Estou num estado em que já nasci sabendo o nome das cores, quando na verdade cada uma delas me foram ditas até que eu as aprendesse: céu, maçã, com ou sem gosto, brancas ou pretas.
domingo, 13 de novembro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Um dia no amor
Como se não soubéssemos
que são quatro olhos e duas bocas,
encaramo-nos.
E na sua boca tem minha vontade,
nos seus olhos sua fome,
me come.
Dentro de um silêncio
mantra,
uma paz que eu não sei rezar,
perdoai-vos eles não sabem o que fazem
e por não saber
vemos,
cheiramos,
lambemos,
beijamos,
mordemos,
sentimos,
e até sofremos.
Ouvindo Rosa - Devendra Banhart
domingo, 23 de outubro de 2011
O pão nosso de cada dia nos dai hoje
Escrevo não por gula, é com o vazio de uma fome. O pensamento vai tomando, comendo as linhas. Estive (estou) enfastiada, mas mais tarde virá outra fome e sempre virá a fome. Amém.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Sendo
...e mesmo passando dias do ano que não acaba nunca mais, existe uma proteção prudente de minha parte quanto ao o desânimo fatigante que tenho sentido, ocorre que essa coisa é tão profunda, como um buraco sem fim de uma ferida aberta, que eu não posso com ela. O cansaço portanto, é a própria prudência de não me deixar ir além e ver o chão dessa ferida. Prefiro desconhecer tal horror, mesmo que o espelho tenha a minha cara. Entre tantas pessoas de narizes em pé - um cansaço infinito de ser muitas vezes "obrigada" a trocar palavras com elas, entre o ônibus que quando você quer e precisa, ele nunca passa e desfilam na sua frente os que você não quer e não precisa, entre o dinheiro, a conta bancária as dividas somadas aos sonhos e o resultado que diminui, reduz e até anula meus planos, um cansaço. Mas me canso pra me manter viva. É isso? não sei...não sei...
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Deixa sentir
Deixa chegar
e ela franze a testa
deixa chegar
e ela assume as próprias sobrancelhas,
(de um jeito que devia doer).
Deixa sentir
e aí já era demais,
ela sucumbiu ao medo
de já estar sentindo tudo
e ela franze a testa
deixa chegar
e ela assume as próprias sobrancelhas,
(de um jeito que devia doer).
Deixa sentir
e aí já era demais,
ela sucumbiu ao medo
de já estar sentindo tudo
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Ato de consumação
“assim como para se ter o incenso o único meio é o de queimar o incenso” C.L
Pedacinho de mim que..comeram. Deixam cair farelo no chão. Minha cabeça dói quando vejo a sujeira espalhada e fico igualzinha ao chão, imunda. Descubro, quando me comem, que sou isso mesmo, parecida comigo mesma e isso também me causa certa dor de cabeça. Me comem, me engolem e há quem me cuspa. Só é bom mesmo quando me saboreiam, aí até dou as minhas bocadas no outro.
Não é fácil lidar com os pedaços que tenho que distribuir de mim, na verdade como é complicado lidar com as pessoas as quais me dou e me doo. Distribuída entre as que são histórias, que são pessoas e que novamente são histórias, tornando pesado sustentar a troca, que as vezes nem existe. E nem sou minha, nem ao menos eu me como,
mas tenho que me engolir.
Pedacinho de mim que..comeram. Deixam cair farelo no chão. Minha cabeça dói quando vejo a sujeira espalhada e fico igualzinha ao chão, imunda. Descubro, quando me comem, que sou isso mesmo, parecida comigo mesma e isso também me causa certa dor de cabeça. Me comem, me engolem e há quem me cuspa. Só é bom mesmo quando me saboreiam, aí até dou as minhas bocadas no outro.
Não é fácil lidar com os pedaços que tenho que distribuir de mim, na verdade como é complicado lidar com as pessoas as quais me dou e me doo. Distribuída entre as que são histórias, que são pessoas e que novamente são histórias, tornando pesado sustentar a troca, que as vezes nem existe. E nem sou minha, nem ao menos eu me como,
mas tenho que me engolir.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Pequena carta
Eu não sei o que eu faço com esse carinho, e por não saber o que fazer com ele que eu quero passar as mãos nos teus cabelos, ver você fechando os olhos devagar e abrindo-os de novo. Quero beijar essa parte do seu pescoço que eu não consigo parar de olhar enfeitiçada. Quero, por euforia, mordiscar um pouco da sua pele e poder ainda ver seus poros arrepiados e suas mãos respondendo ao meu “não saber”. Quero fazer carinho no seu carinho, como forma de dizer umas coisas que nem sei, mas sinto. Amor, quero fazer amor com você, por pura, pura falta de coisa mais forte do que isso, que ainda não existe, porque se existisse eu faria mais do que amor pra dizer que sou tua e não tem volta.
terça-feira, 19 de julho de 2011
A raiva que dá e passa (?)
É como se seus joelhos doessem e você não pudesse mexê-los, a dor incomoda e você sem controle. Tem vezes que a sensação é de ultrapassar a si mesma, como se o carro e a paisagem fossem a mesma coisa: você, dentro dele, tantas coisas passando e seus olhos vendo a velocidade, a velocidade que as mãos não agarram. Eu posso rasgar sua roupa, eu posso gritar mudo, surdo, eu posso até mentir que vai continuar sendo verdade. O meu rosto vermelho, a minha garganta engasgada, incrivelmente, minha boca sem comunicação. Me ultrapasso e não chego a lugar algum.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Rabiscos ou Vida
Sujei de lágrima o papel, desenhei em mim um rio transparente,
onde a pele do meu rosto era o fundo desse rio e escorregava
pensamentos barranco abaixo.
Eles são tão vivos que posso sentir o gosto salgado. Uso as mãos para enxugar o rosto . É assim que tenho me sentido, resgatando pensamentos que escorrem, o que tem me cansado bastante. As noites têm sido difíceis, e nos meus impulsos me vem por vezes o cheiro da fumaça do cigarro, o gosto da nicotina que eu posso sentir nítido na boca vazia, me faz preparar um café forte e fumar o café a tarde toda. Durante todo o tempo, as nuvens passam pela minha janela e eu abandonada no meu quarto, o olhar perdido na imagem que parece ser pintada para essas horas de angústias ou desejos de cigarro que respiram o ar limpo.
*(as vezes me embaralho com tantos lembretes espalhados por mim, consciente ou inconscientemente: tatuagens, grifos de mim; cordões que trazem a antiguidade pra perto, confundindo as pessoas de que tenho fé em santos; os olhos, sempre cheios de escritos e papéis, muitos papéis soltos, rasgados, grandes, amassados, dobrados em quatro).
Noutro dia, desamassava uma folha de papel e espreguiçava umas duas ou três vezes, como faço sem perceber, antes de começar algo, é um modo de esticar o corpo pois tenho ido para a vida carregando o peso de muitos rabiscos no papel - pode não parecer, mas um papel rabiscado pesa como ossos no corpo.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Era isso o que eu queria dizer
"- Meu amor, disse ela sorrindo, você me seduziu diabolicamente. Sem tristeza nem arrependimento, eu sinto como se tivesse enfim mordido a polpa do fruto que eu pensava ser proibido. Você me transformou na mulher que sou. Você me seduziu, sorriu ela. Mas não há sordidez em mim. Sou pura como uma mulher na cama com o seu homem. Mulher nunca é pornográfica. Eu não saberia ser, apesar de nunca ter estado tão intimamente com ninguém.". Cada palavra
Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres
Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Em carne viva
Nu demais, escuro demais, nítido demais, palpável. Aquela cena de cinema, com luz amarela imitando a penumbra da noite que era lá fora, mesmo dentro de um quarto branco, também era noite. Na hora da madrugada, os risos sem explicação aos ouvidos do silêncio. Só foram saber que tinham sido felizes quando acordaram de manhã e viram tudo do avesso.
Abra o envelope
Aquelas cartas que você queria ler mas não podia, é a sua chance.
Abra o envelope:
http://cartasparanorma.blogspot.com/
(Ps: este é outro blog meu, agora você poderá me encontrar aqui e lá.)
Abra o envelope:
http://cartasparanorma.blogspot.com/
(Ps: este é outro blog meu, agora você poderá me encontrar aqui e lá.)
domingo, 5 de junho de 2011
Pilhada
.Quando se viu, estava confusa no closet, e depois lembrou-se de que não tinha um, logo se sentiu no direito de aumentar o sofrimento, pois em frente ao armário de muitas roupas estava ela atordoada, sem chances de escolher alguma coisa que lhe caísse feito luva, quem dirá todo o resto que precisava arrumar, um amontoado de coisas e coisas ainda sem nome, somente “coisas”, o que já era demais.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Antes e depois de um ponto final
Mudou o pano de fundo da minha máquina que eu queria que fosse de escrever, e até é. Mudou a parede do meu quarto que antes era branca, hoje tem um quadro feio pendurado, mas que eu acho bonito, uma bobagem, uma besteirinha que me custou alguns trocados mal dados e doídos - tem coisas que não mudam. Mudaram os móveis de lugar, cada mês tem um novo canto do mesmo que durmo (e ainda penso muito antes de dormir, tanto que acabo dormindo). Mudou a minha carteira, ganhei uma nova, assadeira, o pão queimou, a geladeira tem muitos gostos de queijos, favoritos, as páginas que eu leio quase todos os dias - e nunca são os mesmos. Por falar nisso, é inverno mas eu queria verão eterno, a pulseira de “alguma coisa do Bonfim” que não desata, todos os meus problemas que nascem e morrem de um jeito que eu não queria, se tivesse documento, estaria lá o meu retrato, uma foto meio assim “quase sorriso”. Mudei meu colo por Ave Maria, cheia de graça tirei do pescoço, o que não deveria ter feito pois esqueci em cima de uma cama suja, fiquei nua. Mudei de número, de casa, mudei, hoje faço charme pra alguém com barba e acho isso a coisa mais linda que me aconteceu nos últimos tempos. Cada segundo de vida muda alguma coisa, mesmo que eu nem queira, e muda tanto que até eu mudei - alguns impulsos, por pulso firme, e dilatado. Troquei a fechadura, tudo por necessidade de vida. Mas uma imagem tem o mesmo gosto de outono, porque outono foi “sua” última estação.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
(não) sendo
Sem poesia estou num buraco
Sem poesia é escuro
Sem poesia é frio,
Sem poesia, vazio
Com poesia o buraco sou eu.
terça-feira, 3 de maio de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres
Eu mesma não tenho nada a dizer, mas suplico...
"...alivia minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte e sim a vida, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que eu receba o mundo sem medo, pois para esse mundo incompreensível nós fomos criados e nós mesmos também incompreensíveis, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade e paciência comigo mesma, amém."
Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, Clarice Lispector.
"...alivia minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte e sim a vida, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que eu receba o mundo sem medo, pois para esse mundo incompreensível nós fomos criados e nós mesmos também incompreensíveis, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade e paciência comigo mesma, amém."
Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, Clarice Lispector.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Sintomas de uma fome
Surdos, os movimentos fazem barulho
brincam de metáfora.
Quando escondida,
a verdade nua não tem como ser dita,
de uma forma ou de outra,
faz-se.
Estávamos à luz do dia,
você sem almoço,
eu faminta.
Não tinha coisa que não fosse colchão
e os bancos eram feitos da primeira dobra de louça.
As cachoeiras aos poucos se firmaram dentro do meu banheiro
e se tudo parecia fora do lugar,
tinha chuva e fazia sol,
o espelho abafado
pelo calor de muito espaço pra pouca vontade de distância.
A página em branco que achei ser o espelho
fui eu escrita das suas mãos.
brincam de metáfora.
Quando escondida,
a verdade nua não tem como ser dita,
de uma forma ou de outra,
faz-se.
Estávamos à luz do dia,
você sem almoço,
eu faminta.
Não tinha coisa que não fosse colchão
e os bancos eram feitos da primeira dobra de louça.
As cachoeiras aos poucos se firmaram dentro do meu banheiro
e se tudo parecia fora do lugar,
tinha chuva e fazia sol,
o espelho abafado
pelo calor de muito espaço pra pouca vontade de distância.
A página em branco que achei ser o espelho
fui eu escrita das suas mãos.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Na cama
(Me salta aos olhos, suicida, me come com os mesmos, fico mordida. Grita, eu peço fala baixo mas se propaga como perfume, não adianta lavar o rosto, não é água que escorre é fogo que queima a roupa, um assalto e você com as mãos pra cima, um crime.) Antes de dormir pensava no roubo.
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