O frio fazia tremer as pernas e os braços, ingênuos membros. Ao deitar tudo era único. O momento e as paredes, aquela cor em penumbra, os lençóis guardados e predestinados a nos acolher. Foi tão estranho aquele dia, o mundo não havia parado mas rodava solto em volta da história que eu construía, que nós tecemos parte por parte. Girava tudo ao redor, feito embriaguez certa, fruto do tinto e tantas taças derramadas calor a dentro.
A avidez do olhar, trabalhando junto com as mãos, oras de pincel, oras de lápis que rabisca um traço a procura do desenho, não deixava dúvidas sobre a arte final. O quadro clamava pela pintura, suplicando que fosse sutil na escolha de cada cor, harmonizados estavam: quadro, artista e tinta. O vinho fez dizer mais do que o planejado, mas não mais do que sentia. Foi num balanço de marinheiro, num caminhar de velho moço, num amor feito de flor...a menina calou _ _ _ _ _
A alma acelerou fundo no peito inflado e vazio, inflado e vazio. A sorte a solta pelos campos de verdades e mentiras, havia enfim se cumprido e um riso frouxo escapou da boca seca, alma limpa e o corpo já não mais tímido.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
Todo dia 17 de abril
"Sou ariano. E ariano não pede licença, entra, arromba a porta. Nunca tive medo de me mostrar. Você pode ficar escondido em casa, protegido pelas paredes, mas você está vivo e essa vida é pra ser mostrada. Esse é o meu espetáculo. Só quem se mostra se encontra, por mais que se perca no caminho."
Cazuza
Cazuza
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Você
Quero oferecer-te versos,
os melhores que eu puder pintar.
Em coro,
eu quero sonar teu nome
já grudado na minha saudade.
Quero as flores secas,
desabrochadas,
vivendo pelo teu sorriso torto.
Quero o meu querer
afoito e atrevido,
o que nunca foi vivido.
Carinho.
Meu olfato é do seu cheiro
meu beijo é do teu gosto
meu corpo da tua mão
meu querer,
você.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
latrocínio
Saborear,
divertir-se e disfarçar,
a pele roçar,
o pescoço torcer.
Mãos suadas e frias,
peito quente e latente.
Sugando com os olhos
o calor que vicia.
Segura, vestida
imaginação despida,
intimando,
trazendo, levando.
Sorte a solta
na esquina apressada,
como o vestido esvoaçado,
inquieto no corpo de menina.
Esse encanto no canto
do perigo instante
suado, pesado,
assassino,
leva mentes ao rompante
da razão emocionante,
da mordida proibida
dada pelo suicida.
O corpo estirado.
suspiro pesado
sem volta ao ato,
desatado o laço.
Na solução dos corpos
o alívio do pecado
certeiro,
previsto e consumado.
divertir-se e disfarçar,
a pele roçar,
o pescoço torcer.
Mãos suadas e frias,
peito quente e latente.
Sugando com os olhos
o calor que vicia.
Segura, vestida
imaginação despida,
intimando,
trazendo, levando.
Sorte a solta
na esquina apressada,
como o vestido esvoaçado,
inquieto no corpo de menina.
Esse encanto no canto
do perigo instante
suado, pesado,
assassino,
leva mentes ao rompante
da razão emocionante,
da mordida proibida
dada pelo suicida.
O corpo estirado.
suspiro pesado
sem volta ao ato,
desatado o laço.
Na solução dos corpos
o alívio do pecado
certeiro,
previsto e consumado.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Ser gente
Quando o mar não faz mais tanta força para chegar até minhas pernas, quando ser gentil virou sinônimo de compaixão, quando a poesia dói no peito como choro preso da covardia, a vida cala com expressão de sermão, puxão de orelha...É um sinal que viver é caminho certo (ou acertado), desde a maternidade e o primeiro choro. "¹Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve (...)".
Procuro me agarrar ao passado tentando não perder a segurança já que o presente é sempre tão cansativo. O presente é a tarefa árdua e ao mesmo tempo pode ser o prazer único. Lá de longe vejo o futuro, tão charmoso sempre sedutor.
Vida, eu estou chegando...
¹- Escrito por Cazuza.
Procuro me agarrar ao passado tentando não perder a segurança já que o presente é sempre tão cansativo. O presente é a tarefa árdua e ao mesmo tempo pode ser o prazer único. Lá de longe vejo o futuro, tão charmoso sempre sedutor.
Vida, eu estou chegando...
¹- Escrito por Cazuza.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
MERDA!
Primeira vez participando do festival e o friozinho na barriga não me deixa.
Amanhã estarei no elendo do espetáculo Os Melhores Anos de Nossas Vidas, abrindo o Festival de Teatro do Rio de Janeiro, com platéia cheia entre parentes, amigos e um júri de olho no conjunto da obra.
Desejo a todos nós, MERDA!
Para quem quiser dar uma olhada na programação:
http://www.teatrogtt.com/programacao.html
Amanhã estarei no elendo do espetáculo Os Melhores Anos de Nossas Vidas, abrindo o Festival de Teatro do Rio de Janeiro, com platéia cheia entre parentes, amigos e um júri de olho no conjunto da obra.
Desejo a todos nós, MERDA!
Para quem quiser dar uma olhada na programação:
http://www.teatrogtt.com/programacao.html
segunda-feira, 29 de março de 2010
A droga da verdade
Admito o meu vício como forma de pedido de salvação. Muitas vezes disfarcei justamente para poder me drogar e me dopar, ou dopar ao outro se possível fosse. O papo ia, vinha e lá estava eu, acreditando na suposta verdade que surgia, sem lembrar que todas são supostas e verdade mesmo, nenhuma. Entre o número um e o número dez (no auge da conversa), haviam muitos dois e três e quatro, até oito e nove! E eram eles, neles, com eles que eu contava para me deleitar de tentativas frustradas em alcançar...não sei, mas eu buscava algum topo onde eu pudesse me sentir segura. Entre verdades e mentiras, descobri que existia algo incomum entre os dois extremos: meias verdades são filhas mal criadas da mentira e da verdade. De meias em meias, eu não completei um inteiro, sequer uma metade que fosse verídica até o fim. As doses foram aumentando, sem controle. E entorpecida, o efeito era a certeza, a viagem ilusória e a consequência era a fome de mais e mais. Até me dar conta de que a droga da meia verdade não me levaria a lugar algum e resolvi me desentoxicar.
Hoje sofro de abstinência. O efeito é a incerteza a consequência é a descrença e o benefício é a falta de verdade?
Hoje sofro de abstinência. O efeito é a incerteza a consequência é a descrença e o benefício é a falta de verdade?
quarta-feira, 24 de março de 2010
Lugar comum
Onde vai a tua sorte
divisora de pacotes,
todos esses que me trouxe
com o sonho doce de seu Jorge.
Os caminhos e histórias
tantas essas que te acolhem,
são lugares de saudade
pintam e fazem a cidade.
O teu nome é moradia,
o teu laço é simpatia.
No final vão nos dizer
que só pode vir para crer,
as casinhas de varanda,
os barracos enfeitados,
o pão e o seu Jorge
de gosto doce de leite,
guardado na pele franzida.
Trêmulos, os dedos do tricô
preparam o café da tarde
saboreando o mesmo sonho.
terça-feira, 23 de março de 2010
(in)certezas
Eu inventei tudo sobre cartas e mentiras.
Vesti com panos de cores quentes
a sagrada verdade de um coração.
Quebrei protocolos,
servi doses altas de destempero e agonia,
fui ingênua pra tentar descobrir
duvidando de tudo o que não me fazia rir.
Não esperei cortejo na sacada
nem joguei tranças para o sapo,
segui forjando a certeza de um coração.
Confiei à espera, os meus infinitos desejos
entreguei ao amado todo o meu pranto pesado
sem o afago decente de um amor de verdade,
sofrendo pelas frases que se completam
quando acertam o nome de cada emoção,
me alimento do sufoco com gosto de areia seca
do deserto consciente de sua grandeza
necessitado, como o homem,
da água que alimenta,
do amor.
Vesti com panos de cores quentes
a sagrada verdade de um coração.
Quebrei protocolos,
servi doses altas de destempero e agonia,
fui ingênua pra tentar descobrir
duvidando de tudo o que não me fazia rir.
Não esperei cortejo na sacada
nem joguei tranças para o sapo,
segui forjando a certeza de um coração.
Confiei à espera, os meus infinitos desejos
entreguei ao amado todo o meu pranto pesado
sem o afago decente de um amor de verdade,
sofrendo pelas frases que se completam
quando acertam o nome de cada emoção,
me alimento do sufoco com gosto de areia seca
do deserto consciente de sua grandeza
necessitado, como o homem,
da água que alimenta,
do amor.
segunda-feira, 15 de março de 2010
A última carta
Eu não quero o seu amor cruel, tão pouco o seu amor gentil, sorrindo um arreganhar-se conquistador que aos poucos faz da distância a real certeza desse encontro. Eu disse palavras e versos tão soltos aos seus ouvidos quanto o céu que eu quero pra mim, mas não me tenha mal. Perdoe-me por saber, por conhecer o perigo e aceitar correr esse risco com você, mas as damas, como eu, são frágeis demais ao encantamento de um suposto amor, meu bem. Querido, o chá esfriou, estou a horas tentando lhe avisar, prevendo o amargo que sua boca, tão frágil, experimentaria. Nem mais açúcar, nem mais erva, mas um efeito camomila para o nosso devaneio. Não me suporte. O peso de alguém que deseja o mundo, é a ilusão de segurar o que não pode carregar para si. Não vamos compartilhar do seco da minha xícara nem do amargo do chá que esfriou nas suas mãos.
Sobras e folhas velhas de árvores viscerais, esperam de nós dois uma intimação. Fomos tolos, por vezes bondosos um com o outro, mas esse amor de quem "quer bem" não se tornou Amor daquele que apostamos nossas vidas com afinco e penitência. Redescobri em mim o sangue vivo, molhado, correndo em minhas veias me avisando que a vida tem mais chão para descobrir que a nossa cavalgada a dois pode alcançar. A hora da partida foi marcada desde os nossos primeiros passos tortos, vamos assumir essa distância entre nós e deixar que ela fale por si só, é preciso desacostumar-se, desapegar-se e nos despedir.
quinta-feira, 11 de março de 2010
A mulher sutíl
Não pretendo escoder-te nada, nada além do que é amar-te. Mas as vezes amor, muitas vezes, eu mesma me perco, e como agora, perdida, não esperes de mim uma explicação convincente pois falta a mim convencimento do que quer que seja sobre nós, sobre mim... sobre eu estar com você.
Não me contento com a calmaria, não sei o que fazer com o que está parado em posição já conhecida. De silêncio me guardo. Fico sem nada. Nada para oferecer-te e talvez nem a mim mesma, perdida.
Busco a beleza, a dinâmica da paixão, os entrelaços do amor, o rosto de vontade...não vejo nada.
Não me contento com a calmaria, não sei o que fazer com o que está parado em posição já conhecida. De silêncio me guardo. Fico sem nada. Nada para oferecer-te e talvez nem a mim mesma, perdida.
Busco a beleza, a dinâmica da paixão, os entrelaços do amor, o rosto de vontade...não vejo nada.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Troço de Pedra Mentirosa
Troço.
Esse troço,
esse troco que desdém.
Eu entendo a sua dúvida,
eu disponho a minha dívida.
Pedra
Essa pedra de alguém
que fez um machucado
a quem tanto lhe convém.
Mentira,
eu mentia pra tentar chegar
num lugar pintado
e forjado
dedicado, dedicado.
Esse troço,
esse troco que desdém.
Eu entendo a sua dúvida,
eu disponho a minha dívida.
Pedra
Essa pedra de alguém
que fez um machucado
a quem tanto lhe convém.
Mentira,
eu mentia pra tentar chegar
num lugar pintado
e forjado
dedicado, dedicado.
domingo, 7 de março de 2010
Nem tudo que é morte é o fim
Numa decisão quase tomada, caminhou em direção ao prédio que furava o céu e era tão imponente que se mostrava merecedor de um certo respeito. Seria o ideal. Entrou pela porta brilhosa - Seria de ouro? - Seguiu pelo hall e num passo de destino certo, como haveria de ser, entrou afoita no elevador. Ninguém reparara na menina. A pertou o botão que idicava o último andar do edifício: 45°. Por alguns minutos, enquanto se encaminhava ao topo, ela pensou em como faria para chegar no terraço do grandioso arranha-céus. Buscou as escadas como se já soubesse onde chegaria. Assim foi, Ana chegara no fim da linha.
Sua vida era boa. Família boa, amigos bons e namorado bobo. Sempre conviveu bem com a bondade e a tolice, até aquele dia. Era como se comesse uma comida, preparada e escolhida por ela mesma, mas que estivesse sem sal e por preguiça não levantava nunca da cadeira para buscar o punhado que faltava para dar gosto. Sempre pedia a mãe cansada, ao irmão inquieto e por vezes insistiu para o namorado ocupado, mas nunca levantou-se de seu lugar.
Lá em cima era frio, não era fresco, era frio. A brisa vinha cruel cortar seus braços desnudos. O chão era quente do sol que se instalava no decorrer do dia. Ela resolveu olhar e perscrutar o mundo lá embaixo para saber como ele era visto de tão alto. Era, pequeno. Como a maquete do pai morto, cheia de elementos que confundiam sua visão e ao mesmo tempo tão insignificante os detalhes. Quando vivo, o pai fazia maquetes e dizia sempre que o que valia era o todo, mas para isso os detalhes deveriam ser feitos com bastante atenção - Talvez, pensava consigo mesma. Lá de cima só via o todo e Ana pensou - Então era aquilo que os detalhes formavam? Tanta preocupação ela tinha com os detalhes para que formassem aquilo?
De repente num pulo, avistou um gato que passeava pelo beiral, sem expressão de receio ou de culpa, ou de qualquer coisa que lhe fizesse estar ali, o gato passeava pela borda. Quando quis, desceu, parou e olhou para Ana. Os dois se encararam feito primeiro encontro, ela pensou no que o trouxera ali, pensou no que ficara lá em baixo, no gosto sem graça da comida e nos detalhes tão misteriosos que formavam o todo. O gato, por sua vez, cheio de vontades, desviou o olhar e sumiu pelo enorme terraço, abarrotado de fios e relevos. Restava somente ela. A brisa foi virando vento forte e cortava seu corpo cada vez com mais violência, o som dos carros foi aumentando e a ponta do arranha-céus foi sumindo voraz.
- Ana...Ana! Sacudia e chamava a filha que estava num profundo sono. Ana acordou assustada e sua mãe perguntava - está com o rosto pálido, você está bem minha filha? E a filha respondeu com voz de alívio, - foi desses sonhos pra nos acordar para a vida, mamãe.
Sua vida era boa. Família boa, amigos bons e namorado bobo. Sempre conviveu bem com a bondade e a tolice, até aquele dia. Era como se comesse uma comida, preparada e escolhida por ela mesma, mas que estivesse sem sal e por preguiça não levantava nunca da cadeira para buscar o punhado que faltava para dar gosto. Sempre pedia a mãe cansada, ao irmão inquieto e por vezes insistiu para o namorado ocupado, mas nunca levantou-se de seu lugar.
Lá em cima era frio, não era fresco, era frio. A brisa vinha cruel cortar seus braços desnudos. O chão era quente do sol que se instalava no decorrer do dia. Ela resolveu olhar e perscrutar o mundo lá embaixo para saber como ele era visto de tão alto. Era, pequeno. Como a maquete do pai morto, cheia de elementos que confundiam sua visão e ao mesmo tempo tão insignificante os detalhes. Quando vivo, o pai fazia maquetes e dizia sempre que o que valia era o todo, mas para isso os detalhes deveriam ser feitos com bastante atenção - Talvez, pensava consigo mesma. Lá de cima só via o todo e Ana pensou - Então era aquilo que os detalhes formavam? Tanta preocupação ela tinha com os detalhes para que formassem aquilo?
De repente num pulo, avistou um gato que passeava pelo beiral, sem expressão de receio ou de culpa, ou de qualquer coisa que lhe fizesse estar ali, o gato passeava pela borda. Quando quis, desceu, parou e olhou para Ana. Os dois se encararam feito primeiro encontro, ela pensou no que o trouxera ali, pensou no que ficara lá em baixo, no gosto sem graça da comida e nos detalhes tão misteriosos que formavam o todo. O gato, por sua vez, cheio de vontades, desviou o olhar e sumiu pelo enorme terraço, abarrotado de fios e relevos. Restava somente ela. A brisa foi virando vento forte e cortava seu corpo cada vez com mais violência, o som dos carros foi aumentando e a ponta do arranha-céus foi sumindo voraz.
- Ana...Ana! Sacudia e chamava a filha que estava num profundo sono. Ana acordou assustada e sua mãe perguntava - está com o rosto pálido, você está bem minha filha? E a filha respondeu com voz de alívio, - foi desses sonhos pra nos acordar para a vida, mamãe.
sábado, 6 de março de 2010
O risco
Fui ser gente
com o coração de criança,
fui me despedir
depois de aceitar ir até ali.
Quis não sentir
mas a armadura era fraca,
quis limpar a alma
mas já havia sujado a história.
Foi no calor,
no frio,
no vento,
em todos os dias
que não se findam,
que só se escondem
que não me deixam.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Sucumbindo
Não me peça para dizer algo.
Debruçada sobre a tua pele
vou descobrindo o caminho mais tórrido,
mais feliz.
Quando me disser,
diga aos meus ouvidos
e molhe com a boca
as palavras e gestos.
se eu estremecer,
me aqueça
e me dê mais frio.
O que eu posso te dizer
resume-se em poucas sílabas
e só faz sentido quando estou em teus braços.
terça-feira, 2 de março de 2010
Menina enrolada
Uma menina que queria ser palhaço de circo. Queria também uma onça domar. Sob a tenda de um circo terminou por soltar fogo pela boca, e mesmo que de mentira arrancava aplausos da platéia. Mais tarde a menina cresceu mas esqueceu de lembrar. Demorou para que suas pernas contassem a ela que já estavam longas demais para ser palhaço ou domadora e mesmo que pudesse continuar soltando fogo de mentira, sua vontade ansiosa dizia que sair do circo seria melhor.
Ainda não informada que havia crescido, continuou guiada por suas vontades. Saiu do circo a menina, cresceu mais uns centímetros as pernas e pernas-de-pau ela foi querer ser, desfilando pelas praças e distribuindo felicidade.
Um dia, lá do alto dos filetes de madeira, ela chorou porque mais uma vez sabia o que queria, mas o choro vinha do não saber fazer com o que sabia querer. E a brisa mais fria do alto dos céus, veio para secar suas lágrimas de menina que virou gente grande, não por ter pernas longas, nem por ser pernas-de-pau mas por descobrir que querer não era o bastante.
Ainda não informada que havia crescido, continuou guiada por suas vontades. Saiu do circo a menina, cresceu mais uns centímetros as pernas e pernas-de-pau ela foi querer ser, desfilando pelas praças e distribuindo felicidade.
Um dia, lá do alto dos filetes de madeira, ela chorou porque mais uma vez sabia o que queria, mas o choro vinha do não saber fazer com o que sabia querer. E a brisa mais fria do alto dos céus, veio para secar suas lágrimas de menina que virou gente grande, não por ter pernas longas, nem por ser pernas-de-pau mas por descobrir que querer não era o bastante.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Primeiro Lugar no I Concurso de Poesias GB
Primeiro concurso que participo, primeiro prêmio e primeira vez que resolvi expor uma poesia minha de tal forma, competindo com outras tantas pessoas. Parabéns a todos os que participaram!
A Gazeta dos Blogueiros, site conhecido entre os blogueiros de plantão, realizou seu I Concurso de Poesias GB. E foi nesta aposta do GB, que tinha como objetivo promover a literatura brasileira, onde me arrisquei enviando uma poesia minha, Ator, já publicada aqui. Havia até esquecido do concurso após eles terem prorrogado o anúncio das poesias vencedoras devido ao número de inscritos, quando resolvi "fuxicar" o resultado que novamente não tinha sido divulgado. Foi então, que no dia seguinte eu tive a feliz surpresa de ver a minnha poesia vencedora, ganhando 1° lugar no concurso. É com grande felicidade que agradeço a Gazeta dos Blogueiros por abrir esta oportunidade para iniciantes, profissionais, amantes da literatura e pessoas que assim como eu sentem prazer em escrever, sendo esta prática quase que uma necessidade.
E como forma de parabenizar a todos os que ousaram participando do concurso, um presente, Vinicius de Moraes em O poeta:
Que vai, pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos extremos intangíveis
(...)
Vinicius de Moraes
A Gazeta dos Blogueiros, site conhecido entre os blogueiros de plantão, realizou seu I Concurso de Poesias GB. E foi nesta aposta do GB, que tinha como objetivo promover a literatura brasileira, onde me arrisquei enviando uma poesia minha, Ator, já publicada aqui. Havia até esquecido do concurso após eles terem prorrogado o anúncio das poesias vencedoras devido ao número de inscritos, quando resolvi "fuxicar" o resultado que novamente não tinha sido divulgado. Foi então, que no dia seguinte eu tive a feliz surpresa de ver a minnha poesia vencedora, ganhando 1° lugar no concurso. É com grande felicidade que agradeço a Gazeta dos Blogueiros por abrir esta oportunidade para iniciantes, profissionais, amantes da literatura e pessoas que assim como eu sentem prazer em escrever, sendo esta prática quase que uma necessidade.
E como forma de parabenizar a todos os que ousaram participando do concurso, um presente, Vinicius de Moraes em O poeta:
A vida do poeta tem um ritmo diferente
É um contínuo de dor angustiante.
O poeta é o destinado do sofrimento
Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza
E a sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.
Ele é o etemo errante dos caminhosÉ um contínuo de dor angustiante.
O poeta é o destinado do sofrimento
Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza
E a sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.
Que vai, pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos extremos intangíveis
(...)
Vinicius de Moraes
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Camarim?(!)
Um lugar, um espaço;
grande, pequeno, estreito, largo;
confortável, desconfortável;
agradável, desagradável;
luxuoso, simples...
Camarim.
Me propus a explicar a escolha do (novo) nome do blog. Da ideia veio o título e do título a ideia, sempre nesse percurso dialético, resolvi que este seria o melhor nome para o blog. Sem mais delongas, venho por meio desta expor a minha visão sobre o que significa para mim este espaço físico, porém mágico, "quarto de vestir".
Imagino que nos tempos da Grécia, onde as coisas caminhavam para uma oficialidade das artes dramáticas, um cara, provavelmente virginiano, resolveu que tinha de organizar aquele "espetáculo" de trocas de roupa e caracterização - afinal os homens é quem faziam os personagens femininos assim como qualquer outro que surgisse. Imagine você, como se dava essa caracterização? Camadas e mais camadas de pano, quilos e quilos de maquiagem para travestir os gregos de moças. Daí, o tal rapaz sistemático como todo bom virginiano, não deve ter aguentado viver naquele "mafuá" e determinou:
- é preciso que haja ordem! A partir do raiar do novo dia, não teremos mais tal bagunça, nos vestiremos no... (olhou para um lado, olhou para o outro e avistou um canto onde os raios de sol entravam pelas frestas da pedra que sustentava o comodo e de noite, as estrelas iluminavam audaciosamente, pelas mesmas frestas da manhã, o canto destinado aos atores)...Camarim! (gritou). O homem, havia dito qualquer palavra que veio em sua cabeça, assim como se o Deus do vinho, Dionísio, lhe tivesse soprado...camarim...em seus ouvidos.
A verdade, é que o nome era o que menos importava, o importante mesmo era a organização do local. Desde então, os atores se caracterizavam no Camarim e assim como qualquer prática e/ou pedacinho que compõe as artes dramáticas, o quarto de vestir em pouquíssimo tempo se tornou tão mágico quanto o palco. Dentro daquele minúsculo espaço que mal acomodava o elenco inteiro, acontecia a tão sagrada transformação: vestir o figurino, colocar a maquiagem...Onde o ator, passou a assistir de camarote (através do espelho), a revelação de seu personagem sob as luzes das estrelas ou dos raios de sol, estando assim, sempre iluminando.
Ok, tirando essa história fictícia que tenta ser verdade apenas na minha imaginação, o teatro é tão mágico que não existe rotina ou organização que não beba da sua magia. Mas chamo a atenção de você, é... você que está lendo esse "drama", a dramaticidade está presente na vida de qualquer um, ator ou não ator. Da mesma maneira que o Camarim dos teatros servem a nós atores como um lugar de caracterização, concentração e preparação, cada um de nós temos um Camarim cheios de instrumentos que nos ajudam antes de entrar no palco, seja ele qual for. As vezes pegamos o texto para não errar na hora de falar, noutras sentimos necessidade de nos olhar no espelho para retocar a "maquiagem", trocamos de roupa para ousar ou se esconder de alguém ou de nós mesmos ou até para não parecermos com o quem somos.
No dia a dia, fazemos de qualquer lugar o nosso Camarim improvisado, aprendemos a não nos apegar ao que temos em casa (o nosso quarto) e sempre que queremos nos preparar para "entrar em cena" olhamos para um lado...para o outro e o primeiro cantinho que nos chame a atenção, entramos e preparamos a nossa cena, arrumamos o figurino, revemos as falas, nos olhamos no espelho e pronto! Tudo certo para que o nosso roteiro, (afinal também somos autores), corra perfeitamente como queríamos. E como sabemos, é no camarim também, que nos despimos e tiramos tudo o que é do personagem para que o nosso rosto volte a ter a nossa cara e possamos voltar para casa com a sensação de que cumprimos o papel que a que nos submeteram ou que nós mesmos nos submetemos, isso tudo faz parte do show.
Por isso este espaço se chama CAMARIM, aqui é onde me preparo, me visto ou fico despida, de "cara limpa". Uso as palavras para fugir ou me aproximar de mim, tentando me distanciar ou me aproximar de um personagem antes de entrar em cena, seja da vida ou de um novo espetáculo. Mas também as utilizo para me desfazer de todos os elementos de cena quando eles já estão pesados em meus ombros, e quando isso acontece ao final do texto ou da poesia me vejo nua mas nem um pouco constrangida, afinal estou no meu camarim iluminada pelos raios de sol ou por estrelas no céu.
grande, pequeno, estreito, largo;
confortável, desconfortável;
agradável, desagradável;
luxuoso, simples...
Camarim.
Me propus a explicar a escolha do (novo) nome do blog. Da ideia veio o título e do título a ideia, sempre nesse percurso dialético, resolvi que este seria o melhor nome para o blog. Sem mais delongas, venho por meio desta expor a minha visão sobre o que significa para mim este espaço físico, porém mágico, "quarto de vestir".
Imagino que nos tempos da Grécia, onde as coisas caminhavam para uma oficialidade das artes dramáticas, um cara, provavelmente virginiano, resolveu que tinha de organizar aquele "espetáculo" de trocas de roupa e caracterização - afinal os homens é quem faziam os personagens femininos assim como qualquer outro que surgisse. Imagine você, como se dava essa caracterização? Camadas e mais camadas de pano, quilos e quilos de maquiagem para travestir os gregos de moças. Daí, o tal rapaz sistemático como todo bom virginiano, não deve ter aguentado viver naquele "mafuá" e determinou:
- é preciso que haja ordem! A partir do raiar do novo dia, não teremos mais tal bagunça, nos vestiremos no... (olhou para um lado, olhou para o outro e avistou um canto onde os raios de sol entravam pelas frestas da pedra que sustentava o comodo e de noite, as estrelas iluminavam audaciosamente, pelas mesmas frestas da manhã, o canto destinado aos atores)...Camarim! (gritou). O homem, havia dito qualquer palavra que veio em sua cabeça, assim como se o Deus do vinho, Dionísio, lhe tivesse soprado...camarim...em seus ouvidos.
A verdade, é que o nome era o que menos importava, o importante mesmo era a organização do local. Desde então, os atores se caracterizavam no Camarim e assim como qualquer prática e/ou pedacinho que compõe as artes dramáticas, o quarto de vestir em pouquíssimo tempo se tornou tão mágico quanto o palco. Dentro daquele minúsculo espaço que mal acomodava o elenco inteiro, acontecia a tão sagrada transformação: vestir o figurino, colocar a maquiagem...Onde o ator, passou a assistir de camarote (através do espelho), a revelação de seu personagem sob as luzes das estrelas ou dos raios de sol, estando assim, sempre iluminando.
Ok, tirando essa história fictícia que tenta ser verdade apenas na minha imaginação, o teatro é tão mágico que não existe rotina ou organização que não beba da sua magia. Mas chamo a atenção de você, é... você que está lendo esse "drama", a dramaticidade está presente na vida de qualquer um, ator ou não ator. Da mesma maneira que o Camarim dos teatros servem a nós atores como um lugar de caracterização, concentração e preparação, cada um de nós temos um Camarim cheios de instrumentos que nos ajudam antes de entrar no palco, seja ele qual for. As vezes pegamos o texto para não errar na hora de falar, noutras sentimos necessidade de nos olhar no espelho para retocar a "maquiagem", trocamos de roupa para ousar ou se esconder de alguém ou de nós mesmos ou até para não parecermos com o quem somos.
No dia a dia, fazemos de qualquer lugar o nosso Camarim improvisado, aprendemos a não nos apegar ao que temos em casa (o nosso quarto) e sempre que queremos nos preparar para "entrar em cena" olhamos para um lado...para o outro e o primeiro cantinho que nos chame a atenção, entramos e preparamos a nossa cena, arrumamos o figurino, revemos as falas, nos olhamos no espelho e pronto! Tudo certo para que o nosso roteiro, (afinal também somos autores), corra perfeitamente como queríamos. E como sabemos, é no camarim também, que nos despimos e tiramos tudo o que é do personagem para que o nosso rosto volte a ter a nossa cara e possamos voltar para casa com a sensação de que cumprimos o papel que a que nos submeteram ou que nós mesmos nos submetemos, isso tudo faz parte do show.
Por isso este espaço se chama CAMARIM, aqui é onde me preparo, me visto ou fico despida, de "cara limpa". Uso as palavras para fugir ou me aproximar de mim, tentando me distanciar ou me aproximar de um personagem antes de entrar em cena, seja da vida ou de um novo espetáculo. Mas também as utilizo para me desfazer de todos os elementos de cena quando eles já estão pesados em meus ombros, e quando isso acontece ao final do texto ou da poesia me vejo nua mas nem um pouco constrangida, afinal estou no meu camarim iluminada pelos raios de sol ou por estrelas no céu.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Seus monstros
Eu sei que devia ter me afastado e cortado a frase antes que ela fosse dita por inteiro, afinal todos os dias que antecederam foram para me fortalecer e me encher de força, no entanto joguei fora no primeiro "grande medo". Ainda agora estou cá, sem esforço, numa confusão talvez maior que a dor de cabeça que me atormenta o sono. Há de se entender, que uma história construída e acostumada não se destrói num rompante de um minuto, tão pouco numa única conversa. O que houve entre nós, foi atrito, dos mais pesados e mais perigosos: mente e emoção; amor e paixão; incompreensão e tentativa; prazer e fracasso. Foi dançando entre quatro paredes de um cérebro que acostumou-se e viciou-se o coração, por isso resolvi enfrentar todos os monstros de dentro. Só eu sei o quanto me rebaixei e o quanto supliquei para ser salva, mas eu sempre soube que para me salvar era preciso que algo fosse morto. Mas acontece que não tenho instinto para matar, mesmo que este assassinato fosse a violência mais cruel e corajosa.
Sem prática alguma em lidar com a morte, ainda que a experiência com o vivo também não parecesse bem-sucedida, o assassinato perturbou a minha cabeça como um intimato ao qual eu, matadora de aluguel, não poderia fugir da tarefa. Resolvi então conviver com meus vícios, escolha essa, que está me mantando por inteira.O que eu descobrira, era a chance de cura e de renovação mais digna que poderia oferecer a mim, mas não tive coragem de morrer para viver. Portanto, eis aqui, na assinatura deste relato,
o meu maior inimigo.
Sem prática alguma em lidar com a morte, ainda que a experiência com o vivo também não parecesse bem-sucedida, o assassinato perturbou a minha cabeça como um intimato ao qual eu, matadora de aluguel, não poderia fugir da tarefa. Resolvi então conviver com meus vícios, escolha essa, que está me mantando por inteira.O que eu descobrira, era a chance de cura e de renovação mais digna que poderia oferecer a mim, mas não tive coragem de morrer para viver. Portanto, eis aqui, na assinatura deste relato,
o meu maior inimigo.
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