quinta-feira, 5 de abril de 2012

Off

(Eu deveria estar alguma coisa que não estou. Fica as vezes a sensação de que “escrevi” ou disse alguma coisa, ou de um modo, que a minha vontade é apagar tudo. E quando “rasuro”, a sensação é ainda mil vezes mais terrível. Meu deus o que estou fazendo??? Todo esse gosto no meio do “estou vivendo”, e de todas as coisas estão os meus erros, sobrepostos os meus acertos; um desenho tão feio que não posso me perdoar por tamanha falta de beleza com aquilo que é meu e sou eu. De qual forma for, sou empurrada pra frente a viver, com cara de quem bebeu algo amargo, mas isso não importa, vai-se.)


segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dentro do dentro



Nunca tinha encarado a "beleza" de frente.
Parece batida lenta de música
e que depois mais forte, e cada vez mais forte, mais forte...
- Por favor me destrua!
Lembrando da esfinge, grito dentro.
São delírios,
tão certos e decisivos quanto os olhos,
- como tem coragem de me olhar assim? Como pode?
Eu não tenho outra alternativa senão te amar.
De repente,
sem essa noção de tempo,
é só a única coisa que sou.
O mundo não existe e eu cara a cara com “tudo”.
E no gozo de todas as horas,
banalizo.
Como quem pisca rápido os olhos
e sacode a cabeça de uma vertigem

(mas eu sei o que eu vi).



Escutando First Song For B - Devendra Banhart

segunda-feira, 26 de março de 2012

No mundo dos estranhos só tem seres humanos


Estranho cuidado de ser, justamente porque “ser” não é para si. Então somos estranhos, bobos, burros, querendo alcançar uma coerência entre o que acredita e o que quer que o outro veja – porque sempre se quer.
- Ei, isso que você está vendo de mim é algo inconscientemente, cuidadosamente o que eu sou pra você e é de coração! Até que o primeiro desentendimento, óbvio, desnorteia. Então já decidi, não vou ser porra nenhuma e nem quero que sejam pra mim. Acho a maior prova de amor: não ser nada.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Eus e eles

Dizia: eu sou intepestuosa, ansiosa, amorosa...e um eco se expandia imediatamente. Ela se calava. E então era um eco interno, mas ainda um eco.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O clímax de um cansaço

...é que tem tanto mundo dentro de mim que estou "estragada". Mas isso não é o pior, mais grave é estar pensando por essas vias tão "humanas": querer uma salvação pra cada problema, amar e doer na mesma linha, entre tantas outras convenções do mundo desesperado, do qual se faz parte em via de mão dupla, onde muitas vezes o maior benefício recebido é cansar-se para manter-se vivo.
Apesar de tudo nessa vida ser um pouco (ou somente) elaboração, falo de um "corte" na pele que existe, sangra e dói. Falo por concepção própria, tão funda quanto a ferida que arde. O que chama-se "profundo" no mundo dos homens que já nem lembram mais por que estão dizendo mas falam com propriedade antiga, soltando a torto clichês que fogem, por exemplo, da profundidade apenas “física” da questão. Como é difícil digerir o estado tal de consciência, que é uma viagem sem fim: essa bestial maneira de viver por vezes, que também é vida, esse sacrifício sorridente do dia a dia; nele também corre sangue, essa espera interminável, sufoca, porém, ainda é vida; justamente por se afirmar através da dificuldade de respirar. Acontece que isso tudo me incomoda demais. Não pelo desconforto em si, mas principalmente por ser obrigada a aceitar que tudo isso, sim, também é vida!

(Não esquecer de quando trocar de bolsa pegar o cartão do banco, ver o saldo, trabalhar e esquecer da conta que com certeza ainda não foi depositado o dinheiro...)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Porto


:pode ser “momento”, que ao mesmo tempo pequeno – diminuído - é a coisa mais urgente – e sempre mais urgente – que se pode sentir. Ao mesmo tempo menor, ao mesmo tempo a maior e mais importante coisa do mundo. E dessa coisa, sem verdade absoluta, sendo tudo e ao mesmo tempo “coisa que passa”, aquilo que se tem certeza - mesmo essa sendo inexistente, já que estamos falando de pessoas e o que tem dentro delas. E eu digo que “estou certa disso!”.
não me deixa olhar pra frente, 
não deixa que hoje acabe 
mesmo eu já acostumada a morrer 
A sorte é poder reinventar, é poder sentir que “está tudo bem agora”, são as únicas coisas que a gente tem na vida: morrer e viver.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O que não tem no dicionário

Aquele que desperta um arrebatamento, único e inominável, que quanto mais sem nome mais intenso e grave, na voz e na forma. Que faz  borbulhar como coisa dentro da panela em fogo alto; e que de certa forma está mesmo fervendo. Que não se tem palavras, mas um corpo inteiro a flor da pele demonstrando um tanto que, na maioria, não se pode controlar o que fica exposto. Que é anseio não por aflição, mas por ser mais uma das coisas a incluir-se entre as vírgulas do que causa. Que através do toque, estalam partículas adormecidas, tendo a cara de pau de permitir que uma coisa assim aconteça, por exemplo, no meio da tarde. Aquele que carrega um nome e nele tudo a que atribuo e culpo, docemente, pela minha loucura. Você.



Escutando Justin Vernon - Liner

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Descobrindo o que é rir pra não chorar

Ainda tenho traços de ímpetos infantis. Me vêm quando estou desejando algo, ardentemente. Tenho medo por isso pois perco a noção racional e pressinto o quão perigoso é ter em mim somente o sentimento, mais nada. O emocional puro, sem palavras pra explicar ou apenas duas: eu quero. E desse modo me ocorreu chorar, por coisas só minhas e que por isso até me dói ouvir o barulho das teclas, entende? Deixar que pese sobre mim e que transborde em lágrimas o vazio, da espera de tantas coisas que desejo e não vem. E depois de chorar, a vida seria a mesma coisa sempre. As mesmas páginas amarelas. Me fazendo sempre pensar que não adianta nada me derramar em lágrimas, mas também que não se chora para resolver a vida. E com tantas perguntas e indagações, mas poucas respostas, talvez eu devesse mesmo me por a chorar, mas é nesse momento que me ponho a rir.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Está escrito

Algumas pessoas acham Felícia quieta demais, pouco fala, mas se indagada demonstra estar inteiramente prestando atenção no assunto. Outras pessoas dizem que Felícia as vezes deveria guardar certos pensamentos para si ou talvez reduzir, enxugar mesmo o que for dizer. Como aqui ela nasceu, no mundo, a tal “cartilha” social é levada em consideração toda vez que se pega pensando duas vezes em tomar atitude em relação a alguém, geralmente em situação e com pessoa que realmente lhe importa. Só que isso tudo fica confuso pra ela saber qual a devida maneira, a mais prudente, a mais elegante, a menos lancinante de agir, o que significa saber o que falar ao outro. É um engole sapo, um engasga daqui outro dali e quando vai ver está vomitando da pior forma ou se calando quando deveria despejar e se esvaziar. Felícia, que é escritora e adora ler, passa muito tempo com as palavras e já chegou a achar que elas são muito melhores do que pessoas, talvez totalmente melhores, se não fosse para as pessoas que as palavras foram feitas, além de terem sido criadas pelas próprias. Ela pensa até numa revolução da comunicação, numa renúncia as palavras, mas se deu conta que a única forma que lhe basta para dizer tudo sobre esse disse me disse sobre, sobre como ela é e o que é certo expressar ou não, é com as palavras e pensou com ela mesma: ao menos posso escrever e poupar do esforço da boca e dos ouvidos.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Nota interna (muito interna) ou intimidade de alguém que não sou eu mas de certa forma é, mas de certa forma não é

Não sei se posso chamar de honestos os sentimentos que vem me tomado in-tei-ra. Talvez isso importasse, se não fosse pela intensidade e arrebato desse avalanche - o palpitar e a elevada temperatura do corpo já perceptível, constrangedor. Como um afogamento de conclusões tiradas dentro da minha própria cabeça; minha imagem tendo que ser preservada (a grande custo) para assim não passar como louca, fica difícil manter a tempestade dentro. Verídicos os pensamentos ou não, com ou sem fundamento, o único fato sazonado é que: não os quero. Essa aflição de quem não pode afirmar mesmo quando no interior aquele tumor já se tornou, já cresceu e agora existe. É duro viver, pois se tem o vício dos pensamentos. Eu queria apenas pensar e no entanto, sofro, sem saber forma de parar o que eu já inventei uma vez, dando voltas, assombrando, controlando para não expor e me perdendo entre o que falo e calo. Estou perdida na ordem dos fatos (ou fragmentos) e por isso me esquecido que te amar deveria ser sempre agora.
O que eu tenho visto como absurdamente grande, não sei medir ao certo, pois não tem pontas e a isso atribuo meu desnorteio e o tamanho/imensidão do medo. São muitas linhas que se cruzam numa vertigem minha, só minha, num louco “apreço” aos meus devaneios, fica as vezes difícil contar pra quem quer que seja, a não ser eu mesma lutando e em silêncio. Entretanto, absurda mesma é a nudez que representa o encontro de duas pessoas, encontro esse, que não há como negar a grandiosidade (ou gravidade) do fato se nos sentirmos únicos, dois. E aqui chegamos no ponto, não sei o que fazer com a minha sorte. Meu quinhão, a única e primeira verdade antes de toda a insegurança, que começa em você e termina em mim e vise e versa.

Como se fosse fácil não enlouquecer.


Escutando Cat Power - He War

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O copo, meu mundo, minha tempestade



Dentre os meus quereres, como forma de sobrevivência: quero poder desdizer tudo aquilo que disse e quero manter a calma de estar no meio da vida sem explicação. Mas de repente tenho 23 anos, a vida seguindo na velocidade do meu desespero, tendo que construir meus próprios castelos e ainda lidar com o fato de não saber nada cada vez que eu sei alguma coisa, porque é assim que funciona essa máquina do tempo, indo sempre pra frente, nunca pra trás. Preciso controlar minha euforia da busca de uma calma que eu desconheço, e que é justamente a calma de desconhecer. A dureza da realidade não tem me permitido metáforas, quando azeda, é porque realmente está azedada. As tristezas tem sido tão reais, que são apenas tristezas, nada de poesia, nada de achar graça nas desgraças, apenas a seriedade que é a grande morte silenciosa das pessoas, como consequência de uma exigência traiçoeira. Eu tenho medo do que o mundo está fazendo comigo, do que vem fazendo com as pessoas e novamente do mundo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Sertão de mim


Estou num estado em que já nasci sabendo o nome das cores, quando na verdade cada uma delas me foram ditas até que eu as aprendesse: céu, maçã, com ou sem gosto, brancas ou pretas.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Um dia no amor



Como se não soubéssemos
que são quatro olhos e duas bocas,
encaramo-nos.
E na sua boca tem minha vontade,
nos seus olhos sua fome,
me come.
Dentro de um silêncio
mantra,
uma paz que eu não sei rezar,
perdoai-vos eles não sabem o que fazem

e por não saber
vemos,
cheiramos,
lambemos,
beijamos,
mordemos,
sentimos,
e até sofremos.




Ouvindo Rosa - Devendra Banhart

domingo, 23 de outubro de 2011

O pão nosso de cada dia nos dai hoje

Escrevo não por gula, é com o vazio de uma fome. O pensamento vai tomando, comendo as linhas. Estive (estou) enfastiada, mas mais tarde virá outra fome e sempre virá a fome. Amém.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sendo

...e mesmo passando dias do ano que não acaba nunca mais, existe uma proteção prudente de minha parte quanto ao o desânimo fatigante que tenho sentido, ocorre que essa coisa é tão profunda, como um buraco sem fim de uma ferida aberta, que eu não posso com ela. O cansaço portanto, é a própria prudência de não me deixar ir além e ver o chão dessa ferida. Prefiro desconhecer tal horror, mesmo que o espelho tenha a minha cara. Entre tantas pessoas de narizes em pé - um cansaço infinito de ser muitas vezes "obrigada" a trocar palavras com elas, entre o ônibus que quando você quer e precisa, ele nunca passa e desfilam na sua frente os que você não quer e não precisa, entre o dinheiro, a conta bancária as dividas somadas aos sonhos e o resultado que diminui, reduz e até anula meus planos, um cansaço. Mas me canso pra me manter viva. É isso? não sei...não sei...

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Deixa sentir

Deixa chegar
e ela franze a testa
deixa chegar
e ela assume as próprias sobrancelhas,
(de um jeito que devia doer).
Deixa sentir
e aí já era demais,
ela sucumbiu ao medo
de já estar sentindo tudo

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ato de consumação

“assim como para se ter o incenso o único meio é o de queimar o incenso” C.L


Pedacinho de mim que..comeram. Deixam cair farelo no chão. Minha cabeça dói quando vejo a sujeira espalhada e fico igualzinha ao chão, imunda. Descubro, quando me comem, que sou isso mesmo, parecida comigo mesma e isso também me causa certa dor de cabeça. Me comem, me engolem e há quem me cuspa. Só é bom mesmo quando me saboreiam, aí até dou as minhas bocadas no outro.

Não é fácil lidar com os pedaços que tenho que distribuir de mim, na verdade como é complicado lidar com as pessoas as quais me dou e me doo. Distribuída entre as que são histórias, que são pessoas e que novamente são histórias, tornando pesado sustentar a troca, que as vezes nem existe. E nem sou minha, nem ao menos eu me como,

mas tenho que me engolir.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Pequena carta


Eu não sei o que eu faço com esse carinho, e por não saber o que fazer com ele que eu quero passar as mãos nos teus cabelos, ver você fechando os olhos devagar e abrindo-os de novo. Quero beijar essa parte do seu pescoço que eu não consigo parar de olhar enfeitiçada. Quero, por euforia, mordiscar um pouco da sua pele e poder ainda ver seus poros arrepiados e suas mãos respondendo ao meu “não saber”. Quero fazer carinho no seu carinho, como forma de dizer umas coisas que nem sei, mas sinto. Amor, quero fazer amor com você, por pura, pura falta de coisa mais forte do que isso, que ainda não existe, porque se existisse eu faria mais do que amor pra dizer que sou tua e não tem volta.

terça-feira, 19 de julho de 2011

A raiva que dá e passa (?)


É como se seus joelhos doessem e você não pudesse mexê-los, a dor incomoda e você sem controle. Tem vezes que a sensação é de ultrapassar a si mesma, como se o carro e a paisagem fossem a mesma coisa: você, dentro dele, tantas coisas passando e seus olhos vendo a velocidade, a velocidade que as mãos não agarram. Eu posso rasgar sua roupa, eu posso gritar mudo, surdo, eu posso até mentir que vai continuar sendo verdade. O meu rosto vermelho, a minha garganta engasgada, incrivelmente, minha boca sem comunicação. Me ultrapasso e não chego a lugar algum.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Rabiscos ou Vida



Sujei de lágrima o papel, desenhei em mim um rio transparente, 
onde a pele do meu rosto era o fundo desse rio e escorregava 
pensamentos barranco abaixo. 
                                                              Eles são tão vivos que posso sentir o gosto salgado. Uso as mãos para enxugar o rosto . É assim que tenho me sentido, resgatando pensamentos que escorrem, o que tem me cansado bastante. As noites têm sido difíceis, e nos meus impulsos me vem por vezes o cheiro da fumaça do cigarro, o gosto da nicotina que eu posso sentir nítido na boca vazia, me faz preparar um café forte e fumar o café a tarde toda.  

                          Durante todo o tempo, as nuvens passam pela minha janela e eu abandonada no meu quarto, o olhar perdido na imagem que parece ser pintada para essas horas de angústias ou desejos de cigarro que respiram o ar limpo. 

                          *(as vezes me embaralho com tantos lembretes espalhados por mim, consciente ou inconscientemente: tatuagens, grifos de mim; cordões que trazem a antiguidade pra perto, confundindo as pessoas de que tenho fé em santos; os olhos, sempre cheios de escritos e papéis, muitos papéis soltos, rasgados, grandes, amassados, dobrados em quatro). 

Noutro dia, desamassava uma folha de papel e espreguiçava umas duas ou três vezes, como faço sem perceber, antes de começar algo, é um modo de esticar o corpo pois tenho ido para a vida carregando o peso de muitos rabiscos no papel - pode não parecer, mas um papel rabiscado pesa como ossos no corpo.