos de pernas ligeiras que nem pôde ver a praia demarcada por faixas e cones laranja e branco
– Ei! Cuidado aí... Gritou um moleque de uns doze anos. Sem perceber, ela havia derrubado um dos cones. Os meninos faziam aqueles movimentos de zigue e zague com a bola que o olhar de qualquer um se deixa hipnotizar. Pôs o cone de volta no lugar e resolveu terminar a sua caminhada por ali. Ainda pôde escutar o menino resmungar, “mulher louca”, mas não deu bola.
Gostava de caminhar na praia porque lá parecia um lugar infinito, nunca aguentava chegar até o final e isso sempre deixava um gostinho de "quero mais" que ela guardava para o dia seguinte. Mas naquele dia a largura sem fim da areia foi finalizada por aqueles cones que saltaram de repente na sua frente.
Já em casa, enquanto tomava banho para tirar o sal e a areia, buscava um pensamento antigo que já não tinha novidade pra contar. Tomou banho com as lembranças e se secou com possíveis finais felizes. Foi até a cozinha esquentar o almoço. Não tinha vontade e comeu só com a fome. Arrumou o armário como pretexto de se perder em pensamentos - Coisas como arrumar armário facilitam a organização dos pensamentos. Separou umas blusas daqui, outras de lá, tudo na mais perfeita ordem. Suas arrumações com coisas eram cheias de coerência, facilitando encontrá-las quando precisasse. Assim como as roupas, a coerência só pertencia a ela, o que fazia dela a única que entendia seu armário. Lá no fundo avistou uma blusa que não usava mais e naquele momento lembrou novamente do assunto e se agarrou aos últimos fatos na esperança de poder reformular, repensar, mas tudo não saía do lugar.
Repassou as tarefas do dia e entre uma coisa e outra lá estava o mesmo fato, a mesma história. Havia uma coisa pronta e coisa pronta não dá trabalho nem papo. Se sentiu acuada pois nada tinha a pensar mais sobre aquele assunto. Descobriu que o pensamento também tinha fim e que ele era determinado pela lembrança. Andava distraída demais, louca demais para perceber.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
...
e o vento frio que ressecava a pele, assobiava sério nos ouvidos dela. Nem a blusa branca de mangas compridas aquecia o corpo, nem o vento frio esfriava aqueles constantes pensamentos. Na casa, nenhuma palavra no sofá, se quer alguma pendurada no varal esperando secar, nem mesmo no tanque de molho, nada. Seus dedos frios, seus pés escondidos pelas meias de algodão, eram tão menos importantes do que a espera. Podia resumir-se em uma figura, um corpo que ainda sentia frio por algum descuido da natureza. Um corpo. Toda mulher que espera é somente um corpo.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Mar pra virar areia
Eu estou chorando lágrimas, pois lágrima é a única coisa que eu posso chorar. Quanto mais lembro, mais choro. E poderia ser um choro feito de fotografias ou de perfumes que fizeram parte de mim. Mas ainda choro com lágrimas. E já que elas são molhadas, digo que estou chorando um mar inteiro, pois um grande mar faz mais sentido do que essas poucas gotas, salgadas.
Pode ser que um dia isso pare e com o seco as lembranças fiquem menos molhadas, mas por enquanto ainda faço tempestade dessa história, tenho o cuidado de umedece-la todos os dias de manhã e em todas as noites que não tenho sono.Qualquer pensamento é motivo para a garganta apertar e eu não sei qual palavra te dar. Me desculpe, amor. Estou menor do que você costumava ver, me sinto tão pequena que qualquer boca me engole inteira. Tão pequena, amor, tão pequena. Eu era uma imagem mais alegre, mesmo ferida, hoje sou apenas lágrimas, nada mais do que gotas de tristeza.
Eu quero chorar tinta que mancha, eu quero chorar música que fica, perfume que gruda, fotografia que marca, eu quero chorar pra sempre. Pois o que me preocupa é que as lágrimas secam. A lembrança faz do rosto um borrão sem perfume.
Mas lágrima ainda é a única coisa que eu consigo chorar.
domingo, 11 de julho de 2010
O único problema é que nascera humana.
Sentou cansada no sofá. Na verdade estava exausta. Aqueles dias não estavam sendo fáceis e completavam-se dois meses de insônia. A graça lhe escapava pelas mãos ao ponto de ficar completamente sem graça quando alguém lhe chamava pelo nome, “Graça!”. Depois da nostalgia, sabia que poderia vir a ironia, aquela graça malandra que todo mundo tem guardado. Não pensou no futuro. Só o presente mal cheiroso é que importava. Quem aguenta sentir mal cheiro mais que alguns minutos?!
Decidiu-se pela loucura e foi por telefone que ela falou. Resolveu aquela situação que não podia mais sustentar, ou cheirar se assim posso dizer. O estranho é que junto com uma leve satisfação selvagem, ao desligar o telefone seus pensamentos continuaram a viver, como se nada tivesse acontecido! Além de louca seria cruel?
Não se levantou, nem buscou ar na janela. Não quis contar a um amigo nem se debulhou em lágrimas. Apenas viveu. Pensou que todos deveriam ser daquele jeito. Depois pensou em chorar, mas a vontade não vinha. Sentiu-se muito mal por não ter aguentado mais um pouco. Por ser tão humana que o maldito cheiro ela não pudera suportar. É a vida. Por falar em vida, o cheiro horrível vinha de um animal morto, contei? E foi só depois que ela descobrira o óbito, que decidiu não sentir mais o tal cheiro.
Agora podia viver.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Um corpo nu
Soube que mulheres gostam de usar bolsas. Houve uma época que elas eram enormes feitas sob medida, a medida do desespero. Marina é da parte que sobrou – as que não gostam de bolsas. Nem pra lá nem pra cá, o bom mesmo é guardar as necessidades no bolso.
Além do sangue e das curvas que marcam, mulheres costumam usar penduricalhos que servem como enfeite ou como acréscimo de si mesmas. Marina gosta de pouco e com o pouco sentia-se bem, bem leve. Olhando nas ruas, muitas vezes chegou perto de se arrepender ao ver que tantas outras, muito parecidas com ela, exibindo suas “bolsa-acréscimo”, pareciam ter encontrado a combinação perfeita. Mas se tão logo observasse mais além, o que fazia de costume, via mulheres que mesmo sem nada pendurar, deixava estampado no rosto que faltava-lhes algo. Figuras que denunciavam seus vícios e sua pouca independência nesse mundo contemporâneo. A verdade é que o mundo continua sendo mundo e mulher continua sendo mulher. Esses corpos viciados, andavam tristes pelas ruas e por vezes esbarravam no de Marina, representante de uma pequena porcentagem feminina. Leve como quem voa e como quem não tem e não quer ter nada acrescentado em si. Ela gostava do rascunho e não via graça no desenho pronto, pintado. Achava que um quadro pronto determina o fim da linha. Se alguém imparcial – alguém que não é gente e não existe, pois a imparcialidade é o gosto da ilusão, visse com seus olhos de imaginação essas mulheres que caminham pela cidade com abstinência de bolsa, e outras, apenas algumas, que caminham leves apreciando seus próprios ombros nus, o peso cru de seus corpos, este poderia se confundir.
Marina continuava mulher e ainda gostava de caminhar leve, mas passou a ficar intrigada com a denúncia dos corpos. Sentia que olhando as mulheres, tão femininas quanto ela, podia quase que adivinhar seus nomes secretos. Os traços, pintados ou crus, diziam mais do que gostariam. Tudo escapa do corpo e disfarça-se quase tudo com palavras. Dias se passaram e numa noite dessas, calada, ereta na cama, Marina orgulhou-se de não precisar de bolsas e de ser feliz caminhando com pouco. Naquele instante, lembrou de Orlando, não o tinha mais, somente as lembranças que levava consigo por onde quer que fosse.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Dias como Lóri...
"(...) Agora lúcida e calma, Lóri lembrou-se de que lera que os movimentos histéricos
de um animal preso tinham como intenção libertar, por meio de um desses movimentos, a
coisa ignorada que o estava prendendo — a ignorância do movimento único, exato e
libertador era o que tornava um animal histérico: ele apelava para o descontrole —
durante o sábio descontrole de Lóri ela tivera para si mesma agora as vantagens
libertadoras vindas de sua vida mais primitiva e animal: apelara histericamente para
tantos sentimentos contraditórios e violentos que o sentimento libertador terminara
desprendendo-a da rede, na sua ignorância animal ela não sabia sequer como, estava
cansada do esforço de animal libertado.
E agora chegara o momento de decidir se continuaria ou não vendo Ulisses. (...)"
de um animal preso tinham como intenção libertar, por meio de um desses movimentos, a
coisa ignorada que o estava prendendo — a ignorância do movimento único, exato e
libertador era o que tornava um animal histérico: ele apelava para o descontrole —
durante o sábio descontrole de Lóri ela tivera para si mesma agora as vantagens
libertadoras vindas de sua vida mais primitiva e animal: apelara histericamente para
tantos sentimentos contraditórios e violentos que o sentimento libertador terminara
desprendendo-a da rede, na sua ignorância animal ela não sabia sequer como, estava
cansada do esforço de animal libertado.
E agora chegara o momento de decidir se continuaria ou não vendo Ulisses. (...)"
Clarice Lispector em, Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres.
domingo, 13 de junho de 2010
Relógio de pulso
Já foi tempo.
Tempo demais,
tempo de menos,
findou-se o tempo.
Marcado pela cicatriz,
rasgado pelo ponteiro,
já faz tempo
que foi.
Tempo que será,
tempo que vier,
tempo.
Vigília antiga.
Já testei os segundos,
desisti dos minutos,
deixei correr solto,
e o tempo passou ligeiro.
As horas infinitas
me curaram da dor,
me deram sermão,
secaram as feridas.
Em tempo bom
é hora de sorrir,
em tempo ruim
usa-se muitas roupas.
O tempo no rosto
que esconde a vontade,
que fala sobre saudade,
que deixa escapar a ingenuidade.
Indomável, tempo.
Me olha nos olhos
e passa por mim
sem nem "até logo" dar.
Faz um tempão,
um tanto que não cabe na mão
nem saliva para contar,
nem coração que há de aguentar.
Me dê um minutinho,
só esse
aquele,
qualquer um que eu possa pausar.
Tempo demais,
tempo de menos,
findou-se o tempo.
Marcado pela cicatriz,
rasgado pelo ponteiro,
já faz tempo
que foi.
Tempo que será,
tempo que vier,
tempo.
Vigília antiga.
Já testei os segundos,
desisti dos minutos,
deixei correr solto,
e o tempo passou ligeiro.
As horas infinitas
me curaram da dor,
me deram sermão,
secaram as feridas.
Em tempo bom
é hora de sorrir,
em tempo ruim
usa-se muitas roupas.
O tempo no rosto
que esconde a vontade,
que fala sobre saudade,
que deixa escapar a ingenuidade.
Indomável, tempo.
Me olha nos olhos
e passa por mim
sem nem "até logo" dar.
Faz um tempão,
um tanto que não cabe na mão
nem saliva para contar,
nem coração que há de aguentar.
Me dê um minutinho,
só esse
aquele,
qualquer um que eu possa pausar.
segunda-feira, 29 de março de 2010
A droga da verdade
Admito o meu vício como forma de pedido de salvação. Muitas vezes disfarcei justamente para poder me drogar e me dopar, ou dopar ao outro se possível fosse. O papo ia, vinha e lá estava eu, acreditando na suposta verdade que surgia, sem lembrar que todas são supostas e verdade mesmo, nenhuma. Entre o número um e o número dez (no auge da conversa), haviam muitos dois e três e quatro, até oito e nove! E eram eles, neles, com eles que eu contava para me deleitar de tentativas frustradas em alcançar...não sei, mas eu buscava algum topo onde eu pudesse me sentir segura. Entre verdades e mentiras, descobri que existia algo incomum entre os dois extremos: meias verdades são filhas mal criadas da mentira e da verdade. De meias em meias, eu não completei um inteiro, sequer uma metade que fosse verídica até o fim. As doses foram aumentando, sem controle. E entorpecida, o efeito era a certeza, a viagem ilusória e a consequência era a fome de mais e mais. Até me dar conta de que a droga da meia verdade não me levaria a lugar algum e resolvi me desentoxicar.
Hoje sofro de abstinência. O efeito é a incerteza a consequência é a descrença e o benefício é a falta de verdade?
Hoje sofro de abstinência. O efeito é a incerteza a consequência é a descrença e o benefício é a falta de verdade?
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