segunda-feira, 17 de maio de 2010
Branco papel,
São meia-noite e olho para o papel em branco. Talvez eu queira lhe contar algo, talvez ele queira me mostrar algo. Talvez esse infinito que me invadiu queira de mim algumas palavras e frases, na verdade toda a intensidade de meu corpo, dos desejos e da alma. Só sei que são meia-noite. E toda noite é um encanto diferente que me invade, feito sede de contar ao nada, este que me acompanha, todas as minhas histórias e revive-las em apenas m-e-i-a-n-o-i-t-e. Quero rasgar o papel, come-lo com a fome de meus dias sofridos, cortar em pedacinhos do mesmo jeito como a vida se apresenta, depois gostaria de colar parte por parte para descobrir o segredo do todo. Sinto gritando em mim, uma vontade voraz de contar a ele, (o papel), que sua cor me incomoda e que seus espaços vazios eu quero preencher, como os momentos me preenchem e invadem e percorrem meu corpo deixando mente e sentimentos misturados, feito alimento deglutido. A noite cada vez mais silenciosa, agora briga com meu burburinho. Já não há organização para o que sinto, nem cumplicidade a oferecer, nem lamurias para contar. Aqui, um tanto de sorte abraçada na coragem que o papel em branco ficaria vermelho, emcabulado e sem forma.
Branco papel, tão acostumado com palavras, frases, sentidos e formas gramaticais, o que tenho dentro de mim é grande demais para o seu formato quadrado - que seja, retangular. Não encontro palavras para exprimir esse burburinho. Agora já passa da meia-noite e conforme ela se completa para virar noite-inteira, eu não te preenchi se quer com uma letrinha.
terça-feira, 11 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
"O início o fim e o meio..."
Deus e mãe são tão parecidos.
Me abraçam me amolam, me ensinam.
Deus e mãe é como o dia com sol, o dia com chuva, a noite, o sono...
- Mãe, onde está Deus, quero saber onde ele fica. Ela responde com calma de mãe - Ele está aqui dentro, e aponta para o peito ingênuo do filho.
Mãe e Deus são assim tão grandes, são assim incalculáveis, que o abraço quase não afaga o seu tamanho de Deus, o seu tamanho de mãe.
Encontro com Deus todos os dias, no ar, no silêncio, no medo de amar, na coragem, em mil, em um só, em todos.
Mãe é o início, sem escolha é o meio, junto com Deus ela é o fim. E Deus e mãe fazem o homem, fazem o homem...
Deus, cuida da minha mãe?
domingo, 2 de maio de 2010
Sem mais lararará...
O haver
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história...
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história...
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
Essa cólera em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.
Vincius, sempre Vinicius de Moraes.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Obra única
O frio fazia tremer as pernas e os braços, ingênuos membros. Ao deitar tudo era único. O momento e as paredes, aquela cor em penumbra, os lençóis guardados e predestinados a nos acolher. Foi tão estranho aquele dia, o mundo não havia parado mas rodava solto em volta da história que eu construía, que nós tecemos parte por parte. Girava tudo ao redor, feito embriaguez certa, fruto do tinto e tantas taças derramadas calor a dentro.
A avidez do olhar, trabalhando junto com as mãos, oras de pincel, oras de lápis que rabisca um traço a procura do desenho, não deixava dúvidas sobre a arte final. O quadro clamava pela pintura, suplicando que fosse sutil na escolha de cada cor, harmonizados estavam: quadro, artista e tinta. O vinho fez dizer mais do que o planejado, mas não mais do que sentia. Foi num balanço de marinheiro, num caminhar de velho moço, num amor feito de flor...a menina calou _ _ _ _ _
A alma acelerou fundo no peito inflado e vazio, inflado e vazio. A sorte a solta pelos campos de verdades e mentiras, havia enfim se cumprido e um riso frouxo escapou da boca seca, alma limpa e o corpo já não mais tímido.
A avidez do olhar, trabalhando junto com as mãos, oras de pincel, oras de lápis que rabisca um traço a procura do desenho, não deixava dúvidas sobre a arte final. O quadro clamava pela pintura, suplicando que fosse sutil na escolha de cada cor, harmonizados estavam: quadro, artista e tinta. O vinho fez dizer mais do que o planejado, mas não mais do que sentia. Foi num balanço de marinheiro, num caminhar de velho moço, num amor feito de flor...a menina calou _ _ _ _ _
A alma acelerou fundo no peito inflado e vazio, inflado e vazio. A sorte a solta pelos campos de verdades e mentiras, havia enfim se cumprido e um riso frouxo escapou da boca seca, alma limpa e o corpo já não mais tímido.
domingo, 18 de abril de 2010
Todo dia 17 de abril
"Sou ariano. E ariano não pede licença, entra, arromba a porta. Nunca tive medo de me mostrar. Você pode ficar escondido em casa, protegido pelas paredes, mas você está vivo e essa vida é pra ser mostrada. Esse é o meu espetáculo. Só quem se mostra se encontra, por mais que se perca no caminho."
Cazuza
Cazuza
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Você
Quero oferecer-te versos,
os melhores que eu puder pintar.
Em coro,
eu quero sonar teu nome
já grudado na minha saudade.
Quero as flores secas,
desabrochadas,
vivendo pelo teu sorriso torto.
Quero o meu querer
afoito e atrevido,
o que nunca foi vivido.
Carinho.
Meu olfato é do seu cheiro
meu beijo é do teu gosto
meu corpo da tua mão
meu querer,
você.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
latrocínio
Saborear,
divertir-se e disfarçar,
a pele roçar,
o pescoço torcer.
Mãos suadas e frias,
peito quente e latente.
Sugando com os olhos
o calor que vicia.
Segura, vestida
imaginação despida,
intimando,
trazendo, levando.
Sorte a solta
na esquina apressada,
como o vestido esvoaçado,
inquieto no corpo de menina.
Esse encanto no canto
do perigo instante
suado, pesado,
assassino,
leva mentes ao rompante
da razão emocionante,
da mordida proibida
dada pelo suicida.
O corpo estirado.
suspiro pesado
sem volta ao ato,
desatado o laço.
Na solução dos corpos
o alívio do pecado
certeiro,
previsto e consumado.
divertir-se e disfarçar,
a pele roçar,
o pescoço torcer.
Mãos suadas e frias,
peito quente e latente.
Sugando com os olhos
o calor que vicia.
Segura, vestida
imaginação despida,
intimando,
trazendo, levando.
Sorte a solta
na esquina apressada,
como o vestido esvoaçado,
inquieto no corpo de menina.
Esse encanto no canto
do perigo instante
suado, pesado,
assassino,
leva mentes ao rompante
da razão emocionante,
da mordida proibida
dada pelo suicida.
O corpo estirado.
suspiro pesado
sem volta ao ato,
desatado o laço.
Na solução dos corpos
o alívio do pecado
certeiro,
previsto e consumado.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Ser gente
Quando o mar não faz mais tanta força para chegar até minhas pernas, quando ser gentil virou sinônimo de compaixão, quando a poesia dói no peito como choro preso da covardia, a vida cala com expressão de sermão, puxão de orelha...É um sinal que viver é caminho certo (ou acertado), desde a maternidade e o primeiro choro. "¹Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, bonita e breve (...)".
Procuro me agarrar ao passado tentando não perder a segurança já que o presente é sempre tão cansativo. O presente é a tarefa árdua e ao mesmo tempo pode ser o prazer único. Lá de longe vejo o futuro, tão charmoso sempre sedutor.
Vida, eu estou chegando...
¹- Escrito por Cazuza.
Procuro me agarrar ao passado tentando não perder a segurança já que o presente é sempre tão cansativo. O presente é a tarefa árdua e ao mesmo tempo pode ser o prazer único. Lá de longe vejo o futuro, tão charmoso sempre sedutor.
Vida, eu estou chegando...
¹- Escrito por Cazuza.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
MERDA!
Primeira vez participando do festival e o friozinho na barriga não me deixa.
Amanhã estarei no elendo do espetáculo Os Melhores Anos de Nossas Vidas, abrindo o Festival de Teatro do Rio de Janeiro, com platéia cheia entre parentes, amigos e um júri de olho no conjunto da obra.
Desejo a todos nós, MERDA!
Para quem quiser dar uma olhada na programação:
http://www.teatrogtt.com/programacao.html
Amanhã estarei no elendo do espetáculo Os Melhores Anos de Nossas Vidas, abrindo o Festival de Teatro do Rio de Janeiro, com platéia cheia entre parentes, amigos e um júri de olho no conjunto da obra.
Desejo a todos nós, MERDA!
Para quem quiser dar uma olhada na programação:
http://www.teatrogtt.com/programacao.html
segunda-feira, 29 de março de 2010
A droga da verdade
Admito o meu vício como forma de pedido de salvação. Muitas vezes disfarcei justamente para poder me drogar e me dopar, ou dopar ao outro se possível fosse. O papo ia, vinha e lá estava eu, acreditando na suposta verdade que surgia, sem lembrar que todas são supostas e verdade mesmo, nenhuma. Entre o número um e o número dez (no auge da conversa), haviam muitos dois e três e quatro, até oito e nove! E eram eles, neles, com eles que eu contava para me deleitar de tentativas frustradas em alcançar...não sei, mas eu buscava algum topo onde eu pudesse me sentir segura. Entre verdades e mentiras, descobri que existia algo incomum entre os dois extremos: meias verdades são filhas mal criadas da mentira e da verdade. De meias em meias, eu não completei um inteiro, sequer uma metade que fosse verídica até o fim. As doses foram aumentando, sem controle. E entorpecida, o efeito era a certeza, a viagem ilusória e a consequência era a fome de mais e mais. Até me dar conta de que a droga da meia verdade não me levaria a lugar algum e resolvi me desentoxicar.
Hoje sofro de abstinência. O efeito é a incerteza a consequência é a descrença e o benefício é a falta de verdade?
Hoje sofro de abstinência. O efeito é a incerteza a consequência é a descrença e o benefício é a falta de verdade?
quarta-feira, 24 de março de 2010
Lugar comum
Onde vai a tua sorte
divisora de pacotes,
todos esses que me trouxe
com o sonho doce de seu Jorge.
Os caminhos e histórias
tantas essas que te acolhem,
são lugares de saudade
pintam e fazem a cidade.
O teu nome é moradia,
o teu laço é simpatia.
No final vão nos dizer
que só pode vir para crer,
as casinhas de varanda,
os barracos enfeitados,
o pão e o seu Jorge
de gosto doce de leite,
guardado na pele franzida.
Trêmulos, os dedos do tricô
preparam o café da tarde
saboreando o mesmo sonho.
terça-feira, 23 de março de 2010
(in)certezas
Eu inventei tudo sobre cartas e mentiras.
Vesti com panos de cores quentes
a sagrada verdade de um coração.
Quebrei protocolos,
servi doses altas de destempero e agonia,
fui ingênua pra tentar descobrir
duvidando de tudo o que não me fazia rir.
Não esperei cortejo na sacada
nem joguei tranças para o sapo,
segui forjando a certeza de um coração.
Confiei à espera, os meus infinitos desejos
entreguei ao amado todo o meu pranto pesado
sem o afago decente de um amor de verdade,
sofrendo pelas frases que se completam
quando acertam o nome de cada emoção,
me alimento do sufoco com gosto de areia seca
do deserto consciente de sua grandeza
necessitado, como o homem,
da água que alimenta,
do amor.
Vesti com panos de cores quentes
a sagrada verdade de um coração.
Quebrei protocolos,
servi doses altas de destempero e agonia,
fui ingênua pra tentar descobrir
duvidando de tudo o que não me fazia rir.
Não esperei cortejo na sacada
nem joguei tranças para o sapo,
segui forjando a certeza de um coração.
Confiei à espera, os meus infinitos desejos
entreguei ao amado todo o meu pranto pesado
sem o afago decente de um amor de verdade,
sofrendo pelas frases que se completam
quando acertam o nome de cada emoção,
me alimento do sufoco com gosto de areia seca
do deserto consciente de sua grandeza
necessitado, como o homem,
da água que alimenta,
do amor.
segunda-feira, 15 de março de 2010
A última carta
Eu não quero o seu amor cruel, tão pouco o seu amor gentil, sorrindo um arreganhar-se conquistador que aos poucos faz da distância a real certeza desse encontro. Eu disse palavras e versos tão soltos aos seus ouvidos quanto o céu que eu quero pra mim, mas não me tenha mal. Perdoe-me por saber, por conhecer o perigo e aceitar correr esse risco com você, mas as damas, como eu, são frágeis demais ao encantamento de um suposto amor, meu bem. Querido, o chá esfriou, estou a horas tentando lhe avisar, prevendo o amargo que sua boca, tão frágil, experimentaria. Nem mais açúcar, nem mais erva, mas um efeito camomila para o nosso devaneio. Não me suporte. O peso de alguém que deseja o mundo, é a ilusão de segurar o que não pode carregar para si. Não vamos compartilhar do seco da minha xícara nem do amargo do chá que esfriou nas suas mãos.
Sobras e folhas velhas de árvores viscerais, esperam de nós dois uma intimação. Fomos tolos, por vezes bondosos um com o outro, mas esse amor de quem "quer bem" não se tornou Amor daquele que apostamos nossas vidas com afinco e penitência. Redescobri em mim o sangue vivo, molhado, correndo em minhas veias me avisando que a vida tem mais chão para descobrir que a nossa cavalgada a dois pode alcançar. A hora da partida foi marcada desde os nossos primeiros passos tortos, vamos assumir essa distância entre nós e deixar que ela fale por si só, é preciso desacostumar-se, desapegar-se e nos despedir.
quinta-feira, 11 de março de 2010
A mulher sutíl
Não pretendo escoder-te nada, nada além do que é amar-te. Mas as vezes amor, muitas vezes, eu mesma me perco, e como agora, perdida, não esperes de mim uma explicação convincente pois falta a mim convencimento do que quer que seja sobre nós, sobre mim... sobre eu estar com você.
Não me contento com a calmaria, não sei o que fazer com o que está parado em posição já conhecida. De silêncio me guardo. Fico sem nada. Nada para oferecer-te e talvez nem a mim mesma, perdida.
Busco a beleza, a dinâmica da paixão, os entrelaços do amor, o rosto de vontade...não vejo nada.
Não me contento com a calmaria, não sei o que fazer com o que está parado em posição já conhecida. De silêncio me guardo. Fico sem nada. Nada para oferecer-te e talvez nem a mim mesma, perdida.
Busco a beleza, a dinâmica da paixão, os entrelaços do amor, o rosto de vontade...não vejo nada.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Troço de Pedra Mentirosa
Troço.
Esse troço,
esse troco que desdém.
Eu entendo a sua dúvida,
eu disponho a minha dívida.
Pedra
Essa pedra de alguém
que fez um machucado
a quem tanto lhe convém.
Mentira,
eu mentia pra tentar chegar
num lugar pintado
e forjado
dedicado, dedicado.
Esse troço,
esse troco que desdém.
Eu entendo a sua dúvida,
eu disponho a minha dívida.
Pedra
Essa pedra de alguém
que fez um machucado
a quem tanto lhe convém.
Mentira,
eu mentia pra tentar chegar
num lugar pintado
e forjado
dedicado, dedicado.
domingo, 7 de março de 2010
Nem tudo que é morte é o fim
Numa decisão quase tomada, caminhou em direção ao prédio que furava o céu e era tão imponente que se mostrava merecedor de um certo respeito. Seria o ideal. Entrou pela porta brilhosa - Seria de ouro? - Seguiu pelo hall e num passo de destino certo, como haveria de ser, entrou afoita no elevador. Ninguém reparara na menina. A pertou o botão que idicava o último andar do edifício: 45°. Por alguns minutos, enquanto se encaminhava ao topo, ela pensou em como faria para chegar no terraço do grandioso arranha-céus. Buscou as escadas como se já soubesse onde chegaria. Assim foi, Ana chegara no fim da linha.
Sua vida era boa. Família boa, amigos bons e namorado bobo. Sempre conviveu bem com a bondade e a tolice, até aquele dia. Era como se comesse uma comida, preparada e escolhida por ela mesma, mas que estivesse sem sal e por preguiça não levantava nunca da cadeira para buscar o punhado que faltava para dar gosto. Sempre pedia a mãe cansada, ao irmão inquieto e por vezes insistiu para o namorado ocupado, mas nunca levantou-se de seu lugar.
Lá em cima era frio, não era fresco, era frio. A brisa vinha cruel cortar seus braços desnudos. O chão era quente do sol que se instalava no decorrer do dia. Ela resolveu olhar e perscrutar o mundo lá embaixo para saber como ele era visto de tão alto. Era, pequeno. Como a maquete do pai morto, cheia de elementos que confundiam sua visão e ao mesmo tempo tão insignificante os detalhes. Quando vivo, o pai fazia maquetes e dizia sempre que o que valia era o todo, mas para isso os detalhes deveriam ser feitos com bastante atenção - Talvez, pensava consigo mesma. Lá de cima só via o todo e Ana pensou - Então era aquilo que os detalhes formavam? Tanta preocupação ela tinha com os detalhes para que formassem aquilo?
De repente num pulo, avistou um gato que passeava pelo beiral, sem expressão de receio ou de culpa, ou de qualquer coisa que lhe fizesse estar ali, o gato passeava pela borda. Quando quis, desceu, parou e olhou para Ana. Os dois se encararam feito primeiro encontro, ela pensou no que o trouxera ali, pensou no que ficara lá em baixo, no gosto sem graça da comida e nos detalhes tão misteriosos que formavam o todo. O gato, por sua vez, cheio de vontades, desviou o olhar e sumiu pelo enorme terraço, abarrotado de fios e relevos. Restava somente ela. A brisa foi virando vento forte e cortava seu corpo cada vez com mais violência, o som dos carros foi aumentando e a ponta do arranha-céus foi sumindo voraz.
- Ana...Ana! Sacudia e chamava a filha que estava num profundo sono. Ana acordou assustada e sua mãe perguntava - está com o rosto pálido, você está bem minha filha? E a filha respondeu com voz de alívio, - foi desses sonhos pra nos acordar para a vida, mamãe.
Sua vida era boa. Família boa, amigos bons e namorado bobo. Sempre conviveu bem com a bondade e a tolice, até aquele dia. Era como se comesse uma comida, preparada e escolhida por ela mesma, mas que estivesse sem sal e por preguiça não levantava nunca da cadeira para buscar o punhado que faltava para dar gosto. Sempre pedia a mãe cansada, ao irmão inquieto e por vezes insistiu para o namorado ocupado, mas nunca levantou-se de seu lugar.
Lá em cima era frio, não era fresco, era frio. A brisa vinha cruel cortar seus braços desnudos. O chão era quente do sol que se instalava no decorrer do dia. Ela resolveu olhar e perscrutar o mundo lá embaixo para saber como ele era visto de tão alto. Era, pequeno. Como a maquete do pai morto, cheia de elementos que confundiam sua visão e ao mesmo tempo tão insignificante os detalhes. Quando vivo, o pai fazia maquetes e dizia sempre que o que valia era o todo, mas para isso os detalhes deveriam ser feitos com bastante atenção - Talvez, pensava consigo mesma. Lá de cima só via o todo e Ana pensou - Então era aquilo que os detalhes formavam? Tanta preocupação ela tinha com os detalhes para que formassem aquilo?
De repente num pulo, avistou um gato que passeava pelo beiral, sem expressão de receio ou de culpa, ou de qualquer coisa que lhe fizesse estar ali, o gato passeava pela borda. Quando quis, desceu, parou e olhou para Ana. Os dois se encararam feito primeiro encontro, ela pensou no que o trouxera ali, pensou no que ficara lá em baixo, no gosto sem graça da comida e nos detalhes tão misteriosos que formavam o todo. O gato, por sua vez, cheio de vontades, desviou o olhar e sumiu pelo enorme terraço, abarrotado de fios e relevos. Restava somente ela. A brisa foi virando vento forte e cortava seu corpo cada vez com mais violência, o som dos carros foi aumentando e a ponta do arranha-céus foi sumindo voraz.
- Ana...Ana! Sacudia e chamava a filha que estava num profundo sono. Ana acordou assustada e sua mãe perguntava - está com o rosto pálido, você está bem minha filha? E a filha respondeu com voz de alívio, - foi desses sonhos pra nos acordar para a vida, mamãe.
sábado, 6 de março de 2010
O risco
Fui ser gente
com o coração de criança,
fui me despedir
depois de aceitar ir até ali.
Quis não sentir
mas a armadura era fraca,
quis limpar a alma
mas já havia sujado a história.
Foi no calor,
no frio,
no vento,
em todos os dias
que não se findam,
que só se escondem
que não me deixam.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Sucumbindo
Não me peça para dizer algo.
Debruçada sobre a tua pele
vou descobrindo o caminho mais tórrido,
mais feliz.
Quando me disser,
diga aos meus ouvidos
e molhe com a boca
as palavras e gestos.
se eu estremecer,
me aqueça
e me dê mais frio.
O que eu posso te dizer
resume-se em poucas sílabas
e só faz sentido quando estou em teus braços.
terça-feira, 2 de março de 2010
Menina enrolada
Uma menina que queria ser palhaço de circo. Queria também uma onça domar. Sob a tenda de um circo terminou por soltar fogo pela boca, e mesmo que de mentira arrancava aplausos da platéia. Mais tarde a menina cresceu mas esqueceu de lembrar. Demorou para que suas pernas contassem a ela que já estavam longas demais para ser palhaço ou domadora e mesmo que pudesse continuar soltando fogo de mentira, sua vontade ansiosa dizia que sair do circo seria melhor.
Ainda não informada que havia crescido, continuou guiada por suas vontades. Saiu do circo a menina, cresceu mais uns centímetros as pernas e pernas-de-pau ela foi querer ser, desfilando pelas praças e distribuindo felicidade.
Um dia, lá do alto dos filetes de madeira, ela chorou porque mais uma vez sabia o que queria, mas o choro vinha do não saber fazer com o que sabia querer. E a brisa mais fria do alto dos céus, veio para secar suas lágrimas de menina que virou gente grande, não por ter pernas longas, nem por ser pernas-de-pau mas por descobrir que querer não era o bastante.
Ainda não informada que havia crescido, continuou guiada por suas vontades. Saiu do circo a menina, cresceu mais uns centímetros as pernas e pernas-de-pau ela foi querer ser, desfilando pelas praças e distribuindo felicidade.
Um dia, lá do alto dos filetes de madeira, ela chorou porque mais uma vez sabia o que queria, mas o choro vinha do não saber fazer com o que sabia querer. E a brisa mais fria do alto dos céus, veio para secar suas lágrimas de menina que virou gente grande, não por ter pernas longas, nem por ser pernas-de-pau mas por descobrir que querer não era o bastante.
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